Política

EXTREMA DIREITA

Piada: novo presidente da Funarte declara que “rock leva ao aborto e ao satanismo”

O músico e youtuber da direita, seguidor fiel de Olavo de Carvalho e Bolsonaro, Dante Mantovani, foi anunciado na semana passada como o novo presidente da Funarte. Seguindo os delírios de seus “mestres”, já deu várias declarações lunáticas e obscurantistas, a serviço de uma concepção contrária à liberdade artística. Veja nesta matéria sua trajetória.

segunda-feira 2 de dezembro| Edição do dia

ante Mantovani é youtuber em um canal com pouco mais de 6 mil inscritos no qual costuma falar sobre música erudita e espalhar teorias da conspiração dos mais variados tipos. Foi aluno de Olavo de Carvalho, guru da extrema direita, e, em 2013, defendeu sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) com o título de "O ensaio como procedimento para construção de sentidos textuais". Nos agradecimentos, cita Olavo, "cujas aulas, livros e artigos me resgataram de um mar de dúvidas que pareciam insolúveis e me propiciaram a clareza mental e a coragem necessárias para finalizar este trabalho".

Uma de suas teorias é de que comunistas infiltrados na CIA foram responsáveis por distribuir LSD para jovens em Woodstock, com o objetivo de destruir a família, vista como "base" do capitalismo.

Além disso, segundo ele, "existe toda uma infiltração de serviços de inteligência dentro da indústria fonográfica norte-americana que, se não levarmos em conta, não vamos entender nada. A União Soviética mandou agentes infiltrados para os Estados Unidos para realizar experimentos com certos discos realizados para crianças. Esses agentes iam, se infiltravam e iam mudando, inserindo certos elementos para fazer engenharia social com crianças. Daí passaram para música para adolescentes", citando como exemplo o surgimento de Elvis Presley na década de 1950. Também diz que os Beatles "colocaram em prática as ideias da Escola de Frankfurt" , querendo destruir a cultura ocidental.

Mas nada supera a ganhadora fala obscurantista e misógina: “o rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo.” Essa frase não somente foi dita no país recordista em mortes por abortos clandestinos, como dá pistas da concepção de arte escolhida para representar o governo Bolsonaro.

Em outro vídeo, de dezembro de 2016, Mantovani critica o repertório musical da abertura das Olimpíadas do Rio e defende que "a verdadeira cultura" do Brasil é a música clássica de Heitor Villa-Lobos. "Como apresentam numa abertura de Olimpiada aquelas aberrações sonoras que eu não tenho nem coragem de chamar de música!", afirma.

Na semana do massacre em Paraisópolis, esse teor elitista e repressor dos governantes que querem taxar a “verdadeira cultura” em contraposição a “aberrações sonoras”, de fundo, também servem a justificar a repressão às manifestações da juventude e à cultura popular.

Como se não bastasse, assim como o mentor Olavo, o maestro também oferece um curso online, o "Seminário de Música". Segundo o site do curso, o intuito é fornecer "vasta carga de conhecimentos musicais e dar-lhes uma formação superior, independente de instituições de ensino formal". Entre as disciplinas na grade, estão estão "Leitura de partituras", "técnicas de regência" e "Música e Marxismo".

Mantovani é ainda produtor do curta-metragem amador "Deus acima de todos", sobre a eleição de Jair Bolsonaro. O filme narra em tons dramáticos a corrida presidencial com depoimentos de apoiadores do político — entre eles, nomes como a deputada Joice Hasselmann, agora um dos desafetos do presidente. Ele também faz parte da organização da Cúpula Conservadora das Américas — assim como Katiane de Fátima Gouvêa, nomeada na quarta-feira secretária do Audiovisual.

Como era de se esperar, Dante se mostrou alinhado a seu futuro chefe, ao compartilhar, no último domingo, uma notícia sobre uma discussão da qual o secretário participou. "Este é o tom com o qual se deve falar com esquerdistas e comuno-globalistas; aprendam a lição com o mestre Roberto Alvim!".

Essa longa trajetória direitista, repleta de falsificações em combate ao “marxismo” e ao “comunismo”, confirma que sob o governo Bolsonaro, não há dúvidas de que a arte seguirá na mira dos ataques - econômicos e ideológicos.




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