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ENTREGUISMO

Petrobras vende campos terrestres, a preço de banana, para empresas imperialistas

A Petrobras vem sofrendo um processo de privatização que embora seja espaçado no tempo e gradual, conduz a entrega de um recursos valiosos nas mãos da iniciativa privada. Hoje (28), no Espírito Santo, mais um setor foi vendido para as empresas Karavan e Seacrest Capital, trata-se de 27 campos terrestres de exploração e produção, chamados de Polo Cricaré.

sábado 29 de agosto| Edição do dia

Desta vez, as empresas Karavan e Seacrest Capital se apoderaram do Polo Cricaré por US$115 milhões. Os campos têm capacidade diária de produzir 1.700 barris e 14 mil metros cúbicos de gás. Os campos terrestres são alvos da diretoria da Petrobras para serem entregues à iniciativa privada e deixar para trás milhares de desempregados.

Segundo a estatal, se trata de uma medida que visa a “otimização do portfólio” e melhor alocação do capital da estatal no pré-sal. Uma completa mentira, já que anteriormente poços em águas profundas foram vendidos por preços irrisórios se comparados com sua capacidade produtiva.

Leia mais: É verdade que não dá pra barrar a privatização de todas unidades da Petrobras na Bahia e no restante do país?

Outras privatizações devastadoras vêm ocorrendo, como na Bahia, onde a companhia estatal está prestes a ser extinta. Ao todo de 16% da capacidade de refino do país foram entregues à capitalistas somente com esta venda. Como parte da tradição entreguista, se não bastasse a entrega de recursos estratégicos para imperialistas, os preços das vendas de partes da Petrobras são ridiculamente absurdos, o que mostra a afinidade entre Guedes, Petrobras e seus colegas de classe.

As privatizações escapam a qualquer lógica que não uma de explícito favorecimento dos compradores. Menos de duas semanas atrás, 3 plataformas da Bacia de Campos (RJ) foram vendidas por R$7,5 milhões, valor igual a 1 dia de sua produção. Poucas semanas atrás o campo de Baúna, do pós-sal da Bacia de Santos, produtor de 19mil barris/dia, de boa qualidade (grau API 33), foi entregue a empresa australiana com 75% off.

Leandro Lanfredi, petroleiro que participou ativamente das greves no início deste ano, desmascara ainda mais a política neoliberal, como se a “concorrência” fosse positiva a população pobre e trabalhadora que seria ainda mais impactada pelas flutuações dos preços de derivados do petróleo. Não só, a matéria citada aponta:

“A Petrobras Biocombustíveis, responsável sozinha por 5,5% do mercado nacional que é, o terceiro maior do mundo para se somar a outras já entregues como a Petrobras Distribuidora, maior empresa de distribuição de combustíveis do país, com um faturamento anual estimado de R$100 bilhões, um lucro anual em 2018 de R$3,2 bilhões e vendida por R$9,6 bilhões. Ou seja, rifou-se uma riqueza nacional por uma valor equivalente ao lucro de três anos.”

Diante deste avanço das privatizações esperava-se uma luta contundente das organizações políticas e sindicais da classe trabalhadora, contudo o papel que a cúpula petista exerce é o oposto. Embora ocorram diversas ações judiciais e algumas parlamentares, o que prima é a conciliação de classes. Como afirma o artigo de petroleiro citado acima:

“A depender da cúpula petista tudo está orientado para conciliar com as forças golpistas, para tentar revigorar uma frente com PMDB, PP, PSD, DEM e qualquer outro reacionarismo de plantão para oferecer uma alternativa de governo, mas não uma alternativa a este projeto de país em curso, o que exige tornar os ataques ao petróleo nacional uma causa nacional e exige métodos que não aqueles da negociata com Maia, mas da luta de classes, mobilizações, assembleias, greves, o que for possível conforme as condições sanitárias e políticas na categoria, e uma resposta política independente de todo esse sistema golpista e pró-imperialista.”

A saída para que não sejam os petroleiros e toda classe trabalhadora brasileira a pagarem pela crise capitalista passa por retomar lições da greve de fevereiro, como aponta o artigo citado:

“Será que uma categoria que cruzou os braços de norte a sul do país em fevereiro deste ano em defesa da FAFEN-PR não poderia encontrar um caminho de organização para se enfrentar com tantos ataques e privatizações ainda maiores? (...) Para que nossa luta entusiasme outras categorias, os desempregados, os precários é preciso em primeiro lugar confiar na força da organização democrática e pela base, na luta de classes. Não se conquista por conchavo o que precisa ser arrancado pela luta.

Para conquistar apoio é preciso multiplicar as denúncias de cada barbariedade em curso – e abrimos o espaço deste Esquerda Diário para denúncias assinadas ou anônimas – e mostrar que o programa que defendemos da resposta para que as imensas riquezas nacionais do petróleo sirvam ao povo brasileiro e não à corrupção nacional ou imperialista, o que passa pela defesa de que todo petróleo e cadeia de refino e logística dos derivados sejam 100% estatais da Petrobras e administrados democraticamente pelos trabalhadores. Em nossas mãos garantiríamos não somente absoluta transparência em cada transação, racionalidade nas decisões, segurança operacional e que os recursos serviriam aos interesses de todo povo garantindo combustíveis baratos e que os lucros servissem à saúde, moradia e tantas obras públicas necessárias ao combate à pandemia e contra as miseráveis condições de vida no país.




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