Sociedade

Pesquisa da UNB demonstra que maconha pode ajudar contra os efeitos prejudiciais do consumo de crack

A maconha e o Rivotril: conservadorismo ou lucro? Quais as razões de sermos obrigados a engolir coquetéis de drogas pesadas e caríssimas com efeitos devastadores ao organismo a médio-longo prazo, quando não há tal necessidade?

quarta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) testa os efeitos do canabidiol – substância derivada da Cannabis sativa, conhecida como maconha – no tratamento de pessoas viciadas em crack.

Segundo a professora Andrea Gallassi,que lidera a pesquisa, a substância tem potencial para amenizar praticamente todos os sintomas da abstinência, como ansiedade, insônia, falta de apetite e o desejo intenso pelo consumo do crack.

Para ela “Hoje a gente não tem um tratamento referência para as dependências químicas. Não temos um medicamento com uma assertividade considerada ideal para essas pessoas interromperem [a droga] e conseguirem controlar os principais sintomas que as fazem voltar ao uso.”

A legalização do uso medicinal e recreativo da cannabis está muito além dos “muros do conservadorismo”. Mesmo nos países onde houve algum tipo de concessão em relação à planta, há várias restrições sobre o plantio, o consumo e o comércio. Ou seja, não há de fato uma legalização em que os sujeitos possam fazer uso totalmente livre da cannabis, seja para uso medicinal ou recreativo.

Mesmo com pesquisas e testes em diversas universidades renomadas sobre os inúmeros benefícios do canabidiol, componente da Cannabis sativa, e seu efeito positivo no tratamento de doenças e até mesmo dependência química, ainda a planta é ilegal na maioria dos países, e onde é legalizada sofre inúmeras restrições, impedindo o conjunto da sociedade de se beneficiar de todo o seu potencial.

Casos emblemáticos como e Anny Fischer, que aos 7 anos sofria 80 convulsões semanais, e após 9 meses de tratamento à base de canabidiol, passou a 0, e até mesmo pesquisas recentes aqui no Brasil, estão mostrando a capacidade do composto em diminuir drasticamente a abstinência química de drogas como o crack (ansiedade, insônia, desejo intenso do consumo), como aponta a professora e pesquisadora da UnB, Andrea Gallassi em suas pesquisas.

Mas qual a razão para o uso medicinal e recreativo não ser legalizado em prol da nossa saúde e bem-estar? Qual a razão para consumirmos coquetéis inteiros que nos prejudicam a médio-longo prazo e ainda assim não possuem o mesmo alcance do tratamento com canabidiol? Qual a razão de pagarmos caro e termos a saúde corporal e mental comprometidas com coquetéis e “faixas preta” que prolongam as doenças e seus sintomas, quando há uma solução muito mais eficiente e prática?

O que sustenta a lógica de exclusão e burocratização de uma planta cujo composto tem o potencial tão elevado para a nossa saúde, para tratamentos eficazes e sem os efeitos colaterais que os coquetéis da indústria farmacêutica, que nos viciam, tornam-nos dependentes, como o Rivotril e outros remédios que estão na casa de todo brasileiro?

Mais, qual a razão do álcool e do tabaco, que comprovadamente matam e causam dependência serem legalizados, e a maconha que pode ser usada no tratamento de dependência dessas mesmas substâncias, é ilegal?

A questão aqui foge da moral, ética e do conservadorismo (não que não sejam um apoio para a criminalização, mas o importante é ter em vista que não são as causas). Drogas como o tabaco e álcool necessitam serem industrializadas, o que garante o monopólio de megaempresas como a Souza Cruz, e todo um setor lucrativo para a burguesia, ao contrário da maconha que pode ser cultivada em praticamente qualquer casa, não necessita da industrialização, o que foge completamente do controle dos lucros pela burguesia. Este é o principal fator dela não ser legalizada, e nos países em que é, sofre diversas limitações e burocratizações para não fugir do controle da burguesia.

Ao mesmo tempo que seria um grave ataque aos lucros da burguesia farmacêutica, pois o canabidiol é capaz de substituir coquetéis inteiros de drogas para tratamentos e diminuição de efeitos de diversas doenças e dependências. Seria um forte ataque a este setor que lucra rios com a manutenção de nossas doenças físicas e mentais, prolongando-as para melhor satisfazer suas ganâncias e sede de lucro.

Nós do Esquerda Diário e do MRT, somos a favor da legalização irrestrita das drogas, principalmente da maconha, e em caso de drogas que causem dependências é necessário um sistema de saúde à altura para podermos tratar nossos pacientes com dignidade e de forma eficiente, que tenha em vista de fato um tratamento que combata a dependência, e não a manutenção da mesma para vender ilimitadamente remédios. Na questão de drogas corrosivas como crack, estamos de acordo com a professora Andrea Gallassi e sua pesquisa que usa o canabiol para o tratamento, devido aos efeitos positivos.

Contudo, sabemos que tais avanços sociais que confrontam diretamente o lucro dos capitalistas só será conquistado nas ruas, assim como outras questões de saúde como o aborto legal, seguro e gratuito. É necessário unir as demandas de nossos direitos com um plano de lutas para passar por cima dos limites do lucro e possuirmos uma vida digna!




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