Sociedade

RIO DE JANEIRO

Polícia do Rio assassina mais dois jovens negros no morro

A Polícia do Rio de Janeiro segue cometendo o genocídio do povo negro e pobre nas periferias. Domingo, dia 10, Wesley e Davi, dois jovens menores e negros foram brutalmente baleados e mortos pela UPP no morro do Fallet.

quarta-feira 12 de abril de 2017| Edição do dia

Depois do brutal assassinato de Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, estudante negra, morta a tiros pela Polícia, dentro da escola, mais uma vez o Rio é palco do assassinato da juventude negra e do povo pobre pela polícia, braço armado do Estado.

Davi Renan da Rocha, 16 anos e Wesley de Paula, 15 anos, foram mortos no último domingo dia 10 de abril, no morro do Fallet no Rio Comprido, RJ e novamente pelas mãos da Polícia. Os adolescentes estavam numa escadaria no alto da favela, depois de um pagode, quando os tiros os atingiram pelas costas. Wesley especificamente nas costas e Davi na cabeça. Apesar do socorro prestado pelos moradores os jovens não resistiram.

Segundo a comunidade, haviam três atiradores próximos do local de onde vieram os tiros, apesar da UPP negar qualquer confronto na data.

Professores e colegas das escolas públicas onde Wesley – um dos jovens – estudava, acompanharam o velório e foram se despedir. Profundamente comovidos, deixaram desenhos, cartazes e deram depoimentos que expressavam a indignação pelas mortes, assim como também reivindicavam por justiça aos crimes cometidos pela Polícia.

Colegas de escolas no velório de Wesley e Davi. Foto: Domingos Peixoto
Fonte

Wesley, segundo professores, era um ótimo aluno, frequente e estava participando do jovem aprendiz, um programa para ingressar no mercado de trabalho. Seu pai, Adriano de Paula, relatou que seu filho, depois de três anos fora da favela, só havia voltado a morar no morro para fazer companhia a mãe. Declarou que era muito difícil enterrar um filho dessa forma depois de tudo que passaram.

Já Davi era filho único, de família nordestina e migrante, morava com a mãe doméstica e com o padastro, sonhava ser jogador de futebol. Wesley, sonhava ser dançarino profissional.

Nessa segunda feira, em protesto, os moradores e familiares, acompanhados dos colegas e professores dos jovens saíram em protesto, fechando inclusive ruas, para mais uma vez expressar sua indignação com o constante assassinato dos moradores das periferias, na maioria das vezes pelas mãos da Polícia e pela UPP.

O que a Polícia, com aval do Estado, tem feito rotineiramente na periferia é um verdadeiro genocídio do povo negro e pobre, tirado violentamente vidas e sonhos da juventude e dos trabalhadores. Enquanto existirem as polícias, todas elas, sabemos que o povo e a juventude sequer terão direito a vida já que são cotidianamente os alvos dos assassinos de farda.

Basta do genocídio do povo negro e pobre nas periferias e nas portas de nossas escolas!




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