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Perseguição política no RS: processo contra 6 ativistas do Bloco de Lutas vai à reta final

terça-feira 10 de março| Edição do dia

Nesta segunda feira (09) ocorreu mais uma audiência do julgamento dos seis jovens processados por participarem ativamente do Bloco de Lutas Pelo Transporte Público, principal impulsionador das manifestações que ocorreram em abril e junho de 2013 em Porto Alegre. A audiência encerrava a fase instrução do processo, onde terminava se acolhido o depoimento das testemunhas de Defesa, de acusação, e dos réus.

Os ativistas Alfeu Neto, Matheus Gomes, Gilian Cidade, Vicente Mertz, Lucas Maróstica e Rodrigo Brizola haviam sido indiciados pelo Ministério Público na época, por formação de organização criminosa para a prática de roubos, agressões, depredação do patrimônio público e uso de explosivos, sem terem provas nenhuma sobre essas acusações. Esse processo é notoriamente movido por perseguição política, com intuito de intimidar não só os militantes processados, mas toda a juventude que esteve nas ruas durantes as jornadas que sacudiram o país inteiro.

Em outubro de 2013, depois das grandes manifestações de abril e junho, e depois da ocupação da Câmara de Vereadores em julho, a polícia, na época do governo de Tarso Genro (PT), invadiu a residência de diversos militantes que cumpriam papéis importantes no Bloco de Lutas. Também foram invadidos os espaços Moinho Negro, Utopia e Luta e Ateneu Libertário.

Uma das "provas" é quase uma delação premiada de Guilherme Santos, que foi detido em uma manifestação no dia 27 de junho de 2013. Em depoimento ele afirmou que praticava furtos e depredações a mando do Bloco de Lutas, embora não tenha relação com os indivíduos e organizações que compunham o Bloco na época, menos ainda com os militantes que respondem ao processo. Ele foi liberado e não responde ao processo. Além dele, um policial militar também serviu para "provar" o envolvimento dos jovens com as ações. Ele diz ter reconhecido os militantes acusados, e afirma que eles estavam envolvidos em ações violentas. Jamais foi apresentada nenhuma imagem deste envolvimento, embora os protestos de 2013 tenham sido amplamente filmados e fotografados até mesmo pela polícia.

Após a audiência de ontem onde teve o fim da fase de instrução, o julgamento irá para a sentença, caso sejam condenados, as penas somadas podem chegar a mais de 20 anos de prisão. Por isso é necessário seguir com a solidariedade aos seis ativistas que foram criminalizados por querer lutar. O Estado através da Polícia e da Justiça, utiliza dos seus métodos para punir e reprimir as organizações e movimentos que lutam por melhoria das suas condições de vida e lutam contra os ataques que foram colocados desde o golpe institucional e vem se aprofundando durante o governo Bolsonaro.

Perseguir, intimidar e prender figuras conhecidas dos protestos de junho de 2013 é simbólico no sentido de tentar calar as vozes que desde lá se fazem ouvir nas ruas, em ocupações de escolas e universidades, contra os ataques dos golpistas. Mas não nos calarão!




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