Sociedade

"Pelo fato de ser negro e morar na periferia, você já se torna um suspeito." Afirma jovem preso injustamente por dois anos

Lucas Moreira de Souza, jovem negro de 26 anos, foi mantido dois anos em condições extremamente precárias de cárcere por crimes que não cometeu.

quinta-feira 22 de outubro| Edição do dia

Créditos da foto: G1.

Lucas Moreira de Souza, jovem negro de 26 anos, foi condenado injustamente por um crime que não cometeu e passou 2 anos na prisão, no Distrito Federal. Lucas chegou a ser condenado a 77 anos de cárcere por envolvimento em assaltos.

Na noite dessa segunda-feira (19), o jovem foi liberado. Um ônibus da penitenciária o deixou em um ponto de ônibus, em um horário que, em entrevista ao G1, Lucas afirmou que o transporte público não estava mais operando. Lucas caminhou por cerca de três horas até a rodoviária. A família foi buscá-lo na prisão no dia seguinte, pois não haviam sido informados de sua soltura no dia anterior.

O jovem contou também que era mantido em uma cela com 50 pessoas, que possuía espaço para apenas oito camas. Lucas tem um filho de 5 anos, que tinha apenas 2 anos quando ele foi preso: ’Perdi parte da infância do meu filho’. Lucas se revolta "Pelo fato de ser negro e morar na periferia, você já se torna um suspeito."

O caso de Lucas e de tantos outros escancara o papel da polícia de encarceramento em massa e assassinato do povo negro. Ainda nessa semana o neto do sambista Neguinho da Beija-Flor, Gabriel Ribeiro Marcondes, de 20 anos, foi brutalmente assassinado pela polícia enquanto organizava um baile funk.

O sistema capitalista se baseia no racismo para se manter, o Brasil possui mais de 800 mil presos, com a grande maioria de negros (65%), com menos da metade sem julgamento, ou seja, presos provisórios (40%) e submetidos a condições subumanas de vida, pouca ventilação, aglomerações, falta de limpeza, remédios e com alimentação de péssima qualidade. O Brasil fica em 3º lugar no ranking de países com maior número de detentos.

A política do encarceramento em massa é abertamente racista e revela o quanto o estado brasileiro reproduz essas práticas como um verdadeiro mecanismo aliado ao assassinato a juventude negra. Bolsonaro, Mourão e os militares engrossam essa política com o discurso de que “bandido bom é bandido morto”, enquanto aos criminosos de colarinho branco é reservado delação premiada, prisão domiciliar e todos os tipos de privilégios.




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