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PRIVATIZAÇÃO

Petrobrás privatiza no atacado: 4 refinarias e a Liquigás estão sendo entregues na encolha

Com pouca ou nenhuma divulgação na imprensa, o processo de privatização da maior estatal do país segue acelerado.

segunda-feira 25 de novembro| Edição do dia

A Petrobrás já assinou o contrato para venda da Liquigás e prepara a entrega de 4 grandes refinarias para a iniciativa privada. Com pouca ou nenhuma divulgação na imprensa, o processo de privatização da maior estatal do país segue acelerado. As informações constam no próprio site da estatal, o processo de privatização iniciou-se com Dilma, aprofundou-se com Temer e está acelerando à mil com Bolsonaro.

O entreguismo não tem limites. 2 refinarias estão no Nordeste e outras 2 no Sul do país. São elas, Abreu e Lima (RNEST) em Pernambuco, Landulpho Alves (RLAM) na Bahia, Presidente Getúlio Vargas (REPAR) no Paraná e Alberto Pasqualini (REFAP) no Rio Grande do Sul. Junto com as refinarias vai ser vendida toda a estrutura auxiliar, ou seja, o conjunto dos oleodutos e os terminais de armazenamento destas refinarias.

A venda das refinarias, construídas com o dinheiro público da estatal, promete dar muito lucro para os capitalistas que já lucram de inúmeras outras formas com a política adotada pela Petrobrás.

A RNEST, em Pernambuco, tem capacidade de processamento de 130 mil barris/ dia, ou 5% da capacidade nacional, podendo ser aumentado; a RLAM, na Bahia, tem a capacidade de 333 mil barris/dia, ou 14% da capacidade nacional; a REPAR, 208 mil barris/dia (9%) e a REFAP também tem esta mesma capacidade. Somando as 4, a capacidade total de produção de barris/dia seria de 35% da capacidade nacional.

O que assusta, ainda, é o modelo do leilão, que é baseado em um decreto de Temer, o estabelecido pelo regime especial de desinvestimento de ativos pelas sociedades de economia mista federais como descrito no Decreto 9.188/2017.

A escolha da Petrobrás foi então, de convidar os potenciais compradores. Ou seja, é um leilão "fechado" para os grandes capitalistas - os mesmos que aliás, se beneficiaram com toda a Lava Jato, com a descapitalização da Petrobrás e com o golpe.

O plano só pode ter um objetivo de acabar com a capacidade produtiva da Petrobrás, ficando a empresa como mera exploradora e deixando capitalistas estrangeiros com o ônus de vender os produtos refinados e lucrando muito mais - e deixando os produtos muito mais caros aos brasileiros. Este sempre foi o objetivo estratégico da direita golpista.

A Liquigás Distribuidora S.A engarrafa, distribui e vende o gás liquefeito de petróleo (GLP) - o gás que usamos na nossa cozinha, em carros, além de ser usado também na indústria, comércio, agricultura, etc, de diversas formas desenvolvidas pela empresa. Para se ter uma ideia da importância da empresa, a Liquigás possui 21,4% de participação no mercado e, depois de ter se tornado subsidiária da Petrobrás em 2012, virou liderança em vendas do botijão P-13, o gás de cozinha de 13 kg, que é o mais consumido Brasil afora.

Segundo consta em nota no site da Petrobrás S.A, o contrato para a entrega foi assinado em 19/11, e a gigante será entregue para a Copagaz e a Nacional Gás Butano pela bagatela de apenas R$ 3,7 bilhões de reais. Segundo a Petrobrás, para fechar a transação falta ainda passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Ou seja, a riqueza que deveria servir ao povo, pelo contrário, foi tornada uma empresa muito lucrativa às custas de altas tarifas dos governos federais, para serem valorizadas e aí sim, em seguida, serem privatizadas pela própria Petrobrás S.A. com aval dos "ultraliberais" Paulo Guedes e cia. Junto à eles, se unifica o ministro do TST, Ives Gandra, que decretou a ilegalidade da greve petroleira com uma liminar que multa os sindicatos em R$ 2 milhões por dia parado, perseguindo os trabalhadores da empresa em defesa da sua privatização. Esse "liberalismo" aliás, mostra novamente como os políticos da direita defensores do estado mínimo não passam de sangue-sugas do estado, da riqueza produzida pelo povo no âmbito do estado capitalista, expropriada para servir aos mais ricos desde seu princípio. Estas empresas deveriam ser controladas pelos trabalhadores e servir para a maioria da população, e não servir como cabide de cargos indicados por Bolsonaro e Paulo Guedes, sangue sugas que falam em "liberalismo" quando na realidade não produzem absolutamente nada e vivem de especulação com a riqueza produzida pelo trabalho dos outros.




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