Internacional

REBELIÃO NO CHILE

Polícia chilena usa soda cáustica em caminhões-pipa para queimar manifestantes

Um relatório divulgado nesta segunda-feira confirma que os Carabineros usam spray de pimenta e soda cáustica dentro dos caminhões-pipa que usam para dispersar as manifestações. Nas últimas semanas, registou-se um aumento do número de relatos de manifestantes queimados após terem sido atingidos por caminhões hidrantes.

terça-feira 17 de dezembro de 2019| Edição do dia

Na segunda-feira, na sede da Federação Estudantil da Universidade do Chile (FeCh), houve uma coletiva de imprensa convocada pelo Movimento Saúde na Resistência, uma organização que apresentou um relatório sobre os componentes químicos da água jogada pela polícia em seus carros, conhecidos popularmente como “guanacos”.

"A única forma de diluir as moléculas do composto químico capsicina (contidas na água lançada pelos carabineiros) é através de um meio alcalino, como a soda cáustica”. Com estas palavras, a química Francisca Leiva, responsável pelo relatório, revelou a razão dos vários casos de queimaduras denunciados pelos manifestantes.

De acordo com Leiva, as queimaduras são produto de químicos, e não há dúvida sobre isso. A profissional explicou que a água liberada pelo "guanaco" contém moléculas do composto químico capsicina - componente ativo do gás de pimenta - e que para se dissolver na água é necessário um meio alcalino, como a soda cáustica.

Leiva acrescentou que a soda cáustica gera efeitos físicos e provoca erosões na derme. Isto contradiz a resposta cínica de Carabineiros que insinuaram supostos "problemas médicos anteriores" dos manifestantes que denunciaram queimaduras.

O caso de queimadura por água de caminhão-pipa de Carabineros que o Movimento Saúde em Resistência mostrou foi o de Gonzalo, um jovem morador de Lo Hermida, que denunciou graves feridas e erosões em seu pescoço e costas produto da repressão policial.

O jovem de Lo Hermida afirmou que foi atacado pelos carabineiros e molhado pelo carro lançador de água caminhão-pipa quando tentava remover bombas de gás lacrimogêneo de sua casa que haviam sido lançadas pela polícia.

Em conversa com La Izquierda Diario, um médico e uma jovem de Lo Hermida destacaram que o caso de Gonzalo não é isolado, mas se dá no marco de uma grave situação de constante repressão policial enfrentada pela população local, que inclui dezenas de pessoas feridas com chumbinho, pessoas atacadas por carabineiros em suas próprias casas, violência nos tribunais e praças contra crianças, adolescentes e pessoas do setor, entre outros.

Esta denúncia se soma às de muitas organizações de direitos humanos locais e estrangeiras sobre a brutal repressão aos carabineiros e os casos de tortura e estupro, assim como o disparo de chumbinho ao nível dos olhos que deixaram centenas de pessoas com lesões oculares.

São "táticas de punição" para "marcar" física ou psicologicamente aqueles que participam das mobilizações. Não é algo novo; são as lições que a polícia e os militares, não só do Chile mas de toda a América Latina, aprendem em exercícios conjuntos com os Estados Unidos, e que também são "importados" de outros exércitos, como os franceses, que têm experiência em políticas deste tipo. São os que esses países usam nas guerras que fazem em diferentes partes do mundo e que aplicam contra as populações locais, como já aconteceu com a Escola das Américas e a "Escola Francesa" durante as ditaduras genocidas que nossa região viveu nos anos 70. É claro que Pinochet não foi exceção, mas um de seus melhores alunos, e os carabineiros continuam a usar esses métodos como parte da herança de Pinochet que as ruas reivindicam destruir de uma vez por todas.




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