Internacional

Peru: Presidente Vizcarra com "Reactiva Perú" subsidia os maiores empresários do país

Vem à tona o resgate econômico milionário do governo de Martin Vizcarra, que favorece os grandes empresários em meio à pandemia causada pelo Covid-19. Enquanto isso, milhões de trabalhadores sofrem com o desemprego e a fome, os hospitais públicos e o pessoal de saúde estão abandonados a sua própria sorte, e o número de infectados já ultrapassou os 200.000.

terça-feira 23 de junho| Edição do dia

Fotos: Diario Gestión

Neste fim de semana, o Ministério da Economia e Finanças anunciou a relação das empresas que se beneficiaram da primeira etapa do Plano Reactiva Perú. Cuja política de Estado foi apresentada em abril deste ano pelo presidente Vizcarra, como uma medida para "reativar a economia" de micro, pequenos e médios empresários, que segundo o executivo, entraram em crise como resultado da quarentena.

No entanto, como escrevemos na época no La Izquierda Diario, a Reactiva Peru era uma política de resgate para preservar os lucros das grandes empresas e reativar os negócios capitalistas em meio à pandemia de Covid-19, que nada tinha haver com micro e pequenos empreendedores, muito menos com os interesses dos trabalhadores, como tentaram nos mostrar os propagandistas do governo.

Esta medida, juntamente com a suspensão do trabalho entre outras, fazem parte das políticas implementadas pelo Presidente Vizcarra, em favor dos grandes empresários que na realidade acabou causando enormes danos aos trabalhadores, uma vez que geraram mais desemprego e subfinanciamento dos serviços públicos, por isso hoje o sistema de saúde está em colapso.Vemos que as empresas beneficiadas vão desde mineração, saúde, mídia, redes de hotéis, cinema, telefonia, educação, centro comerciais e outras.

Empresas como Wong, Cineplanet, Casa Andina, Entel Peru, Shopping Plaza Norte, MediFarma, entre outras, receberam financiamento de milhões de solas (moeda peruana).Grupos econômicos importantes do país, como a Intercorp, dona do banco Interbank, das escolas Innova Schools, da Universidade Tecnológica do Peru, Promart, Inkafarma, Oeschsle e outras empresas, também aparecem entre os beneficiários. O monopólio midiático do Grupo El Comércio também faz parte das empresas que receberam empréstimos com o apoio do Estado e o que é previsível, acabaremos nós trabalhadores pagando por esses empréstimos.

Há dinheiro para resgatar os capitalistas e não para a saúde

O Grupo Intercorp, de um dos homens mais ricos do país, Carlos Rodríguez Pastor, através de nove de suas empresas, recebeu 10 milhões de soles por cada uma.O grupo de construção Unacem, da Rizo Patrón, tem três de suas empresas de cimento e sua empresa de eletricidade - El Platanal - recebendo um total de 40 milhões de soles.

O Grupo Wong foi subsidiado com três de suas empresas: a fábrica de açúcar Agroindustrial Paramonga, o Plaza Norte Shopping Center e a pesqueira Inversiones Prisco, com um total de 30 milhões de soles.

O Grupo Sandoval obteve empréstimos de 30 milhões de soles para a empresa de serviços aeroportuários TALMA, por meio de seu operador logístico DINET e da concessionária Aeropuertos del Perú.O grupo Cervesur levantou fundos para suas operações no setor de transporte e têxtil, e San Fernando recebeu mais de 20 milhões de soles para dois de seus comerciantes de carne de aves. Em meio às demissões em massa de seus trabalhadores, o grupo El Comercio recebeu 38,4 milhões de dólares.

Portanto, há uma longa lista de grandes empresas em vários setores que receberam subsídios milionários, apesar de muitas delas continuarem trabalhando durante a quarentena, por serem consideradas serviços essenciais e mesmo aquelas que não foram consideradas essenciais - como é o caso da grande mineração - continuaram produzindo em plena quarentena à vista e com a paciência do governo.

Enquanto esses obscenos resgates econômicos promovidos pelo presidente Martin Vizcarra, favorecem os grandes empresários,em meio a uma grande crise de saúde, enfrentamos uma realidade de quase 250.000 infectados com Covid-19 e 7.000 mortos. A saúde pública segue abandonada a sua própria sorte, por isso, vemos hospitais saturados de doentes e mortos nos corredores, além de médicos e outros profissionais de saúde estarem sendo infectados por não terem os equipamentos mais básicos de biossegurança.

Vizcarra e a Ministra Alva a serviço dos empresários

Diante da força dos fatos evidenciados por esse resgate pró-empregador, há setores que buscam desviar a raiva popular, chegaram a dizer que esta é uma decisão exclusiva da Ministra da Economia e Finanças María Antonieta Alva,o que teria se dado por fora da vontade do Presidente Vizcarra e que, portanto, a indignação e a rejeição a esses subsídios a grandes empresas deveriam se concentrar apenas na ministra Alva, que hoje lidera o setor econômico e financeiro.

Esses setores esquecem que a referida Ministra sempre recebeu o aval do presidente, que, mesmo publicamente, elogiou a política de subsídios a grandes empreendedores, considerando-a uma medida positiva que contribuiria para revitalizar a economia nacional.

É verdade que existe responsabilidade da Ministra da Economia, porém a pessoa responsável pelo executivo é o presidente Martin Vizcarra, e seu governo - até agora em quarentena - que tem estado a serviço dos negócios dos grandes empresários nacionais e estrangeiros, portanto, não hesitam em resgatá-los em meio a essa crise de saúde, econômica e social que levou ao fato de que somente em Lima, no último trimestre, a 2 milhões e 318 pessoas perderam os seus empregos, o que é um fato histórico,já que nunca houve uma taxa de desemprego tão alta na cidade mais importante do Peru.

Artigo publicado originalmente pelo La Izquerda Diario Peru




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