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POLÍCIA ASSASSINA

Polícia assassina jovem e moradores protestam com ônibus queimados na Região Oeste de SP

Três ônibus foram incendiados na região do Butantã, zona oeste de São Paulo, neste domingo (2), em protesto a mais um assassinato cometido por policiais militares na região do Sapé, no Rio Pequeno.

segunda-feira 3 de julho| Edição do dia

Esse final de semana a Polícia Militar assassinou mais um jovem menor de idade e barbarizou com mais uma família, em mais uma atuação ostensiva do batalhão que mais mata do estado na favela do Sapé, no Rio Pequeno, na região Oeste da capital paulista.

As circunstâncias que levaram a PM a puxar o gatilho não estão esclarecidas. Existem várias versões: a de que o garoto morreu no contexto de um baile funk que ocorria na região; a de que o jovem morreu após uma perseguição policial; e a versão da polícia, de que o rapaz teria disparado contra policiais militares ao tentar fugir de uma abordagem na mesma região.

Em resposta e pra chamar atenção para a ação bárbara da polícia, a população queimou dois veículos na rodovia Raposo Tavares, no km 14, próximo ao Jardim Bonfiglioli, por volta das 22h30. Ninguém ficou ferido, um grupo de pessoas entrou nos veículos mandando todos os passageiros desembarcarem e cruzaram os dois ônibus na pista, segundo a PRE (Polícia Rodoviária Estadual). Em seguida foi jogado combustível e atearam fogo nos veículos.

Um terceiro ônibus foi incendiado na avenida Professor José Maria Alkmin, na mesma região.

Moradores da região relatam que quando a polícia chegou, com helicópteros e muitas viaturas, começou uma troca de tiros.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e mandou dez equipes para apagar o fogo. Por volta da meia noite, os veículos foram colocados no acostamento da rodovia e o trânsito no sentido interior, que estava totalmente interrompido, foi liberado.

De acordo com a secretaria de segurança, o inquérito que investiga os ataques aos veículos foi aberto no 51º DP (Butantã). Já a morte do garoto é apurada na DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), porque, segundo a própria Polícia, ocorreu após "oposição à intervenção policial".

A secretaria de segurança disse ainda que a Polícia Militar instaurou inquérito administrativo para investigar a conduta dos policiais que se envolveram na morte do jovem.

Não podemos ter a menor confiança na versão que a polícia conta dessa história e de todas as outras. A mesma Polícia racista que protagonizou chacinas históricas, como na Candelária e no Carandirú, e que matou Amarildo, DG, arrastou Claudia até a morte, é treinada, na ideologia e na prática, pra ver um jovem negro da favela e condená-lo como culpado, até que ele prove o contrário. Essa é polícia que ganhou o título de mais assassina do mundo, que, quando se trata da população pobre, negra e periférica, tem aval do Estado e da impunidade da justiça burguesa para mata-la sem julgamento, mesmo quando se trata de um garoto menor de idade.

Casos como esse deixam claro que a polícia precisa acabar, e nos mostram a necessidade de colocar nas mãos de toda população pobre e trabalhadora o poder de decidir sobre a realidade do país. Unificar e coordenar cada luta por direitos no pais é um passo necessário para avançar na organização dos trabalhadores e jovens para poder impor uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana através da luta, que, dentre tantas outras medidas, possa por fim a barbárie da violência policial.




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