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DENÚNCIA

Plataformas da Petrobras: saúde mental zero e trabalho ininterrupto para aumentar lucros

A novidade para aumentar a exploração nas plataformas, suprimir um dos únicos momento de lazer e impor trabalho ininterrupto é proibir o uso das academias abordo. Querem trabalho 24hs e pouco importa a saúde física e mental dos trabalhadores. Tudo pelos lucros dos acionistas.

domingo 18 de outubro| Edição do dia

As plataformas são o coração capitalista da indústria do petróleo. A atividade de “upstream” é a mais lucrativa de toda a imensamente lucratividade do ramo. Impor o aumento da produtividade, custe o que custar, como as centenas de contaminações por COVID no início da pandemia é o cerne da atuação dos GEPLATs e outros chefes, quase sempre desembarcados e ditando ordens para os outros. A novidade para aumentar a exploração é proibir um dos únicos espaços de lazer a bordo: o fechamento das academias. Querem trabalho 24hs e pouco importa a saúde dos trabalhadores.

Se agora o descaso com a saúde é mental, é do tempo de descanso, esse descaso tem sido especialmente intenso no que toca à pandemia. No início da mesma houve contaminação em massa nas plataformas. Em ambiente fechado, com pressão atmosférica negativa, dividindo cabines, as plataformas se tornaram um dos maiores focos de COVID no país. Segundo estudo da FIOCRUZ há nexo causal de trabalhar em plataforma e pegar COVID, a incidência do vírus nos trabalhadores embarcados é duas vezes a da média do país, que já é uma das maiores do mundo, ou seja, provavelmente não há lugar no mundo com mais COVID do que nas plataformas da Petrobras.

Apesar disso não há explicação alguma para o fechamento das academias a não ser impor sofrimento mental aos trabalhadores embarcados, querer impor que não façam nada a não ser trabalhar enquanto estiverem sob o olhar do patrão e seus chefetes. Antes de embarcar os trabalhadores são submetidos a confinamento em quarto de hotel por vários dias e submetidos a testagem obrigatória e somente a partir de negativo embarcam. Se foram testados antes de embarcar porque proibir as academias, que ainda mais seguiam rigoroso protocolo de número de pessoas presentes, higienização?

Trata-se de pura arbitrariedade para mostrar quem manda, impor sofrimento, e não nenhuma preocupação com saúde e higiene ocupacional, se não fosse assim como explicar os helicópteros lotados para embarcar, desrespeitando até mesmo protocolos de distanciamento social da ANVISA para transporte aéreo? A imposição de cada vez piores condições aos trabalhadores embarcados, achatamento de salários e direitos de todos, especialmente de terceirizados, são parte constitutiva de como a empresa degrada a situação de saúde mental dos trabalhadores, e isso não é possível de isolar de situações extremas como o trágico suicídio de terceirizado em confinamento pré-embarque.

Esse confinamento obrigatório pré-embarque sequestra dias das folgas dos trabalhadores e conta com sofrimento não somente do isolamento, mas inclusive da baixa qualidade e quantidade dos alimentos fornecidos aos trabalhadores trancados em seus quartos, segundo numerosas denúncias.

A única explicação para a medida arbitrária de fechamento das academias é da empresa querer mostrar aos petroleiros embarcados que eles não tem direitos, precisam aceitar calados maiores sofrimentos, maior exploração. Com a chantagem de perda de vagas com excedente de pessoal oriundo das criminosas privatizações em curso cada trabalhador embarcado trabalha sob stress que se ele não aumentar a produtividade – para engordar Wall Street – ele será substituído.

A estratégia da empresa é de divisão, cada um se preocupar com o ataque específico que sofre, como o aumento da jornada, demissões de terceirizados, privatizações. Os sindicatos petroleiros tem se adaptado a esse jogo de divisão, tratando somente dos ataques que acontecem em sua base, e tentando tratar cada unidade isoladamente, fechando os olhos ao que acontece nas outras bases sejam elas do mesmo sindicato e nem falar de outros sindicatos e federações. Essa divisão atinge até mesmo o silêncio frente a ataque antissindical para abrir caminho à privatização, como as perseguições políticas que estão acontecendo na REGAP em Minas Gerais. Não será possível enfrentar tantos ataques isoladamente e nem confiando que serão políticos deste regime, juízes que vão parar as privatizações como acontece nas campanhas “Petrobras Fica”. É preciso coordenar os trabalhadores em todo país, exigir que aconteçam assembleias e que em todas elas seja pautado um plano nacional unificado de luta que dê conta de cada ataque específico, como esse ataque à saúde física e mental nas plataformas e tenha como centro combater as perseguições políticas na empresa e em especial onde mais estão acontecendo, na REGAP, e lutar contra todas privatizações.




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