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Petrobrás quer 10 mil pessoas permanentemente em home office para proteger lucros, não vidas

Para os trabalhadores operacionais efetivos os testes são por amostragem, os riscos e a exposição a COVID permanentes. Para os terceirizados operacionais não há teste nenhum. E com toda demagogia a empresa anuncia “proteger vidas” colocando 10mil administrativos permanentemente em home office. A intenção é proteger lucros e não vidas.

quinta-feira 18 de junho| Edição do dia

A Petrobras anunciou à imprensa que quer manter mais de 10 mil pessoas, metade de seus funcionários administrativos, em home office permanente, sem qualquer negociação coletiva, e sem qualquer plano. A medida é exclusivamente para aumentar seus lucros, e não para proteger vidas como fala sua propaganda mentirosa. A empresa declarou essa intenção à agência Reuters, sendo uma das grandes demonstrações de como os capitalistas se aproveitam da pandemia para reestruturar as relações de trabalho. Querem cortar custos, estender jornadas e impor uma divisão brutal na categoria, isolando uma parte relevante dela em suas casas.

Segundo a Petrobras, com a situação imposta pela pandemia, a experiência do trabalho em home office (em casa) demonstrou “produtividade” (maior exploração leia-se) e possibilidade de redução de custos com escritório, transporte, ao setor administrativo, devendo agora ser adotada permanentemente. Essa medida é parte do projeto hoje representado pelo presidente Castello Branco, que já foi responsável pela demissão dos trabalhadores da FAFEN-PR, querendo redução de custos e demissões para aumentar lucros. O modelo do home office permanente e seu prazo de implementação ainda estão em avaliação, informa a empresa. Algo está claro, quer fazer isso sem nenhuma negociação, escolhendo como e quando fazer e impondo isso a mais de 10mil pessoas, como já tentou fazer no início da pandemia quando tentou cortar 25% de salários.

Enquanto issso, a Petrobras vem demonstrando completo descaso com os trabalhadores desde o início da pandemia. A empresa petrolífera já tentou antes reduzir o salário dos 21 mil trabalhadores do administrativo e quando se trata dos setores essenciais obrigados a seguir trabalhando nas plataformas, terminais e refinarias, têm enfrentado a sonegação de dados dos casos de contaminação entre efetivos e terceirizados, mesmo após pedido dos sindicatos.

A Petrobras também tem optado por testes de COVID-10 por amostragem, ou seja, não massivos a todos os expostos. Dessa maneira, torna mais difícil a liberação de possíveis contaminados e a proteção dos trabalhadores, para os terceirizados operacionais, em sua maioria negros nem isso é feito. Estão nem aí com as vidas, sobretudo dos mais precários, e mostram a cara racista da empresa símbolo do país.

Isso é uma demonstração cabal de que a nova medida de home office permanente anunciada não diz respeito às preocupação com as vidas dos trabalhadores, e sim com os lucros dos acionistas da Bovespa e Wall Street.

No marco de um governo negacionista, apoiado por militares e empresários que querem o sucateamento da empresa para avançar com seus planos privatistas e entreguistas, contra os quais nenhuma ala do regime político se contrapõe, é necessário ver que a Petrobras leva adiante seu projeto de barateamento dos custos em detrimento da vida e das condições de trabalho dos efetivos e terceirizados da empresa. Uma Petrobras 100% estatal administrada democraticamente pelos trabalhadores pode colocar a vida acima dos lucros, algo bem diferente que faz a direção atual da empresa.




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