Sociedade

DENÚNCIA

Polícia algema dois homens negros em uma lixeira em Porto Alegre

Na madrugada desta quarta-feira (09) a polícia algemou dois homens negros em uma lixeira, em frente ao Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Quando o dia amanheceu eles permaneciam ali, além de outros que são mantidos em viaturas. As condições desumanas que a polícia submete os presos são justificadas pela grande mídia, que trata do problema da segurança pública como resultado da impunidade e falta de vagas no sistema prisional.

quarta-feira 9 de novembro| Edição do dia

Os jornais pressionam o poder público para a construção de novos presídios e também pela privatização do sistema carcerário. A solução imediata será manter a custódia de presos em containers, viaturas, sabe-se lá em que condições sanitárias. Não se trata aqui de "defender bandido" como qualquer reacionário possa vir a afirmar. Trata-se de uma questão de políticas públicas.

Aumentar a população carcerária ajuda a combater a violência e os problemas de segurança?

O Brasil conta com a quarta maior população carcerária do mundo, e o perfil socioeconômico das pessoas privadas de liberdade mostra que 55% têm entre 18 e 29 anos, 61,6% são negros e 75,08% têm até o ensino fundamental completo. Esses dados constam do último relatório do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), relativo a dezembro de 2014.

De 2004 a 2014 a população carcerária mais que dobrou, assim como os índices de violência. Política pública que combate a violência e a criminalidade é principalmente a EDUCAÇÃO, que engloba lazer, incentivo à cultura, programas sociais e oportunidades para os jovens de periferia. Política pública que combate a violência e a criminalidade é principalmente SAÚDE, que também engloba políticas sociais de combate à violência, ja que violência é tratada como epidemia social.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que taxas acima de 10 assassinatos por 100 mil habitantes configuram "nível de epidemia". Em 2014, a taxa de mortalidade criminal era de 95,23 por 100 mil habitantes, enquanto entre a população em geral, a taxa era de 29,1 mortes por 100 mil habitantes.

Não é de hoje que denunciamos no ED que o capitalismo é indissociável do racismo e aprisiona o jovem negro que não teve oportunidade de estudo. Além disso os veículos de mídia burgueses tratam do sucateamento da educação como um mal necessário para que o governo ajuste as contas, tanto, que chama a sociedade a ajudar os professores com salário parcelados para que esses não entrem em greve, como foi explícito ontem 8/11, no J.A. notícias da RBS. E para falar em sucateamento, esta é a estratégia para privatização de presídios. A pergunta que fica é: a quem interessa tornar o sistema prisional privado? Que envolvimento tem a mídia golpista nisso?

De acordo com publicação no site www.justica.gov.br o próprio "diretor-geral do Depen, Renato De Vitto, ressaltou que o crescimento da população penitenciária brasileira nos últimos anos não significou redução nos índices de violência. “Pelo contrário, mesmo com o aumento dos encarceramentos, a sensação de insegurança não diminuiu. Isso significa que é preciso se repensar a prisão como instrumento de política pública para combater a criminalidade”. Assim como é preciso se repensar as escolas públicas que também se pensa em privatizar nesse golpe contra a juventude e a classe trabalhadora.

Nada se fala na mídia sobre os juros da dívida pública, ou mesmo uma possível auditoria dessa dívida que é a real causa do caos instaurado na sociedade. Pelo contrário, quase um trilhão anual continuará fluindo para os cofres dos banqueiros e empresários, os credores dos super contratos. Ao mesmo tempo o governo tem pressa em fazer passar a PEC do fim do mundo, aquela que ja foi 241 e agora é 55. Tocando justamente naquilo qie combate a violência, saúde e educação. Que mundo está se criando para as próximas gerações?

É preciso se fortalecer o movimento estudantil e levar esse debate às fábricas e a todos os locais de trabalho para que se possa levantar o questionamento: com que direito o Estado entra como repressão onde não entrou antes como educação?




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