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CORONAVÍRUS

Podemos confiar no dado de ocupação de leitos de Dória?

Tido como principal norteador para a flexibilização das quarentenas, dado fornecido pela secretaria do estado é pouco claro e detalhado.

segunda-feira 22 de junho| Edição do dia

Desde o início do mês o governo Dória resolveu dar início ao seu processo de flexibilização da quarentena. Longe de apresentar um plano que envolvesse os testes massivos da população, para termos uma real noção da dinâmica da pandemia e poder rastrear os contaminados o mais cedo possível e assim provê-los o tratamento adequado e impedir que disseminem a doença, o principal norteador de Dória é a ocupação de leitos de UTI.

Isso é um absurdo em vários, pois como se sabe o ciclo do coronavírus é duas semanas. Isso significa que quando a ocupação de leitos aumentar, provavelmente o vírus já terá se disseminado muito mais. Apenas com a testagem em massa seria capaz de identificar os infectados no início e evitar que a pandemia se dissemine. Além disso, tampouco esse método e capaz de evitar mortes. Como se sabe, 2/3 dos pacientes que necessitam de um respirador acabam morrendo.

Para piorar essa situação, esses dados são pouco confiáveis. Como mostrado por denúncias da Folha, os dados não são precisos.. Primeiro que a lista inclui tanto hospitais públicos quanto privados. Isso significa que talvez os leitos tidos como "disponíveis" na verdade sejam leitos de hospitais privados que na prática não estão disponíveis a quem não tenha um plano de saúde. Além disso, o número de hospitais que informam o dado variam conforme o dia. O quanto varia? O Governo não informa, não há em nenhum lugar os detalhes sobre o número de hospitais, quais são esses hospitais etc, quantos desses leitos estão na rede pública, quantas estão na rede privada.

O que podemos afirmar de concreto? Bom, o que podemos afirmar com o número disponibilizado é o seguinte. No dia 1 desse mês, quando o decreto começou a valer, o dado divulgado de internados na UTI era de 4681. No dia 18, era de 5421, um aumento de cerca de 15%. Apesar disso, o governador insiste que muitas regiões está tudo ok e o plano pode continuar avançando.




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