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MULHERES NEGRAS

Pesquisa revela que jovens negras possuem 2 vezes mais chance de serem assassinadas

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ

quarta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

Na última segunda feira a Unesco Brasil, a Secretaria Nacional de Juventude e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública disponibilizaram os resultados da pesquisa do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ) 2017. A pesquisa afirma agregar "dados relativos às dimensões consideradas chave na determinação da vulnerabilidade dos jovens à violência, tais como taxa de frequência à escola, escolaridade, inserção no mercado de trabalho, taxa de mortalidade por homicídios e por acidentes de trânsito" e que serve "como norteador das políticas públicas de juventude, parcela da população mais afetada pela violência no Brasil" trouxe esse ano uma dado alarmante. De acordo com a mesma as jovens negras têm 2,19 mais risco de serem assassinadas em comparação com as jovens brancas em nosso país. No índice do ano de 2017 pela primeira vez foi utilizado o recorte de gênero para análise dos homicídios de jovens dentro da faixa etária de 15 há 29 anos.

O relatório do IPEA, divulgado no mês de junho de 2017, que analisou o período de 2005 a 2015 já havia revelado que o número de assassinatos de mulheres negras encontrava-se acima da média da população feminina geral. Os dados que se encontram no Atlas da Violência 2017 apontam que no mesmo período onde houve uma redução de 7,4% de mortes na população feminina não negra (brancas, amarelas, indígenas) os números de homicídios de mulheres negras subiu 22%. Um estudo elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no ano de 2015 já apontava esta triste tendência ou mostrar que entre 2003 e 2013, ou seja num período de 10 anos, o número de homicídios de mulheres negras aumentam 54%.

O recente estudo (Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência-2017) além de registrar o aumento da vulnerabilidade das jovens negras reafirma o local de risco dos jovens negros, já que estes possuem 2,71 mais chances de serem assassinados do que jovens brancos. Em diversos estados do país este índice é acima da média nacional.

Muitas dessas jovens têm seu futuro interrompido pelas mão da polícia brasileira, como foi o caso da menina Maria Eduarda assassinada pela polícia militar do Rio dentro da escola. São vítimas da violência machistas e racista que o Estado é responsável pela morte de milhares de mulheres no nosso país (e ao redor do mundo). E para as jovens e mulheres negras que sobrevivem o capitalismo destina os postos de trabalhos mais precários, a terceirização, as cruéis realidades de trabalho que serão comuns com a vigência da reforma trabalhista e uma realidade onde, mesmo exercendo as mesmas funções, recebem 60% menos que os homens brancos. Esses dados, mais uma vez, escancaram o que o capitalismo, seus governos e patrões destinam a juventude negra.

O racismo é, desde o seu nascimento, uma poderosa arma de sustentação do capitalismo, nasceu com ele e hoje cumpre o papel de dividir toda a classe trabalhadora ao mesmo tempo que rouba o futuro da juventude negra. É preciso que lutemos para que a juventude possa ter direito a sonhar com seu futuro, para que a juventude possa ser livre. Essa luta é parte da luta contra o racismo, seja no Brasil ou na Líbia, e contra o sistema que o criou. O racismo surgiu com o capitalismo e com ele deve morrer.

Foto: EBC




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