Educação

Pesquisa Nacional de Saúde Escolar aponta que mais de 4% dos alunos já foram estuprados

Barbara Torre

Executiva Nacional do MML e Representante dos Trabalhadores do HU na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

O IBGE publicou nessa sexta a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar – Pense que, pela primeira vez, questionou a 2 milhões de aluno se já haviam sido estuprados, 4% responderam que sim e a ocorrência está relacionada à renda e situação de precarização da vida. As edições anteriores foram em 2009 e 2012.

O problema da opressão e violência contra a mulher está presente em todas as fases de sua vida, em todas as instituições sociais e, ainda que dessa forma atinja a todas as classes, recebe um contorno mais impiedoso e cruel com as mulheres trabalhadoras e suas filhas, que são além de oprimidas, exploradas. Os dados da Pense dão esse indício ao constatar que 4,4% das meninas e meninos que foram forçados a ter relação sexual eram de escolas públicas e apenas 2% de escolas particulares, considerando que no Brasil a divisão entre os alunos de escola pública e privada também é uma divisão de renda onde as famílias com menor renda colocam seus filhos na rede pública.

É através da maior consciência do próprio corpo, da sexualidade sem pré-conceitos e o acesso à diferentes formas contraceptivas que as e os jovens podem ser mais ativos em construir um pleno exercício de sua sexualidade e para isso é fundamental o debate em sala de aula. Algumas professoras e professores relataram que esse é um tema que os estudantes anseiam debater. Esse anseio ficou evidente quando tomaram suas escolas contra a reorganização escolar e as meninas e LGBT tomaram a linha de frente levando suas demandas para debate tornando-se parte das demandas do movimento.

Entretanto, políticas como a proibição do debate de gênero dentro das escolas públicas vão na contramão da necessidade dos jovens, que além dessas restrições se deparam com um sistema de saúde duramente precarizado com a falta de financiamento dos governos, encontrando dificuldade para ter acesso a contraceptivos, exames ginecológicos e até mesmo informação. Essa restrição também vai na contramão do que as mulheres expressaram nas ruas, com grande participação das adolescentes, um descontentamento profundo com a violência e a disposição de não se calar.

Essa geração que tem seu futuro negado frente ao fechamento das escolas, leis como a redução da maioridade penal, aumento do desemprego e do trabalho precário é também a geração que vem demonstrando grande disposição de lutar pelo novo. A violência contra as mulheres tem um papel fundamental de amedrontar, calar e dividir e dessa forma impor para metade da população situações mais penosas, favorecendo esse sistema. A luta contra a violência às mulheres deve ser em ruptura com o capitalismo construindo um forte movimento de mulheres nos locais de trabalho e estudo que se indigna e vai as ruas frente a casos escandalosos de violência ao mesmo tempo que constroem uma alternativa de sociedade ao lado das trabalhadoras e trabalhadores.




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