ENTREVISTA

Petroleiro da Fafen fala da greve contra as demissões direto do acampamento na sede da Petrobras

Direto do acampamento na porta do Edifício Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, o Esquerda Diário entrevistou petroleiros da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) do Paraná.

quinta-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Esquerda Diário: Você poderia nos contar um pouco como está a ocupação na frente da Fafen e a greve dos petroleiros?

Petroleiro: Então, nossa ocupação lá na Fafen-Pr começou no dia 20 de janeiro, foram 6 dias após o anuncio da Petrobras na mídia, que a Fafen seria fechada, seriam encerradas as atividades com a demissão dos funcionários, então a partir do dia 20 de janeiro nós ocupamos a frente da fábrica e começamos a fazer um acampamento, um ato ali, começou a juntar trabalhadores, ex-trabalhadores, aposentados, famílias, esposas, filhos, pais. Hoje nós estamos no 16° dia de acampamento, de guerra, de luta, de resistência e conseguimos ramificar uma parte do pessoal para estar acampado aqui em frente ao Edificio Sede da Petrobras (Edise) no RJ a partir dessa segunda feira, conseguimos vir em uma turma de 20 pessoas de lá e montamos uma estrutura aqui e estamos fazendo a resistência 24h por dia.

ED: A Fafen-Pr tem trabalhadores terceirizados e efetivos, e é uma luta pelo emprego de todos. Como está sendo este processo de luta?

Petroleiro: Nós somos em aproximadamente 400 funcionários diretos e 600 terceirizados. A nossa briga, a nossa luta, é pra que todos saiam vitoriosos, nossa luta inicial é que a Fafen-Pr não encerre suas atividades, não estamos buscando transferência, dinheiro, indenização não, a nossa luta é para que aquela fábrica continue operando, então a gente pede que Petrobras reveja alguns conceitos, mude a politica de preço da matéria prima que ela mesmo fornece, ou seja a própria Petrobras está inviabilizando o custo para si mesma, então essa decisão do fechamento da Fafen-Pr foi uma decisão política, não foi uma decisão por conta de algum prejuízo.

Esse prejuízo que eles alegam que esse ano daria 400 milhões, foi um prejuízo fabricado pela empresa com o intuito de fechar, eles precisavam de alguma justificativa para a sociedade, que tinha que fechar, mas a gente sabe o lado real da história, que a matéria prima subiu muito de preço quando foi atrelada ao preço internacional do barril do petróleo, ai ficou inviável pra venda do produto acabado.

Então o que nós buscamos com esse ato, com esse movimento é que possa haver alguma alternativa que mantenha o funcionamento daquela fábrica e assim o emprego dessas mil famílias, se colocarmos uma média de 4 pessoas por família, são pelo menos 4 mil pessoas atingidas diretamente, fora comercio local, fornecedores de produtos, bens e serviços, arrecadação da prefeitura. O impacto é muito maior do que o anunciado pela empresa, por isso que a gente luta para mantermos nossos empregos e nossa dignidade.

ED: Saiu no TST uma decisão determinando que 90% do efetivo da Petrobras siga trabalhando durante a greve, como isso caiu na categoria?

Petroleiro: Na verdade saiu essa decisão né, porém nem federação e nem sindicato foram comunicados formalmente dessa decisão. Então a greve está mantida, o movimento está mantido até segunda ordem, a intenção nossa é continuar a luta e ver até onde a gente consegue avançar. Essa nossa greve ela ta muito bem embasada, foi julgado que a greve é legal porém tem que manter 90% do efetivo, eu acho abusiva essa decisão mas essa é uma outra questão, mas assim, não se pode julgar nossa greve ilegal porque ela está baseada no nosso acordo coletivo onde tem uma clausula que diz que nenhum trabalhador poderá ser demitido, não poderá haver demissão em massa sem negociação previa com as entidades sindicais, o que na verdade não houve, nunca houve um contato prévio, nem avisado olha vamos encerrar as atividades, o que houve foi a nota da imprensa sobre o fechamento da fabrica e a demissão dos funcionários, ou seja desrespeitando a clausula 26 do nosso acordo coletivo onde diz que não poderá existir demissão em massa sem negociação previa com os sindicatos. Nossa greve é legal justamente pelo descumprimento do acordo.

ED: Para privatizar a Petrobras, a imprensa e o governo tem jogado com a opinião pública dizendo que por ser estatal, os combustíveis por ela produzidos são mais caros. Como é a resposta dos petroleiros à isto?

Petroleiro: Então, na verdade o que acontece, a Petrobras tem a politica de preço que foi mudada na gestão do Pedro Parente pra cá, que foi o valor de venda do combustível atrelado ao preço internacional do petróleo, ou seja, é uma coisa que não da pra entender, porque nós somos autossuficientes em petróleo e a nossa gasolina não precisa acompanhar o mercado internacional, mas por politicas de governo implantou-se.

Então o que acontece, foi subindo o preço da gasolina, do gás de cozinha e do diesel. Então estão sendo feitos alguns atos por nossos companheiros, como a venda de combustíveis com a redução de preços sem o valor de impostos e hoje foi feito também em Araucária com o gás de cozinha. A venda é feita pelo valor do botijão tirando todos os impostos, pra mostrar pra população a importância em primeiro lugar de ter uma empresa estatal fornecendo a energia, garantindo nossa soberania e pra mostrar também que se o governo quiser, tem como baixar o preço do gás de cozinha, tem como baixar o preço do combustível e tem como a Petrobras que é uma empresa pública voltar ser uma empresa do povo e a serviço do povo, e ainda gerando lucro.




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