Economia

DESIGUALDADE SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES

Pesquisa demonstra que salário menor para as mulheres prejudica o crescimento econômico

Que as mulheres recebem salários menores devido ao machismo estrutural, já é sabido há um bom tempo (mesmo que isso seja ignorado pela sociedade de forma interessada ao capitalismo), mas um novo dado do Insper mostrou que além dos salários menores, a desigualdade entre homens e mulheres também prejudica a economia nacional.

quinta-feira 8 de março| Edição do dia

Segundo pesquisas feitas no Insper pelo estatístico Rafael Ribeiro dos Santos, a desigualdade salarial entre homens e mulheres tem implicações diretas no PIB (que representa meramente o somatório da riqueza total produzida num país) e na renda per capita dos brasileiros. Ou seja, a pesquisa avaliou que entre os anos de 2007 a 2014, a cada 10% de aumento da diferença salarial entre os gêneros, significou uma redução de 1,5% na expansão do PIB per capita dos municípios do Brasil.

A pesquisa se baseou na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) para chegar a tal conclusão. Rafael Ribeiro, com o objetivo de analisar de forma mais detida o quanto a descriminação de gênero pesa na diferenciação salarial direta, isolou os outros fatores que também pesam nessa conta como a escolaridade, tempo de trabalho e ocupação etc., e se ateve somente ao gênero. Isto é, se no caso de uma mulher que ganha menos do que um homem por ter menos escolaridade ou um diploma considerado menor do que o dele em termos de mercado de trabalho, a distorção que isso poderia causar no cálculo não foi considerado.

Mensurando os efeitos da estimativa a partir de dados de 2007, o estatístico Rafael Ribeiro analisou a relação dessa variação salarial entre os gêneros com o crescimento do PIB per capita (valor da riqueza do país gerada pelo número de habitantes) até o ano de 2014. Concluiu-se que, se isoladas outros fatores que influenciam nas movimentações financeiras do PIB, como crescimento econômico e a mudança de nível médio de escolaridade para a mão de obra, a parcela de crescimento do PIB per capita que tem relação direta com a opressão de gênero é muitíssimo relevante e tem impactos diretos na economia.

A própria pesquisa, que toma o PIB como mensurador do crescimento econômico de uma sociedade, ajuda a entender as distorções que ele oculta. No somatório geral da riqueza produzida em uma sociedade, se deixa de visualizar as diferentes formas como que cada classe, cada grupo social, mulheres e homens, brancos e negros, se apropriam de forma distinta da renda. A diferença salarial entre homens e mulheres, como também entre brancos e negros, é histórica no capitalismo e permeia diretamente a luta de classes. Hoje o Brasil tem uma diferença salariam gigantesca entre homens e mulheres. A mulher trabalhadora ganha até 27% menos que o homem branco, e se essa mulher for negra, esse número salta para 40%.

Pesquisas como a de Rafael Ribeiro só vem para confirmar mais uma vez essa diferenciação salarial entre os gêneros. Nesse caso em particular, além de confirmar a diferenciação, também mostra como essa diferenciação não só não é saudável para as mulheres, como também não é saudável para a sociedade de conjunto, pois significa que enquanto as empresas lucram com a exploração de gênero, o crescimento nacional fica comprometido e, por consequência, a distribuição de renda e garantia de direitos para os trabalhadores também.




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