Política

CRISE NO RIO DE JANEIRO

Pezão teme "crise social como nunca vista em nenhum outro estado" e quer rifar o Rio

Em Brasília, o governador do PMDB se desespera com os adiamentos da votação do pacote de resgate aos estados, mesmo tendo aprovado a venda da CEDAE na Assembleia Legislativa. Ele diz temer uma crise social sem precedentes no Rio.

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 11 de abril| Edição do dia

O cinismo de Pezão continua inabalável, apesar da instabilidade de seu governo. Uma semana depois de conceder uma isenção de R$ 650 milhões para a empresa com a maior dívida ativa com o estado do Rio, a Ambev, o governador tenta expressar na mídia sua "grande preocupação" com o estado.

Nessa segunda-feira, 10, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), voltou a adiar a votação do pacote de resgate dos estados acordado entre os governadores de Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Temer. Com o quórum de 396 deputados na segunda, Maia afirmou que só colocar o tema em votação com um mínimo de 430 parlamentares.

A prorrogação é mais um sinal de fraqueza do governo Temer, bem como do PMDB carioca, para emplacar o mal chamado "resgate" dos estados. No final de 2016, Temer sofreu a primeira derrota para aprovar a medida. As contrapartidas exigidas, como a privatização de empresas públicas, começou a ser aplicada no Rio, com a privatização da CEDAE sendo aprovada pelos deputados da ALERJ.

Isso, no entanto, não foi o suficiente, e um novo revés para a aprovação do pacote ocorreu no dia em que estava prevista sua votação, com a prisão de cinco membros do TCE carioca e a condução coercitiva do presidente da ALERJ, o deputado Jorge Picciani, para depor à Polícia Federal.

Agora, a conquista de uma maioria parece cada dia mais difícil, e Maia afirmou "Tem que ter uma solução. O que a gente não pode é ficar postergando uma decisão. Nossa obrigação é votar esta semana e encerrar este assunto, se possível com resultado positivo”, expressando que pode levar à votação o pacote mesmo com o risco de ser derrotado.

Pezão, por sua vez, declarou: "É muito difícil nós sobrevivermos sem a votação do projeto. Se não aprovarmos o Plano neste mês de abril, nossa situação fica insustentável. Haverá uma crise social como nunca vista em nenhum outro estado. O Rio de Janeiro não sobrevive sem a aprovação desse projeto, ou outra saída que a União possa nos dar através do Tesouro nacional, o que é difícil. Estamos dispostos a dar as contrapartidas. Não tenho plano B".

Ou seja, para o governador que concede isenções fiscais milionárias aos capitalistas em plena crise, se trata de, sim ou sim, atacar os direitos dos trabalhadores, sob o risco de ver o estado falir. Tudo para garantir os lucros dos patrões.

Nós, por outro lado, não podemos ver o nosso destino ser votado por um punhado de parasitar privilegiados em Brasília e na ALERJ e esperar venderem o patrimônio do Estado a empresas sedentas de lucros, e passarem por cima de nossos direitos. O governo de Pezão capenga, e Picciani se afastou da presidência da ALERJ. Mas os ataques seguirão, com esses ou com outros políticos à sua frente.

Precisamos lutar em cada local de trabalho e estudo, construindo assembleias de base e organizando os trabalhadores, os estudantes, exigir das centrais sindicais como CUT e CTB, dos parlamentares do PSOL, que organizem a luta do dia 28 para avançarmos com uma greve geral capaz de derrotar os ataques. Somente atacando o lucro, fazendo com que os capitalistas paguem pela crise, seremos capazes de salvar nossos direitos.




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