Política

TEMER, JUDICIÁRIO E MILIONÁRIOS QUEREM ACABAR COM NOSSOS DIREITOS

Podemos resistir aos ataques e lutar contra todo esse regime de milionários e corruptos com uma nova Constituinte

A situação impõe imensos desafios à classe trabalhadora. Há uma grande quantidade de ataques que estamos sofrendo por parte dos empresários, de Temer, do congresso e até mesmo da justiça. Para fazer frente a esses ataques precisamos organizar a união da luta dos estudantes e da classe trabalhadora, mas também tirar lições de como chegamos até essa situação para saber o que construir.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Foto: Beto Barata/PR

Chegamos a essa tentativa de ofensiva dos empresários graças ao PT atacar os direitos da classe trabalhadora, organizar a difusão da ideia que deveríamos confiar nos empresários, que se eles ganhassem nos também ganharíamos, e por não resistir ao golpe que colocou os empresários e seus políticos na ofensiva para nos atacar mais.

Ataques históricos à classe trabalhadora

O desemprego não para de crescer. Enquanto isso Temer e o congresso se apressam a matar o futuro de gerações com a PEC 241/55 que corta gastos da saúde e educação por 20 anos. Querem generalizar a terceirização para nos arrancar direitos e acabar com a aposentadoria. Nos estados a crise é ainda mais profunda com cortes de salários e muitos direitos, como vemos Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Nas estatais Temer anuncia demissões, seguindo o que já vinha fazendo com a Petrobras. Um desmonte da Caixa e do BB também.

Mas não são só os políticos que estão nos atacando, o STF atacou o direito de greve decidindo que os governos devem cortar ponto dos grevistas, e mais, a suprema corte tem decidido vários assuntos da reforma trabalhista e previdenciária, ajudando Temer nos ataques que vão passando na surdina das decisões desses juízes que mandam e desmandam no país.

O judiciário tem aproveitado sua maior popularidade comparado com outros poderes e instituições para fazer valer os interesses da elite. Não trabalham pela “justiça” ou até mesmo pelo fim da corrupção. Escolhem quem e quando prender conforme os jogos políticos, como se há anos os esquemas de Cabral não fossem conhecidos. Agora, e só agora, com a crise do Rio e possibilidade que o herdeiro de Cabral não consiga aplicar os ataques que eles desejam que o judiciário começa a agir, porque está ensaiando colocar um ajustador mais forte que Pezão. Ou seja, atuam com sua arbitrariedade e seletividade como fizeram antes do impeachment, com o mesmo objetivo.

A eleição de Donald Trump nos EUA trará ainda mais complicações a economia do Brasil. O racista e anti-imigrante presidente também tem anunciado medidas que levarão a reduzir o preço de vários dos principais produtos que o Brasil exporta, como ferro, petróleo, soja, carne. Devemos nos preparar para que os próximos meses sejam de continuidade da recessão ou até mesmo do agravamento dela.

Com essa situação os empresários e toda grande mídia tentam nos vender o peixe podre de que não existe alternativa a não ser aceitarmos esses cortes, demissões e jogar na lata do lixo os direitos que haviam na constituição de 88. Enquanto as empresas demitem, cortam salários não para de aumentar o número de milionários no país. Só em 2016 o Brasil teve 10 mil milionários a mais. Já são 172 mil milionários. E o topo da cadeia desses privilegiados são os detentores da dívida pública, que consome mais de 47% do orçamento federal. Essa é “mágica” que não nos mostram de porque faltam recursos, os empresários lucram cada vez mais.

É preciso organizar uma grande luta defensiva contra tantos ataques que estamos sofrendo. A juventude é o exemplo para inspirar os trabalhadores. Podemos resistir aos ataques e mostramos nessa edição o que pode ser feito na luta no Rio de Janeiro, da juventude e no dia de “paralisações e atos” para resistir aos ataques e ter uma verdadeira “guerra” em defesa de nossos direitos, exigindo um verdadeiro plano de lutas da centrais sindicas e lutando para impor uma saída de fundo: uma nova constituinte.

Como chegamos a essa situação?

