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PepsiCo: lucros milionários e demissões em massa na Argentina

segunda-feira 26 de junho| Edição do dia

Na terça-feira 20 de junho, um dia em que não se trabalha na Argentina, os 600 trabalhadores e trabalhadoras da fábrica alimentícia PepsiCo encontravam na porta um cartaz que anunciava que estavam demitidos.

A PepsiCo Argentina enviou o anúncio do fim das operações de sua planta no bairro de Florida, na zona norte de Buenos Aires, e a demissão dos trabalhadores da mesma “devido aos obstáculos inerentes à posição da planta em uma área mormente residencial, sua complexa estrutura de custos e extensos requisitos logísticos”, pelo qual anuncia sua relocalização para o bairro de Mar del Plata.

No marco da crise econômica que atravessa o país, a mutinacional quer que a população acredite que não lhes restou outra alternativa senão fechar a fábrica.
Mas os balanços da empresa desmentem os argumentos usados para tentar deixar 600 famílias na rua. A PepsiCo não é precisamente uma pequena empresa em dificuldades, mas sim uma gigante multinacional de origem estadunidense de bebidas e aperitivos. Tem sua sede em Purchase, Nova York, e em 2016 obteve lucros de U$S10,3 bilhões a nível mundial, das quais 8% saíram de sua divisão na Argentina.

O mesmo comunicado emitido pela empresa mostra a magnitude de suas operações na Argentina quando informa que “possui operações na Argentina há 58 anos, chegando a seus consumidores através de 15 sucursais, 5 centros de distribuição, e uma rede de distribuidores que cobre 900 estradas para alcançar 200.000 pontos de venda em todo o país”. Inclusive o comunicado afirma que o “objetivo destes planos (se refere ao fechamento da planta de Florida) é assegurar o crescimento e desenvolvimento sustentável da pepsiCo na Argentina no longo prazo”.

Gerentes milionários, trabalhadores demitidos

A multinacional que anunciou a demissão de mais de 600 trabalhadores e trabalhadoras não mede esforços para “premiar” seus executivos. Indra Nooyi, presidenta executiva da PepsiCo Inc., recebeu 29.8 milhões de dólares em remuneração por seu trabalho em 2016. Nooyi, de 61 anos, recebeu 14.4 milhões em bônus e 8.91 milhões de dólares em ações, de acordo com documentos apresentados aos reguladores na sexta-feira. Seu pacote de benfícios também inclui um salário de 1.73 milhão de dólares”. Os dados surgem de uma nota com o sugestivo título “PepsiCo adoça os lucros de seu CEO Indra Nooyi”, da mídia especializada Economia Hoy, da Argentina.

Só na Argentina o faturamento da PepsiCo, somando sua divisão de bebidas e snacks, aumentou 800 milhões de pesos segundo o último balanço publicado pela revista Mercado.

As trabalhadoras e trabalhadores demitidos, em base ao salário que cobravam, tardariam 2200 anos para ganhar o que recebeu Nooyi em apenas um ano. Mas agora a PepsiCo quer tirar inclusive seu direito a trabalhar.

Os trabalhadores anunciam plano de luta contra as demissões

A Comissão Interna dos trabalhadores respondeu anunciando a continuidade de um plano de luta em defesa dos 600 postos de trabalho, exigindo a reabertura da fábrica, já que ela está “em perfeitas condições de produzir”.

O referente da Comissão Interna da PepsiCo, Camilo Mones, falou com o La Izquierda Diario (de cuja rede internacional o Esquerda Diário brasileiro é parte) e denunciou o fechamento da fábrica pela patronal.

Neste sentido, há anos os trabalhadores de PepsiCo vem denunciando o esvaziamento da empresa que se encontra em Florida, e levando adiante medidas de luta como bloqueios e atos para enfrentar a decisão patronal. O objetivo da multinacional é transferir a produção a outra planta da mesma firma em Mar del Plata, onde o trabalho é mais precário, ou seguir produzindo também em Florida mas com menos trabalhadores e incorporando operários com menos direitos e terceirizados.

Os trabalhadores exigiram ao Sindicato da Alimentação (STIA) que pusesse dinheiro ao fundo de luta, que a própria direção sindical encabeçasse a luta pela reabertura e que houvesse uma paralisação em todo o ramo da alimentação.

Depois de quase três horas de plenário, com a referente dos trabalhadores combativos, Katy Balaguer, denunciando que a burocracia sindical dirigida por Rodolfo Daer estava traindo a luta, Daer colocou a votação de forma ambígua, fazendo ressaltar que havia prevalecido a maioria que defendia que nos próximos dez dias o STIA lutaria pela reabertura e quando terminasse o julgamento do “preventivo de crise” na justiça, mudaria a demanda para simplesmente “aumentar o preço da indenização” (aceitando as demissões).

Frente a esta situação o plenário se partiu em dois, por um lado os que estavam traindo a luta, e por outro os trabalhadores e trabalhadoras da PepsiCo junto aos companheiros da comissão interna da fábrica Mondelez Victoria e a chapa Bordó combativa da Mondelez Pacheco e Victoria se retiravam da sede do STIA para concentrar-se na quadra, realizar uma assembleia e decidir marchar ao Ministério do Trabalho onde aconteceria nova audiência.

As operárias e operários da PepsiCo deram uma grande lição: foram massivamente ao STIA exigir que se convocasse a paralisação, ante a traição da burocracia sindical, e marcharam até o Ministério do Trabalho em protesto contra as demissões.

Se a luta operária se desenvolve, é possível derrotar a PepsiCo. Esta é a perspectiva. Pela reabertura da fábrica, todos à paralisação nacional de todo o ramo alimentício e por um grande fundo de luta.

Apesar de falarem outro idioma, os trabalhadores da Pepsico são parte da nossa classe. Trabalhadores que, como os brasileiros, estão sendo vítimas dos ataques dos capitalistas, que querem fazer com que paguemos pela crise que eles criaram. Daqui, enviamos toda nossa solidariedade a qualquer ação de resistência que decidam tomar, exigindo que os capitalistas paguem pela crise.




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