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Inflação | Petroleiros da Noruega iniciam greve por salário em uma posição estratégica

A inflação e o aumento de preços está provocando greves por salário em vários países da Europa. No caso da greve petroleira na Noruega, que começou ontem, trata-se de um lugar estratégico que disparou todos os alarmes dos governos europeus, que já vinham aumentam os preços da energia por conta da guerra na Ucrânia.

quarta-feira 6 de julho | Edição do dia

A Europa está começando a ver uma onda de greves pelo aumento dos salários no marco da alta inflação. Trabalhadores ferroviários, aeronáuticos, da saúde ou servidores públicos e professores saíram às ruas ou iniciaram greves nas últimas semanas.

Nestes últimos dias, enquanto a Grã Bretanha está votando a possibilidade de começar uma greve de trabalhadores dos correios e também de ferroviários, na França começa nesta quarta-feira uma greve de ferroviários. Nos últimos dias foram os aeronáuticos nesse país e no Estado espanhol, e também dos petroleiros da empresa Total.

Nesta terça-feira, se somaram à onda de greves os trabalhadores da indústria do petróleo e gás da Noruega, começando uma paralisação nas plataformas do Mar do Norte para exigir um aumento de salários que pode ter repercussão em toda a região, empurrando ainda mais para cima os preços dos combustíveis e da energia, que aumentaram em valores recordes por conta da guerra na Ucrânia.

Os trabalhadores que fazem parte do sindicato Lederne exigem um aumento que compense o aumento da inflação.

Equino, a companhia estatal norueguesa de petróleo, já começou o fechamento dos campos de Grudun, Oseberg South e Oseberg East, locallizados no Mar do Norte. Nas próximas horas se espera que ocorra o mesmo nos campos de Kristin, Heidrun, Aasta Hansteen e Tyrihans.

A paralisação pode provocar uma redução de 89 mil barris equivalente de petróleo (BEP) nesta terça-feira, dos quais 27,5 mil são de gás. Nessa quarta-feira, a quantia pode chegar a 292 mil BEP, o que representa 13% da produção total do país nórdico.

Na quinta-feira passada, os membros do sindicato Lederne votaram contra o acordo salarial que havia sido negociado pelas empresas e os principais sindicatos do setor, que era menor do que o reivindicado pelos trabalhadores.

Mesmo que Lederne seja um sindicato menor entre os que organizam petroleiros, a posição estratégica ocupada por uma centena de trabalhadores deste sindicato disparou todos os alarmes na Europa. Estes trabalhadores têm a capacidade de conseguir reduzir as exportações de gás na Noruega em 56%, considerando que o país é o segundo maior provedor de energia da Europa, apenas depois da Rússia. A demanda tem aumentado ainda mais diante da situação do gasoduto russo, nord Stream 1, que fechará a partir de 11 de julho durante 10 dias.

O diário britânico do establischment econômico Financial Times expressava com este nível de desespero: "Equinos da Noruega está fechando temporariamente três depósitos de petróleo e gás, depois que os trabalhadores declararam greve, intensificando os problemas regionais de fornecimento e empurrando os preços europeus de gás ao maior patamar nos últimos quatro meses".

Esta situação de greves em posições estratégicas se repete em vários países, com imagens de cidades paralisadas pela paralisação de trens e metrôs na Grã Bretanha ou aeroportos colapsados pela greve de aeronáuticos na Espanha e França.

Há meses que se escuta em muitos países a demanda "tudo sobe, menos os salários". E apesar de que as principais direções sindicais têm evitado fazer convocatórias unitárias ou mesmo chamar uma greve geral diante da evidente deterioração dos salários, na maioria dos casos a pressão vem de baixo e tem sido cada vez mais difícil de conter. Depois de uma semana intensas de ações locais, as direções sindicais dos trabalhadores ferroviários na França foram obrigados a convocar uma greve unificada do setor para esta quarta-feira. Um triunfo em suas reivindicações poderia inspirar outros setores a saírem da passividade e das ações isoladas que até agora vem debilitando o movimento.




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