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Petrobras venderá sua fatia na Braskem

sexta-feira 15 de janeiro de 2016| Edição do dia

A Petrobras deve iniciar nos próximos 15 dias o processo formal da venda de sua participação na Braskem, controlada pela estatal em conjunto com a Odebrecht, segundo fontes citadas em diversos grandes jornais. O negócio teria sido decidido no ano passado mas esbarrava, segundo estes jornais, em duas questões para deslanchar e dar um passo importante na abertura de um setor estratégico da economia nacional ao capital imperialista.

Em primeiro lugar, havia um impasse entre Braskem e Petrobras em relação ao novo contrato de longo prazo para o fornecimento de nafta, matéria-prima da petroquímica, Petrobras seguirá subsidiando a empresa controlada pela Odebrecht vendendo este produto com preço abaixo do mercado. Essa questão foi resolvida no final de dezembro. Além disso, o complexo em construção pela Braskem com a parceria da Idesa, no México, previsto para 2015, entrou em fase de testes e deve iniciar operações comerciais no decorrer das próximas semanas.

A cifra que a Petrobras deve embolsar com a venda de sua fatia de 36% ainda não está fechada, mas, segundo fontes, deve corresponder ao valor de mercado mais um prêmio de controle, que dependerá do processo de concorrência. Quando a venda foi decidida, falava-se no mercado em um prêmio de 30%.

De lá para cá, porém, as ações da Braskem, até então sob o impacto dos desdobramentos das investigações da Polícia Federal na Operação Lava Jato, se recuperaram. Hoje, a fatia da Petrobras na Braskem é de a R$ 5,4 bilhões. Naquele momento, essa participação estava avaliada em R$ 2,8 bilhões.

Embora ainda não tenha oficializado a negociação de sua fatia na Braskem, a Petrobras já teria recebido manifestação de interessados, tanto de empresas do segmento como de investidores no País e no exterior. Mas não há prazo para que um eventual negócio seja fechado.

A candidata natural a assumir a participação da estatal seria a sócia Odebrecht, que tem 38% da Braskem, mas o conglomerado enfrenta um momento particular desde a prisão de Marcelo Odebrecht e, por isso, não deve fazer uma oferta pela fatia.

Procuradas, Braskem e Petrobras não se posicionaram sobre o assunto. A Odebrecht disse que tomou conhecimento sobre a intenção da Petrobras pela imprensa, e salientou que vai "acompanhar o desdobramento do assunto".

Muito dinheiro da Petrobras e do BNDES para formar um “gigante nacional” para agora entregar ao imperialismo

A petroquímica Braskem controlada pela família Odebrecht era a maior do país, porém concorria com duas outras grandes empresas. A Petrobras e o BNDES entrando com capital ajudaram a fundir todas as empresas em um só conglomerado, um “campeão nacional” (e monopolista). O auxílio de Lula e Dilma a formação deste monopólio se deu na consolidação da empresa e diariamente, com o subsidio à nafta. Feito este “favor” à Odebrecht, tendo consumido bilhões em um negócio escuso, agora a Petrobras sob mando de Dilma se livrará, a preço de banana de sua fatia, entregando 36% da única empresa de petroquímica no país ao imperialismo. Desta fatia para o controle total será um passo com as complicações da Odebrecht na Lava Jato.

As ilusões gradualistas de melhorias ano a ano, de mais e mais controle do Estado nacional, estão ruindo dia-a-dia sob a ação consciente de Dilma e do PT que não só descarregam as contas do ajuste nas costas dos trabalhadores como se desvincilham de todos aspectos discursivos nacionalistas que marcaram suas campanhas na última década.

Agência Estado / Esquerda Diário




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