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Pesquisadores confirmam contaminação de igarapés em Barcarena e empresa Hydro AluNorte é a principal suspeita

Pesquisas confirmaram contaminação de rios e igarapés com produtos químicos, que podem ser cancerígenos, e a Hydro Alunorte nega a existência de vazamento de seus depósitos de rejeitos.

quarta-feira 14 de março| Edição do dia

Em audiência pública, nesta terça-feira (13), da comissão externa que analisa as denúncias de vazamento de rejeitos de bauxita em Barcarena, no nordeste do Pará, pesquisadores confirmaram a contaminação de igarapés. A comissão reuniu os representantes da empresa Hydro AluNorte e dos órgãos públicos que investigam o caso.

Em abril, o Instituto Evandro Chagas vai divulgar o resultado de pesquisa mais ampla, com 14 metais tóxicos. O pesquisador do Instituto, Marcelo Oliveira Lima, admite que a contaminação da região também pode vir de outras empresas do polo industrial de Barcarena. Mas, no caso específico dos igarapés pesquisados, o promotor do Ministério Público do Pará, já vê indício para responsabilização da Hydro AluNorte com base na Lei de Crimes Ambientais

O episódio ocorreu em 17 de fevereiro, quando surgiram denúncias de vazamento de rejeitos de bauxita da empresa, após fortes chuvas na região. O Ibama e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente não detectaram transbordamento dos depósitos de rejeito, mas moradores denunciaram a existência de dutos clandestinos. Lima, do Instituto Evandro Chagas, confirmou a contaminação de rios e igarapés com produtos químicos, que podem ser cancerígenos. Foram encontrados altos níveis de chumbo, alumínio e sódio.

A pedido do Ministério Público, a Justiça do Pará determinou a suspenção parcial das atividades da Hydro Alunorte. O vice-presidente sênior da empresa, Silvio Porto, negou a existência de vazamentos. Ele atribuiu os problemas de alagamento na empresa a "chuvas excepcionais" e à falta de energia elétrica em 17 de fevereiro.

Não é a primeira vez que a empresa precisa responder por esse crime, em 2009 foi multada essa mesma inflação. As multas somam mais de 17,1 milhões de reais. Segundo o Ibama, em 2009, o vazamento colocou a população local em risco e gerou mortandade de peixes e destruição significativa da biodiversidade. Fora que três anos antes, Hydro AluNorte ao lado de outras cinco mineradoras do polo industrial de Barcarena, foram obrigadas pelo o Ministério Público Federal a fornecerem em caráter emergencial dois litros diários de água potável por morador e indenizem os danos ambientais e à população afetada pela contaminação.

Assassinato em investigação

Na madrugada desta segunda-feira (12) um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, foi assassinado em sua residência em Barcarena. A defesa da vítima afirma que ele estava entre os ativistas envolvidos nas denúncias contra a Hydro. A Polícia Civil ainda investiga o crime.

Os relatos de testemunhas indicam que havia pessoas esperando por Paulo Sérgio na porta de casa. Ele foi alvejado por disparos quando se levantou de madrugada para usar o banheiro, que fica localizado na área externa da residência.

O Ministério Público afirma que a vítima vinha recebendo ameaças de policiais. Na Câmara, o representante da empresa classificou de "absurda" a ligação do assassinato com as atividades da empresa.

Esta notícia é um dos muitos exemplos de como os imperialistas pouco se importam com equilíbrio socioambiental. São capazes de matar desde indivíduos indígenas e deixar comunidades em estado de emergencial de sobrevivência à matar rios inteiros, como no caso do desastre em Mariana. Situações como esta revelam que a exploração dos recursos em prol do lucro instantâneo está acima de qualquer forma de manejo sustentável dos recursos naturais e da vida da população e de suas gerações.




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