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Peña Nieto, o assassino de professores e estudantes mexicanos, vai à Argentina

A comunidade educacional sente-se indignada pela vinda de Peña Neto, outro gesto de rechaço do governo de Macri à educação pública. Viria propor a aplicação da reforma educacional?

Federico Puy

Docente, Congresal UTE-CTERA

segunda-feira 1º de agosto| Edição do dia

O presidente Mauricio Macri recebeu na última sexta (28) o seu “homologo” do México Enrique Peña Nieto na casa Rosada.

Lembramos que durante o seu governo desapareceram os 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa no estado de Guerrero, que aos finais de 2014 se dirigiam a uma marcha contra a reforma educacional de Pena Nieto e sofreram uma emboscada do exército. No dia 19 de junho deste ano com a brutal repressão em Nochixtlán, Oaxaca, onde a polícia federal abriu fogo contra a população e professores que se opunham a imposição da Reforma Educativa, e assassinou a 11 companheiros e companheiras.

Por isso essa sexta nos mobilizamos para rechaçar a vinda de Nieto ao país e denunciamos o governo de Cambiemos, que quer impor na Argentina a mesma reforam educacional.

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Qual é a reforma educacional que querem implementar no México?

No ano de 2013 se aprovou a Reforma Educacional realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a qual o país asteca é membro. Foi impulsionada e aprovada pelos partidos do chamado “Pacto pelo México” que integra o partido do governo Partido Revolucionário Institucional (PRI), ao ultra-direitista Partido Ação Nacional (PAN) e ao centro-esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD).

Esta reforma foi aprovada nas costas de 1 milhão e 300 mil professores mexicanos que se organizam no Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE) cuja principal oposição interna é a Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE).

Com sua aprovação abriram-se diversos debates desde os meios massivos de educação até os corpos docentes de educação e pedagogia que explicaram que a Reforma Educacional tem como objetivo único atacar os direitos trabalhistas dos professores.

Esta reforma se baseia em um sistema educativo similar a empresas privadas de onde os professores se rendem a uma avaliação padronizada que não leva em consideração o contexto cultural e social da comunidade educacional; logicamente os setores marginalizados e pobres, que obtêm resultados negativos são castigados punitivamente com a perda do trabalho, como já ocorreu com mais de 3000 professores na capital.

Legaliza as cotas para diversas atividades escolares e permite a entrada de empresas privadas aos centros escolares abrindo o caminho da privatização. Desaparecem as escolas Normais, deixando à deriva a formação didática, deixando sem formação e profissão a milhares de filhos de camponeses, indígenas e trabalhadores que se formam como professores.
Resistir organizados e nas ruas

O Macrismo ainda é o máximo neoliberal que a relação de forças lhe permite ser. Mas se pudesse faria o que faz seu homologo mexicano Peña Nieto. Na Argentina a educação pública é um direito conquistado pelos trabalhadores que é profundamente sentida.

O conceito de meritocracia e as avaliações aos estudantes e a professores, a formação de ranking de escolas ( segundo a qualificação obtida) e o constante ataque aos docentes cada vez que lutamos em defesa da escola, são os pilares fundamentais que o Banco Mundial eo o FMI recomendam para a educação na América Latina. Na cidade de

Buenos Aires, onde PRO governa há vários anos estas políticas foram se implementando pouco a pouco com o fechamento de graus, a implementação da Nova Escola Secundarista, a criação do instituto Avaliador e o problema crescente de vagas, de onde mais de 11 mil crianças ficaram sem escola. Este modelo é que querem implementar a nível nacional.

Estas políticas podem ser implementadas graças às leis neoliberais herdadas do menemismo, que durante 12 anos de governo kichnerista “nacional e popular” não foram tocadas em sua essência como é o financiamento descentralizado por províncias e a centralização do pedagógico. Os discursos de “os professores são preguiçosos e tem quatro meses de férias” favorecem esta política de desgaste, para aplicar o ajuste.
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Os docentes astecas e do mundo, seguem repudiando a organização junto a todos os trabalhadores da educação pública. Atualmente, a luta docente contra a Reforma Educacional se reanimou. Em Chiapas e em Oaxaca conta com o apoio solidário de pais e mães de família que estão se opondo nas ruas, a Reforma, muitas vezes enfrentando a repressão.

Todos os sindicatos de professores devem repudiar esta “visita” e chamar a ações para rechaçar a vinda deste presidente que já leva em sua conta pessoal o assassinato de estudantes normalistas e professores, para impor com sangue e fogo a reforma educacional.

Tradução: Milena Bagetti




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