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Petismo aposta mais no STF golpista do que nos trabalhadores

A oposição ao governo Temer, composta também pelo petismo, anunciou que poderá questionar a PEC 241 (55) pela via do Supremo Tribunal Federal. A mesma instituição que atuou de forma central no golpe institucional, agora é usada pela oposição pacífica a Temer como uma via “possível”.

sexta-feira 11 de novembro| Edição do dia

O discurso é baseado na analise feita pelo advogado Ronaldo Jorge Araújo Vieira Júnior, da consultoria legislativa do Senado, sobre a PEC que limita o investimento nos gastos públicos à inflação do ano anterior. Levanta ao menos três pontos inconstitucionais dentro da proposta, com o principal de que não garante que as áreas de saúde e educação tenham uma projeção constante de investimento como previsto na constituição.

No discurso do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), mesmo não sendo do PT, expressa um sentimento comum a ambos partidos. Declarou que se a oposição perder a votação no senado pode entrar com uma “proposta de referendo” e “se necessário for” irão “até o Supremo Tribunal Federal para pedir a inconstitucionalidade dessa proposta de emenda constitucional”.

Em meio a uma série de ataques já anunciados pelo governo golpista, ou mesmo a reforma trabalhista que vem sendo paulatinamente aplicada pelo próprio STF de baixo dos panos, a oposição composta pelos petistas visa apostar na inconstitucionalidade, buscando “justiça” justamente pela via da instituição que foi ator fundamental do golpe institucional. Da mesma forma que durante o processo de impeachment o PT buscou atuar como uma oposição pacífica, sem impulsionar a luta nos grandes batalhões operários que estão nos sindicatos que dirigem pela CUT, também agora não aponta para a classe trabalhadora como o sujeito capaz de ser protagonista necessário para barrar os ajustes de Temer. Apontam para o STF!

Em meio à crise de representatividade o PT se divide, porém mantém a mesma estratégia pós-golpe

Após a derrota indiscutível nas eleições deste ano e a fuga de militantes e políticos do PT, como tratamos aqui, abre uma fissura no partido. Agora no marco da preparação para o 6º Congresso Nacional do PT, a disputa pelo método de eleição do presidente dos petistas é mais um tema de polarização interna do petismo e ameaça de rachas.

Em meio às declarações de que alguns parlamentares visam mudar de sigla dados o medo de não se reelegerem dado o desgaste político do PT com o golpe e a Lava Jato, ou mesmo a possibilidade de “mudar o nome e a sigla do partido”, Lula faz um apelo nesta quinta (10) para que ocorra um acordo com a oposição dita de esquerda Muda PT, que reúne cinco correntes internas.

A oposição defende a realização de congressos na primeira e segunda instância e a majoritária CNB, de Lula, defende a eleição por votação aberta nos municípios para montagem do colégio que elegerá o presidente. O enfraquecimento interno do PT pressionou a CNB a ceder e concordar que a votação do presidente ocorra em congresso.

Porém a estratégia petista de conservar tudo o que for possível de forças para se lançar novamente em 2018 ainda vigora internamente. O apelo de Lula pela coesão interna e a sua corrente majoritária que cedeu, reflete um momento delicado para o petismo, que busca manter a unidade em torno da figura de Lula, visando as eleições.




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