Sociedade

CORONAVÍRUS

Pessoas são impedidas de voltar às suas casas no Rio em nome da prevenção ao coronavirus

A crise agudizada pelo Coronavirus (Covid-19) só aumenta o drama social da classe trabalhadora, das camadas mais pauperizadas da sociedade, inclusive dos setores mais vulneráveis socialmente e ao vírus. A situação da senhora Sônia Maria dos Santos (mostrada na edição de ontem do Jornal Nacional) aposentada, cadeirante, sozinha na rodoviária do Rio de Janeiro sem poder voltar pro Sul, gera uma mistura de indignação e tristeza.

quarta-feira 18 de março| Edição do dia

O governo do Rio de Janeiro, para conter a transmissão do coronavírus, adotou medidas de restrição de mobilidade entre 22 cidades ao redor da capital. Ou seja, criou um cinturão para isolar a região metropolitana do Rio que impede a circulação de ônibus de linha, ônibus fretados e vans entre essas cidades. A intenção é manter, dentro do possível, o vírus dentro de uma região já afetada.

Adotaram essa medida de uma hora pra outra do dia de ontem sem nenhuma organização nem plano para levar as pessoas que já estavam no Rio às suas casas. Muitas pessoas não puderam voltar de seus trabalhos às suas residências.

“Tem que fazer as coisas organizadas, tinha que dar pelo menos o dia de hoje até meia-noite para os carros irem levando quem já estava aí. Não podem abandonar as pessoas assim”, disse a aposentada Sônia Maria dos Santos em meio a lágrimas.
O estreitamento das regras da quarentena somada a medidas repentinas de controle de fluxo de pessoas como a acima citada supostamente tenta evitar que o vírus se espalhe para regiões que ainda não chegou. Entretanto, essas medidas estão acontecendo em detrimento de outras medidas sanitárias mais eficientes, como a distribuição de testes gratuitos em massa (que vários países estão fazendo) e a centralização da saúde brasileira.

É tão escandaloso que a própria família do primeiro morto brasileiro pelo novo coronavirus ainda não fez o teste para saber se também está infectada, como denunciamos nesta matéria

A testagem do vírus precisa estar a alcance de todos. O isolamento apenas não é suficiente para evitar que o vírus se espalhe, já que pessoas assintomáticas que também transmitem a doença. As pessoas precisam ser tratadas, os leitos de UTI com respiradores precisam urgentemente ser ampliados, e aqueles do setor privado serem utilizados pelo Estado conjuntamente à contratação de mais trabalhadores da saúde para dar conta da demanda.

É preciso que todo o sistema de saúde, do SUS à rede privada esteja sob controle dos trabalhadores para que seja gerido por aqueles que lá trabalham, e não pelos empresários que só pensam em lucrar em cima da vida das pessoas!




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