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CUSTO BRASIL

Polícia Federal bloqueia R$103 milhões do PT, enquanto Lava Jato segue sem olhar para a direita

O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, responsável pela Operação Custo Brasil, decretou o bloqueio de R$ 102,678 milhões do Partido dos Trabalhadores, do ex-ministro Paulo Bernardo e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso há mais de um ano na Lava Jato.

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

O valor refere-se ao dinheiro que teria sido desviado do Ministério do Planejamento em um esquema envolvendo a Consist, também atingida pela determinação da Justiça.

No despacho, o magistrado afirma que dois delatores diferentes apontam "Vaccari como uma espécie de mentor do esquema de desvio de dinheiro do caso Consist" e o PT como "principal beneficiário do esquema".

A Custo Brasil é um desmembramento da Lava Jato que investiga desvios no ministério do Planejamento, comandado por Paulo Bernardo de 2005 a 2011.

Segundo a PF, de 2010 a 2015, a pasta superfaturou em quase R$ 103 milhões em contratos com a empresa de tecnologia Consist. Esse dinheiro teria sido usado para pagar propina a servidores, entre eles o ex-ministro, e para abastecer o caixa do PT.

Desse modo, o juiz concluiu que eles tiveram participação decisiva em um suposto esquema de corrupção no Ministério do Planejamento via Consist, e determinou que o valor bloqueado fosse o mesmo do rombo causado na pasta, de pouco menos de R$ 103 milhões.

Responsável por gerir um sistema de empréstimo consignado a servidores, a Consist teria recebido R$ 1 de cada parcela paga pelos funcionários, quando o valor de mercado desse serviço seria de R$ 0,30.

O PT, segundo a investigação, também tinha participação ativa no esquema. Vaccari, segundo os investigadores, definia a distribuição da propina originária do contrato entre Consist e Ministério do Planejamento. Houve saques em dinheiro e pagamentos a empresas de fachada no intuito, ainda de acordo com a investigação, de esconder o caminho do dinheiro.

Tamanha é a adaptação do PT aos métodos capitalistas, mesmos métodos dos governos anteriores, que o envolvimento de todos estes nomes com a cúpula do PT amplia a legitimidade social do golpe institucional.

Mas é intrigante como as figuras da direita não aparecem nas investigações. Gilmar Mendes, que prepara refeições com Temer e com os tucanos Serra e Aécio (Alckmin estaria ilhado no PSDB?) para explicar "o que vai acontecer" no restante de 2016 comandado pelo Judiciário, quer blindar todos os golpistas. Janot, da Procuradoria, quer a cabeça de alguns, inclusive do PMDB e Aécio, mas mantém sigilosamente tudo o que poderia evidenciar a participação da direita nos esquemas de corrupção que diz combater na Lava Jato. Teori Zavascki negou os pedidos de prisão contra Renan, Sarney e Jucá e colocou em sigilo as listas da Odebrecht e as gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que havia derrubado três ministros. A imprensa, por sua vez, tem por enquanto como estratégia soltar um ou outro petardo, mas sem insistir na cobrança. Depois, conceder um período de graça aos suspeitos.

Vale perguntar: por que FHC nunca é investigado? Por que Alckmin não é "conduzido coercitivamente" ou "preso preventivamente" por roubar merendas? Porque Serra não é preso pelo trensalão? Porque Aécio não é condenado por Furnas? Por que Temer ou qualquer um deles, assim como Gilmar Mendes, não têm suas contas investigadas e bloqueadas?

Longe de qualquer ilusão com os métodos reacionários da Lava Jato, estas questões dão a medida clara de como a frente golpista, em meio a desacordos e jogos próprios, e o notável fortalecimento do Poder Judiciário como árbitro geral da situação política e das eleições de 2016, usa a Lava Jato não para punir corruptos, mas para selecionar um esquema de corrupção com o rosto da direita em detrimento de um esquema com a cara petista.




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