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PepsiCo: o governo argentino esbraveja contra a esquerda, os trabalhadores voltam à cena

Depois da repressão de quinta-feira, o governo argentino responsabilizou a esquerda com argumentos insólitos para desprestigiar a luta. Os trabalhadores redobram a aposta em uma nova jornada de luta.

terça-feira 18 de julho| Edição do dia

Depois da brutal repressão aos trabalhadores de PepsiCo, o repúdio se estendeu em grande parte do espectro político, social sindical e de direitos humanos. No entanto, o governo nacional defendeu e buscou responsabilizar a esquerda em uma campanha que beira o bizarro.

“Estes grupos o único que fazem é fechar empresas. Em vez de ajudar os trabalhadores, os matam. Todas as empresas que tenham comissões internas que lideram o grupo da Frente de Esquerda acabam fechadas. Kraft, Lear, todas fechadas.” Com essas palavras esbravejava a ministra Patricia Bullrich no programa Animales Sueltos, passando o ridículo ao ignorar que as duas fábricas mencionadas se encontram produzindo plenamente.

No dia seguinte foi a vez do ministro do Trabalho Jorge Triaca: “Há um conjunto de ação política gremial de esquerda que gera conflitos. As empresas onde a FIT lidera as comissões internas acabam fechando” disse, repetindo a gafe de Bullrich.

Marcos Peña fecharia o círculo em La Noche de Mirtha: “Os grupos de esquerda acabam atentando contra a possibilidade que haja investimentos, acabam prejudicando os trabalhadores”, disse sem ficar envergonhado.

Os altos funcionários do governo haviam encontrado a resposta a todos seus males: aparentemente as fábricas fecham e os investimentos não chegam...por culpa da esquerda.

O forno não está para bolos

Enquanto o governo pretendia encaminhar uma campanha contra a corrupção e “o passado”, dava cuidadosos passos nas reformas que prepara para depois de outubro. No entanto, o conflito o obrigou a mudar os planos.

Assim reconhece Marcelo Cantón, editorialista do jornal Clarín, que na sexta-feira assegurou que por conta do conflito de PepsiCo desde o Executivo “frearam anúncios sobre demissões de trabalhadores informais e mudanças nas contribuições previdenciárias, que tinha intenção de fazer antes das eleições”. E continuou: “A reforma trabalhista deverá esperar um melhor momento. O forno não está para bolos, diriam as avós”.

O forno não está para bolos por dois simples motivos. Por um lado, o governo pretende mostrar-se forte para avançar nas reformas estruturais que se pretende, mas por hora o único “estrutural” é a debilidade que tem para levar seus planos adiante. Por outro, a batalha de PepsiCo mostrou uma importante e decidida resistência operária, pondo no centro da cena o problema do desemprego e os fechamentos de fábricas, distantes da imagem de “recuperação” que o oficialismo pretende mostrar próximo as eleições.

Em meio a esta crise, o ataque contra a esquerda é o velho truque de correr o arco. Assim deixou claro o delegado de PepsiCo, Camilo Mones que em uma entrevista com Chiche Gelblung disse: “Há 200.000 demitidos! Se tivéssemos tanta influência ya havia tido uma paralisação!”.

O jornalista Ernesto Tenembaum recentemente deu outro dado que ridiculariza ainda mais os argumentos do macrismo. “É difícil sustentar, como fez Patricia Bullrich, que a cor política dos delegados tenha sido um dado relevante. Desde novembro de 2015 perderam-se 50 mil postos de trabalho no setor industrial e na maioria desses casos, nem sequer existiam comissões internas”, declarou.

O incremento da desocupação nos últimos meses e a cumplicidade da CGT, mostram o acordo que existe para avançar contra as condições da classe trabalhadora. Por outro lado, a luta de PepsiCo vem mostrando que é possível enfrentar os ataques do governo e das patronais, convertendo-se em um exemplo para milhares que passam pela mesma situação.

O governo quer esconder a crise que lhe ocasionou PepsiCo, num momento onde se preocupa muito com as eleições legislativas. Se seus argumentos beiram o bizarro não são para nada ingênuos. É por isso que apela ao mais insólito para fomentar o conservadorismo e os prejuízos contra os que encaram e enfrentam as demissões. Buscam cortar assim a possível aliança com outros setores que se sintam identificados e deixá-los isolados.

Apesar disso, as operárias e operários de PepsiCo seguem lutando e no dia de hoje voltarão a protagonizar uma nova jornada de luta, cercados de uma imensa solidariedade que cresce dia a dia, ainda que o governo não goste.




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