Essa crise não é um produto mágico de seres malvados que apareceram do nada. Eles estavam lá o tempo todo. Os grandes agentes dos ataques de hoje eram aliados do PT e aplaudiam quando o PT começou os ataques. Os empresários que fazem nós pagarmos o pato eram celebrados pelo PT, por Lula, que se orgulhava de dizer que todos podemos ganhar, que nunca os banqueiros se enriqueceram tanto como em seu governo.

Esses ataques a nossos direitos desgastaram o PT tanto quanto ter adotado os mesmos métodos corruptos de todos partidos capitalistas no pais. A direita se aproveitou disso. Conseguiu emplacar “gestores não políticos” em várias cidades. E agora querem aproveitar o clima de ressaca para conseguir emplacar seus ataques.

Mas os resultados eleitorais tiveram um impacto diferente nas cidades nos estados. Se em todo o país vimos que a direita conseguiu emplacar seus “Dorias”, vimos como no Rio houve mais de um milhão de votos de trabalhadores e jovens que buscavam uma saída de esquerda. Ali também vemos a luta da juventude e do funcionalismo contra o “pacote de maldades” de um governo em crise. E mesmo onde o segundo turno foi todo de direita como em Porto Alegre, Belo Horizonte, e Curitiba vemos que isso não significou uma derrota das lutas.
Há muitas greves e ocupações de universidades.

A situação de São Paulo é diferente porque era um bastião do PT e a não resistência ao golpe, a completa passividade da CUT frente aos ataques dos empresários e dos governos tem levado muitos trabalhadores a desmoralização ou a procurar no seu inimigo, o empresário, alguma resposta a crise que é toda depositada nos governantes. Como se a FIESP e o aumento dos milionários não teriam nada a ver com a crise.

A responsabilidade dessa idéia de que os empresários são amigos dos trabalhadores seja tão disseminada é do PT e da CUT, que repetiram isso por décadas, agora pagam um custo eleitoral disso e nós pagamos com desemprego e retirada de direitos.

Mas e agora, o que fazer?

Derrotado o PT procura mostrar uma nova cara. Agora fala em “Frente Ampla”. Organizam apoios internacionais como Mujica do Uruguai para nos vender essa idéia. Lá no Uruguai a Frente inclui um partido que foi responsável pelo golpe militar (os colorados) a até supostos “comunistas”. Seguem os ajustes, corta-se direitos do funcionalismo, corta-se da educação mas há toda uma aparência de “progressismo”. É a velha formula do PT reeditada. Sonham com construir uma frente que vá da latifundiária “anti-golpe” Kátia Abreu ao PSOL, passando pelos movimentos sociais como o MST, MTST. Essa frente poderia ser encabeçada por Lula, por Ciro Gomes que seriam diferentes notas da mesma música. A música conciliação de classes do PT, só que agora em uma forma mais partidária de “frente” e não meramente de “governo de coalizão”.

Por outro lado o PSOL não termina de se decidir se aceita o pedido de Lula, se ele se afirmaria como alternativa de esquerda independente do PT, ou se prepara algum outro tipo de frente que também inclua dissidências ou a própria decadente Rede de Marina Silva e outras alas “progressistas” de partidos da elite nacional. Esse caminho sem os absurdos de uma Kátia “motossera” Abreu ou de um cacique regional como Ciro também reedita a conciliação, só que por uma caminho mais “light” que o de Lula.

Os ataques que viemos sofrendo e o caminho de não resistência primeiro ao golpe e agora aos ajustes em cada fábrica e lutas controladas e sem um “plano de guerra” contra a PEC 241, contra o aumento da terceirização, ataque a aposentadoria mostram que sem uma força social e política à altura quem se fortalece é a direita.

O que faz falta é um combate aos empresários e a seus políticos e juízes. Faz falta é uma força e um programa anticapitalista e revolucionário que faça com que os empresários paguem pela crise e não nós. Que acabe com o privilégio de todos políticos e juízes, impondo que todos sejam eleitos, revogáveis e ganhem como uma professora. O MRT e o Esquerda Diário lutam para que se desenvolva a força social contra os ajustes e que dela possamos batalhar para impor um questionamento a todo esse regime de milionários e corruptos, lutando por uma Nova Constituinte como parte de abrir caminho para que os trabalhadores vejam a necessidade de uma verdadeira resposta de fundo um governo operário de ruptura com o capitalismo e o imperialismo.




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