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Petrobrás esconde número de terceirizados contaminado pela COVID-19 e entre efetivos já chega a mais de 500

O Ministério de Minas e Energia informou nesta segunda-feira (18) em seu boletim que, até domingo (17), 573 empregados efetivos da Petrobras testaram positivo para o COVID-19, do qual 330 já haviam se recuperado e 243 ainda se encontravam em quarentena.

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Os dados do ministério deixam de divulgar os números entre os terceirizados que trabalham para a estatal, afirmando que assim “os dados ficam mais precisos na apuração dentro do intervalo da publicação do boletim”, mostrando que para a empresa e para o Estado, a vida dos terceirizados não importa. Esse é só mais um elemento da prática constante da patronal para tentar dividir efetivos de terceirizados mesmo na pandemia. No último boletim divulgado em que contabilizavam os terceirizados, a soma dos infectados entre eles com os infectados entre trabalhadores efetivos da Petrobras era de cerca de 800 pessoas contaminadas.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também adotou a medida de não publicar o número de terceirizados contaminados, além de ter interrompido as publicações de boletins no último dia 13, que costumava publicar diariamente, um dia após a notificação da primeira morte entre os trabalhadores que acessaram plataformas offshore. Quando questionada, a agência não informou o motivo de ter interrompido seus informes.

A Petrobras também não informa quantos trabalhadores terceirizados estão infectados e o último número divulgado apontava 222 pessoas contaminadas entre seus empregados. A patronal tenta dividir os trabalhadores entre terceirizados e efetivos parecendo não lembrar que foram esses mesmos trabalhadores que fizeram uma greve nacional fortíssima em defesa também dos terceirizados, e é necessário que esses mesmo trabalhadores assumam a luta para a formação de comitês de higiene para garantir que os trabalhadores possam enfrentar a pandemia.

Com o aumento de casos na empresa, a Petrobras se viu obrigada a aumentar os cuidados em sua unidade, aplicando testagem rápida nos aeroportos que levam trabalhadores para as plataformas e passando a testar também em refinarias. A empresa passou a fornecer máscaras apenas para seus funcionários, não as fornecendo aos terceirizados.

No final de abril, um trabalhador terceirizado do TABG da Petrobras morreu com sintomas de COVID-19 e não foi testado, mesmo tendo tido contato com outros trabalhadores de seu setor.

É escandalosa a decisão da ANP e da Petrobras de esconderem o número de terceirizados contaminados pelo COVID-19, para além de negligenciarem os cuidados necessários não só aos efetivos como também aos terceirizados.
O descaso da empresa mostra a necessidade da organização de comitês de higiene, com membros eleitos democraticamente por unidades para decidirem o funcionamento em cada unidade e liberar todos e todas trabalhadoras que fazem parte dos grupos de risco. Os comitês também devem servir para avançar nos debates e na organização da base para lutar contra as demissões, pela reestatização das unidades que já foram vendidas, por uma Petrobrás 100% estatal e que se possa reconverter e controlar a produção para atender a população e o povo trabalhador para enfrentar a crise sanitária e garantir os empregos.




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