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GATILHO FÁCIL DA POLÍCIA

Pensando que era um jovem negro e não uma turista PM atira primeiro e vê depois

terça-feira 24 de outubro| Edição do dia

Na manhã de ontem, segunda-feira (23), uma turista espanhola morreu após um PM disparar um tiro de fuzil no carro de passeio que ela estava, na favela da Rocinha. Maria Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, foi morta quando saía da favela da Rocinha. Os PMs declararam que o carro que ela estava teria furado um bloqueio policial. O motorista por sua vez diz não ter visto nenhuma blitz e a Delegacia de Homicídios (DH) afirma que “ o fato é que as pessoas que estavam no carro não puderam perceber nenhum tipo de Blitz”. Ao mesmo tempo que afirmava isto a DH garantia a identificação e prisão dos policiais envolvidos no assassinato que teriam violado os “procedimentos da polícia”.

A realidade é que nos territórios das favelas, periferias e na baixada fluminense o procedimento da polícia é atirar primeiro e perguntar depois. A polícia dispara todos os dias nos alvos que para eles é comum, a pele negra, a juventude negra, o povo pobre e favelado.

Só nos primeiros 8 meses desse ano a Polícia do Rio de Janeiro assassinou 3 pessoas por dia, um total de 712 pessoas ou 29,6% a mais de mortes do que no mesmo período do ano de 2016.

A diferença entre alvejar uma turista ou um negro, é a repercussão na mídia e os impactos para o mercado do turismo no Rio. Talvez por isso seja possível explicar a “eficiência” da Corregedoria de Polícia Militar em buscar apurar o caso e punir os responsáveis que foram presos em flagrante. Essa “eficiência”, essa busca por “justiça” por parte do Estado não se aplica aos 712 casos ocorridos nos primeiros 8 meses desse ano. Não se aplicou ao caso de Cláudia Ferreira da Silva, arrastada no asfalto por policiais militares, ou ao caso que ficou conhecido como chacina de Costa Barros onde 5 meninos foram assassinados com 111 tiros por policiais militares. 111 tiros, em jovens, Wilton Esteves Domingos Júnior, Wesley Castro Rodrigues, 25, Cleiton Corrêa de Souza, Carlos Eduardo da Silva de Souza e Roberto de Souza Penha, onde a justiça permitiu que os policiais pudessem responder em liberdade cumprindo funções administrativas.

Atirar primeiro e perguntar depois é tratado com normalidade pela PM, é o “procedimento padrão” da polícia carioca, tão comum quanto a impunidade. Infelizmente não nos faltam casos que exemplificam essa realidade, não nos faltam Claúdia’s, DG’s ou Amarildo’s.

O caso do ajudante de pedreiro, morador da favela da Rocinha, que foi morto e teve seu corpo desaparecido pela Polícia em 2013 com participação direta do então comandante da UPP desta localidade (o major Edson Raimundo dos Santos) demorou 3 anos para ser julgado e teve 12 dos policiais acusados absolvidos.

O papel que a polícia cumpre na sociedade é, sem dúvida, racista e sanguinário. O cerco orquestrado em torno da rocinha, as operações dos aparatos repressivos do Estado (Forças Armadas, Polícia, Força Nacional) nunca garantiram e não garantirão a segurança dos trabalhadores, negros e do povo pobre do Rio de Janeiro. A ocupação do Rio pelas Força Nacional (e das Forças Armadas) deixam explícita a função do braço armado do Estado, a Polícia, que é reprimir e dar continuidade ao genocídio de negros nas favelas e periferias. E em meio à enorme crise política, econômica e social que atravessa o estado do Rio de Janeiro, Temer e Pezão não se cansam de buscar formas para manter a população pobre e negra ameaçada constantemente por fortes armamentos.

Não há casos isolados, não é mera coincidência um negro morrer a cada 23 minutos no Brasil. As mortes que acontecem diariamente fazem sangue negros escorrer pelas ruas da “Cidade Maravilhosa”. A polícia do Brasil foi criada para caçar negros e segue cumprindo seu papel racista e servindo como braço armado do Estado enquanto protagoniza supostas investigações e é responsável pelo seu próprio julgamento.É preciso punição imediata aos policiais, aos que assassinaram María Esperanza Jiménez Ruiz e a tantos outros que assassinam os nossos diariamente, que devem ser julgados por júris populares compostos por membros da comunidade!

As investigações que normalmente são feitas não trazem a vida dos jovens negros assassinados de volta, permitem que mães (como Joselita de Souza, mãe de um dos meninos de Costa barros) morram de tristeza ao garantirem que siga a injustiça do Estado e não nos trarão o sossego de andar em paz pela rua.




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