Cultura

POESIA

Poema de Pippo Pezzini

terça-feira 25 de outubro| Edição do dia

Tudo que a gente faz é beber sempre que pode para aliviar o desgosto da vidinha que levamos.
Tudo que a gente faz é sustentar vícios que são paliativos diante da crônica doença do ser em sociedade.
Tudo que a gente faz é fugir do encontro com o nosso íntimo, negando, resistindo, projetando e sublimando.
Tudo que a gente faz é trabalhar, trabalhar, trabalhar na esperança do dia em que sejamos reconhecidos, ricos e tolos.
Tudo que a gente faz é sentar a bunda no sofá e matar o tempo de vida com um entretenimento besta ou bisbilhotar a vida alheia no smartphone, pois o que acontece lá fora parece mais interessante.
Tudo que a gente faz é aderir uma tribo e se tornar irritantemente igual. É mais fácil, já está pronto pra vestir, das ideologias à vestimenta.
Tudo que a gente faz é fumar maconha.
Tudo que a gente faz é comer um monte de porcarias transgênicas, pois não temos tempo para visitar a feira, quiçá cozinhar.
Tudo que a gente faz é vagabundear bêbado nos bares e festas, com a fé de um ateu que quer preencher o vazio angustiante da sua alma.
Tudo que a gente faz é acumular objetos, coisas, carros, casas, roupas, pessoas... Quanto mais, melhor.
Tudo que a gente faz é tudo que a gente é naquele momento.
Tudo que a gente faz é pagar contas que são retroativas.
Tudo que a gente não faz.
Estou tão cheio de tudo.
Vou transbordar.


Pippo Pezzini nasceu em Curitiba em 16 de julho de 1990, atualmente reside em Caxias do Sul. É escritor, compositor, músico, psicólogo e agitador cultural. Em 2013 publicou, de forma independente, o livro ‘’Café, amor e outras drogas’’, que reúne contos, crônicas e poesias. Em 2014 foi premiado com o 2º lugar na categoria de contos no concurso anual literário caxiense, em 2015, no mesmo concurso, foi premiado com o 1º lugar na categoria de crônicas. Em abril de 2015, pela editora ‘O quatrilho’, lançou seu primeiro romance, ‘’Tempestade de Outono’’, pelo financiarte. Participa de feiras de livros, painéis, bate-papos literários e oficinas. O terceiro livro está pronto aguardando publicação, chamado ’’As dores de um bandoneon canceriano’’. Além da literatura, Pippo Pezzini compõe e toca na banda Maragá, fundou projeto ar-te livre, e toca em projetos paralelos como ’’Especial Vinicius de Moraes’’.




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