UNICAMP

Poema recitado em Assembleia da ADUNICAMP

Ocorreu ontem Assembleia histórica da Associação dos Docentes da UNICAMP (ADUNICAMP), que derrotou as propostas colocadas pelos professores contrários ao movimento grevista e representou um fortalecimento da luta em defesa da universidade pública e da campanha democrática contra as punições aos lutadores. Uma das intervenções foi essa poesia que compartilhamos abaixo, do professor Wilmar D'Angelis, do Instituto de Estudos da Linguagem.

quinta-feira 21 de julho de 2016| Edição do dia

"Não Temeremos!
Aos representantes e militantes do MBL na UNICAMP

Vocês temeram os pobres na Universidade,
por isso votaram contra as cotas.
Vocês temeram a reforma agrária
e se tornaram cúmplices dos ruralistas
e do agro-negócio que agride o ambiente
e extermina sociedades indígenas.
Vocês temeram a liberdade de pensamento
e se aliaram aos evangélicos fundamentalistas.
Vocês temeram o pensamento crítico
e assumiram a Veja como sua bíblia
e a tv Globo como seu único profeta.
E por temerem os jovens divergentes
renovaram instrumentos de poder e de opressão,
e acabaram incensando os mais vis torturadores.
Pois é, vocês temeram até mesmo a libertação dos escravos,
mas acho que vocês nem se lembram mais disso.
Como temeram, também, o sufrágio universal;
aliás, tudo indica que ainda o temem.
E assim,
de temer em temer (e de Temer em Temer)
os temerosos vão se constituindo
em uma temerária direita, que abomina a política,
e propugna, em lugar dela, uma suposta "racionalidade",
porque na sua erudição e ilustração
se acreditam pessoas libertas de ideologias,
e se imaginam "acima" da política,
quando, de fato, estão bem debaixo dela,
e sequer sabem a quê prestam serviço, e a quem batem continência:
"Ordem e Progresso!" - "Anauê!"
Vocês são gente de só temer e só temor,
que desconhecem a beleza da diferença,
que não sabem viver a riqueza da incerteza,
e se apavoram com "o que ainda não é mesmo velho"
- como já disse Caetano Veloso.
Vocês vivem de temer, mas nós não!
Nós não temeremos!"

- Professor Wilmar D’Angelis, Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) / Campinas, 20 de julho de 2016




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