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Pesquisa Ibope: 55% da população rechaça projeto de Bolsonaro para educação

Na última quinta-feira (27/06), a pesquisa CNI/Ibope revelou que o índice de reprovação do governo Bolsonaro na área de educação cresceu. Entre abril e junho, o índice cresceu 10 pontos, passando de 44% para 55%.

sexta-feira 28 de junho| Edição do dia

O período de aumento na reprovação coincide com os cortes às verbas discricionárias das universidades públicas, anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que afetam principalmente a manutenção das estruturas universitárias (pagamento de água, luz, telefone) e também a permanência estudantil.

Segundo Weintraub, o corte afetaria apenas algumas universidades que ele considerava “antros de balbúrdia”, se referindo ao lazer estudantil e festas nos campus. Após a absurda declaração, diferentes setores da educação, reunindo trabalhadores, estudantes e professores, desde as universidades públicas, mas também universidades privadas, institutos federais, cursinhos e escolas, responderam com contundentes paralisações e atos nas capitais de todos os 26 estados e o DF, e em mais de 200 cidades pelo país.

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Além disso, chama atenção o fato da pesquisa demonstrar que a educação passou de segunda para quinta pasta com mais aprovação no governo. Se antes o projeto reacionário de Bolsonaro para educação lhe garantia popularidade, com perseguição de professores, censura, discurso de ódio contra os setores oprimidos, hoje parece que esse cenário mudou.

Bolsonaro foi eleito com a pauta do Escola Sem Partido e colocando os professores como doutrinadores, inimigos número um do país. Mas agora o que se vê são professores enfrentando o caos nas escolas caindo aos pedaços, com péssimas condições de trabalho.

Temas como o Escola Sem Partido, a polêmica frente às fake news sobre “kitgay” e outras coisas que supostamente seriam distribuídas nas escolas, além de constantes declarações contra as universidades públicas e os centros e diretórios acadêmicos, chamados de “ninhos de ratos” pelo até então candidato.

Nos primeiros meses de governo, o Ministério da Educação dirigido até então por Ricardo Vélez que chamou mais atenção pelas suas trapalhadas reacionárias, como quando o MEC soltou uma nota pedindo que escolas filmassem os alunos cantando o hino nacional e que era necessário revisar o ensino à respeito da Ditadura Militar no Brasil; disse também que as universidades não devem pertencer a todos e sim a um seleto grupo de elite.

No dia 29 de Março, ainda sob o comando de Velez, R$ 5,839 bilhões foram congelados do orçamento da educação, o que equivale a 25% do que era previsto.

Ministério da Educação de Bolsonaro, uma pasta instável

A instabilidade no Ministério da Educação é visível. Em apenas 6 meses, já houve uma troca de ministro, substituindo Veléz Rodrigues por Weintraub, além de mais 10 baixas no segundo escalão da pasta e duas demissões presidenciais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Em grande parte essa instabilidade é resultado do descaso do Governo Federal para com a Educação, mas, também, em grande essa instabilidade se deve à resistência dos estudantes e profissionais da educação, como ficou evidente nas jornadas do 15M e 30M, ao projeto neoliberal que Bolsonaro apresenta. Contudo, apesar da enorme disposição de luta desses setores, Bolsonaro encontra fôlego para seguir atacando a educação na medida que as entidades estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e sindicatos de professores, como o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) e O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM), ambos filiados à CUT, não buscaram mobilizar a categoria verdadeiramente.

Como viemos alertando aqui no Esquerda Diário e também nas universidades, escolas e demais locais de trabalho e estudo a partir do Movimento Nossa Classe - Educação e a Juventude Faísca, era necessário unificar estudantes e trabalhadores para barrar os ataques à educação e a reforma da previdência, unificando as pautas, pois o governo traça uma ligação direta entre os ataques, com o próprio vice-presidente, Hamilton Mourão, dizendo que o contingenciamento [corte] às universidades só vai cessar quando a reforma da previdência for aprovada.

Frente ao pronunciamento de Mourão, infelizmente a postura da UNE e de diversos sindicatos da Educação, como os citados acima, foi de separação das lutas. Primeiro, depois de mais de 1 milhão nas ruas com o 15M, as centrais sindicais que reúnem esses sindicatos, se negaram a antecipar a greve geral para o dia 30 e unificar com estudantes. Pelo contrário. Se no dia 15 haviam chamado paralisações, no dia 30 nem sequer fizeram isso, o que enfraqueceu a participação dos profissionais da educação. No caso do SINPEEM, dirigido por Cláudio Fonseca, a traição é ainda mais escancarada, pois seu partido, o PPS, que apoiou Alckmin para no primeiro turno como parte do Centrão e se absteve no segundo turno, contribuindo para a eleição de Bolsonaro frente as eleições mais manipuladas da história do país, hoje defende uma reforma da previdência com algumas modificações na proposta por Bolsonaro. No entanto, mesmo frente a traição das direções de seus sindicatos, milhares desses trabalhadores demonstraram disposição de luta e foram às ruas no 30M, superando em grande medida suas burocracias sindicais nesse dia.

A UNE por sua vez, dirigida pela UJS, juventude do PCdoB que apoiou a eleição de Maia à presidência da Câmara, não organizou assembleias estudantis em todo o país e nem colocou a construção do seu Congresso, que acontecerá esse ano, a serviço de seguir a mobilização contra os cortes à educação. Finalmente quando chegou o dia da greve geral, 14 de Junho, não se viu a UNE mobilizando verdadeiramente estudantes para lutar contra a reforma da previdência e os ataques à ao lado dos trabalhadores. Nenhum ato foi chamado pela UNE para esse dia e, como os dados mostram, se não fosse esse freio o movimento poderia ser muito mais massivo e com amplo apoio da população.

A CUT e da CTB devem organizar plano de luta imediato para derrubar a reforma da previdência, e não "modificá-la". Já o PSOL, que hoje dirige dezenas de entidades estudantes pelo país e faz parte da Oposição de Esquerda da UNE, deveria usar essas entidades e seus parlamentares para ecoar a exigência a exigência de unificação e plano de lutas. E e a CSP-Conlutas, uma das centrais sindicais, dirigida pelo PSTU, deveria colocar todo seu aparato a serviço dessa exigência, ao invés de aplaudir acriticamente a unidade dos aparatos das burocracias sindicais e estudantis que traíram o 14J. Por isso é urgente que estudantes e trabalhadores retomem em suas mãos suas entidades de luta.




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