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Pesquisa: desaprovações crescem, mas Bolsonaro mantém média de apoio em torno de 30%

A pesquisa feita pela CNT/MDA aponta crescimento na desaprovação do governo, mas - mesmo com leve queda - uma manutenção da base de apoio ao redor dos 30%. Um deslocamento dos que viam como "regular" o governo, e tendências abertas à quedas e aumentos que seguem se desenvolvendo.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

A nova pesquisa da CNT/MDA divulgada hoje (12) aponta para uma leve queda na aprovacão de Bolsonaro - ainda mantendo, com algumas mudanças, a média em torno de 30% de sua base - e uma alta mais significativa na desaprovação do governo e do presidente.

Os índices de desaprovação do Governo Bolsonaro subiram substancialmente, segundo pesquisa divulgada pela CNT/MDA. Segundo os dados, as avaliações de ruim ou péssimo do presidente subiram 12,4 pontos percentuais, atingindo a nova marca de 43,4%. Já as avaliações positivas caíram de 34,5% para 32%.

Existem diferenças nos dados, entre a avaliação do Governo Bolsonaro, e do próprio presidente. Quanto a figura do presidente, os dados já apontam para 55% de desaprovação, contra 39,2% de aprovação. Segundo a pesquisa, houve uma queda de quase 10 pontos percentuais na aprovação de Jair Bolsonaro, e uma alta significativa de cerca de 8 pontos percentuais na desaprovação.

Destes dados, algumas respostas saltam aos olhos. A primeira é que Bolsonaro, mesmo perdendo alguns pontos percentuais de aprovação, mantém junto de si números no entorno de 30%. Analisando à luz dos fatos da crise política nacional nas últimas semanas, no entanto, fica aparente que esses 30% se modificaram em composição e não são os mesmos de antes - apesar de não falarmos de uma completa transformação.

A saída de Moro do governo, como era esperado, gerou perdas de um setor da base mais lavajatista de Bolsonaro, que se decepcionou com a saída do ministro. Em setores da classe média já se observava quedas desde o início da pandemia, e em algum sentido, segue sendo uma tendência, em especial no sudeste (com mais peso em SP), onde a aprovação da política dos governadores é mais alta, e entre os trabalhadores formais, que sentiram as medidas de ataque de Bolsonaro - como a MP da morte - a contrária ao presidente deve aumentar.

Dentro dos setores que “entram” e balanceiam a queda de aprovação, expressam em algum sentido uma tendência de recuperação (ou de novos apoios) em setores de trabalhadores informais, que apesar das imensas dificuldades, vêem com bons olhos o auxílio emergencial de Bolsonaro, e se ligam mais fortemente com o discurso da necessidade de um isolamento mais brando, pela necessidade de suas rendas.

É certo que o aumento de desaprovação é bastante significativo, mas ao mesmo é certo também que Bolsonaro não tem uma queda extremamente brusca de seus apoiadores, o que não permite visões polarizadas. Num sentido, o aumento da negativa ao governo é uma “migração estatística”, especialmente vindo daqueles que consideravam como “regular” o governo, para a desaprovação, mais do que uma migração da base mais dura de Bolsonaro para a desaprovação.

No entanto, o apoio às medidas contra a pandemia é mais forte aos governos estaduais do que ao governo federal, o que também pode contribuir para tendências de queda, em especial nos estados do Sudeste, onde a situação da pandemia se agrava fortemente e onde estão governadores opositores como Doria e Witzel, que encabeçam os governadores da direita na oposição a Bolsonaro. A aprovação das medidas de combate ao coronavírus por parte do governo federal é de 51,7% (contra 42,3%). Já quanto às medidas dos governos estaduais, a aprovação é maior (69,2%) e a reprovação é menor (26,8%).

A alta de aprovação aos governadores estaduais, é bom lembrar, também reflete uma fortaleza de aprovação das medidas de um setor da política que, assim como Bolsonaro, apesar das divergências, não tem uma resposta para a crise sanitária que atenda aos interesses da população. Os governadores estaduais, e seu discurso e posição de setor mais “sensato”, “racional”, frente ao rio de descaso de Bolsonaro, contrastam com políticas bem claramente insuficientes para resolver qualquer problema da crise sanitária.

Afinal, nos hospitais estaduais também chovem denúncias por falta de EPIs, falta de leitos, filas para a UTI, e a cada dia que passa se aproxima de um colapso geral dos sistemas de saúde do país, enquanto estes governos apostam num “isolamento às escuras”, sem testes, sem mapeamento real do vírus, e deixando que pessoas sejam enterradas sem resultados de testes, com estados já enterrando mortos em valas comuns, sem que as famílias possam ter o direito mínimo de velar seus mortos.

Em vários estados é possível ver que a oposição destes governadores à Bolsonaro, como faz Dória, não levam a nenhum tipo de resposta que tenha como prioridade a vida das pessoas, e a segurança dos serviços essenciais, que colocam seus corpos na linha de frente do combate à pandemia. Se por um lado, as medidas de Bolsonaro vão no sentido de atender às demandas patronais, autorizando cortes de salários, suspensão de contratos, e liberação de enormes valores para os bancos, Doria por exemplo, não larga só hospitais sem EPIs, e com falta de médicos, mas também deixa metroviários e outras categorias consideradas essenciais sem EPIs adequados, expondo os trabalhadores - já são mais de 100 afastados entre suspeitas ou positivos para o novo coronavírus - além de efetuar demissões em massa de terceirizados das bilheterias.

Segue em aberto o como irão se desenvolver as tendências, tanto de quedas quanto de altas, em aprovação e desaprovação de Bolsonaro. Daí dependem tanto o desenvolver da própria crise sanitária, quanto o como podem operar em ganhas e perdas de base medidas como o auxílio emergencial e as dificuldades ou não para acessa-lo, além dos desenrolares das disputas entre os poderes e a crise política.




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