Política

CORRUPÇÃO

Picciani, que lucra com as Olímpiadas, no Ministério dos Esportes

Carlos Neira

RIO DE JANEIRO

domingo 15 de maio de 2016| Edição do dia

Logo após Dilma ser afastada do cargo, o governo Temer assume chamando a não pensar na crise, trabalhar e aceitar os ajustes em nome da Constituição. No suposto caminho do combate à corrupção revelou-se que só foi combatido um esquema de corrupção para instaurar outro.

Não foi preciso muito tempo para que isto ficasse claro, foram suspensas as investigações sobre Aécio, também sobre a Odebrecht e foram nomeados vários ministros investigados ou citados na Lava Jato. Com o governo Temer e o sucesso do golpe institucional o combate à corrupção parece ter tirado férias por tempo indefinido.

E é que nesta quinta-feira, oficializou-se a nomeação de Leonardo Picciani (PMDB-RJ) para encabeçar a pasta do Ministério dos Esportes. E como sabemos, o que acontece nos ires e vires da atual situação política brasileira, não acontece por acaso, mas é motivado por grandes interesses econômicos e políticos, não é de estranhar, então, que o até pouco tempo defensor e opositor à abertura do processo de impeachment da Dilma assuma agora a pasta do esporte a 3 meses do começo dos jogos Olímpicos na cidade do Rio. A Agrobilara, empresa propriedade da família de Leonardo Picciani é a principal fornecedora de brita nas obras das Olimpíadas, sendo o Parque Olímpico da Barra da Tijuca e a Transolímpica as principais obras nas que a empresa forneceu o material.

O pemedebista nega existência de conflito de interesses: "O Ministério do Esporte não contrata obras. As obras para as Olimpíadas já estão concluídas e foram gerenciadas pelo Comitê Olímpico Internacional, Comitê Olímpico do Brasil e pela Prefeitura do Rio" afirmaram seus assessores. Mesmo que isto seja certo, e as obras das Olimpíadas estejam prontas e não precisem mais do fornecimento de brita da Agrobilara, controlar tanto a oferta como a demanda abre amplas possibilidades para novos esquemas de corrupção dos pemedebistas em pleno ano olímpico.

Sobre a rápida e deslavada virada de casaco de Picciani, ele afirmou que “Meu voto no impeachment foi calcado no meu entendimento jurídico na comissão. No entanto, fui voto vencido. A matéria avançou e eu pertenço ao PMDB, filiado desde os meus 16 anos. No momento em que o PMDB tem essa tarefa com o país, tenho de me somar aos meus companheiros do partido, de modo que o sucesso do governo do presidente Temer possa ser o sucesso do país”. Veremos como avança a situação com o esporte e os interesses econômicos ao redor dos megaeventos, e muito possivelmente escutaremos novamente o nome da Agrobilara em outros esquemas de corrupção que o PMDB é ja o campeão indiscutido no Brasil.

Nesse sentido outro nome já aparece no governo golpista de Temer para garantir mais bons negócios para políticos e empresários corruptos. O cacique históricos dos pemedebistas no Rio de Janeiro, ex-governador e ex-deputado federal, Moreira Franco foi nomeado por Temer para dirigir a nova Secretaria Executiva na frente do novo “Programa de Parceria de Investimento” (PPI). Mais um fortalecimento dos negócios do PMDB, com Moreira Franco decidindo quem superfaturará com as futuras concessões de obras de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. O novo encarregado do marketing de negócios do Brasil afirmou que encerrará o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Programa de Investimento em Logística (PIL) e que diminuirá também o papel das agencias reguladoras no desenvolvimento das futuras concessões em infraestrutura.

Também na passada sexta-feira 14 de maio, revelou-se em delação premiada pelo Supremo Tribunal Federal por executivos da Andrade Gutierrez que o ex-governador e claro, também pemedebista, Sérgio Cabral cobrava 5% acima dos contratos de obras no Estado do Rio de Janeiro e que a empresa pagou também uma propina de R$350mil por mês em nome de "futuras oportunidades".

É isso que se abre para o PMDB com o governo Temer; novas oportunidades. Novas oportunidades de aumentar os lucros de suas empresas, de controlar a oferta e a demanda, via expressa para super-faturamentos e esquemas de corrupção. O estilo característico do fazer política do PMDB, fortalecer a relação entre o poder público e as empresas parceiras ou de sua propriedade. Mais que um novo esquema de corrupção o que vemos é o fortalecimento dos esquemas de corrupção que são o pilar estrutural da política do PMDB, espelho de um regime de uma “democracia do suborno”.

Nunca se tratou para as elites de combater a corrupção mas de impor um novo governo de ajustes mais duros e rápidos, nem que fosse às custas de montar e expandir outros esquemas de corrupção. Lucros bilionários por um lado e ataques, desemprego e precarização no outro. Por isso é preciso lutar contra o governo golpista de Temer, para enfrentar os cortes, e que a crise a paguem eles, os empresários.




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