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UNICAMP

Pela construção de chapas no CACH e DCE que organizem a luta pela base contra os ataques de Bolsonaro e dos golpistas

Nós da Juventude Faísca chamamos os estudantes do IFCH e da Unicamp a construírem chapas conosco para o CACH e DCE que se coloquem a organizar a luta pela base, aliada aos trabalhadores, contra os ataques de Bolsonaro e dos golpistas à educação e à aposentadoria.

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segunda-feira 12 de novembro| Edição do dia

Recentemente, Bolsonaro declarou que “uma parte considerável” das universidades é dinheiro jogado fora e que é necessário “aparar os centros acadêmicos”. Essa declaração por si só já nos dá pistas de que grandes transformações no regime político estão em curso e o debate que estará colocado nas próximas semanas, frente às eleições das entidades estudantis na Unicamp, é de qual movimento estudantil precisamos, à altura de derrotar os anseios dessa extrema direita, fortalecida pelas manipulações do Judiciário golpista, para atacar a classe trabalhadora e a juventude, valendo-se de métodos mais autoritários. Contra o potencial inimigo que o próprio Bolsonaro enxerga nas entidades estudantis, como os Centros Acadêmicos e DCEs, queremos debater com cada estudante do IFCH e da Unicamp qual estratégia e programa podem de fato colocar medo nessa extrema direita, superando a impotência do PT, que aposta em ser uma oposição parlamentar, com objetivos eleitorais para 2022.

A prisão arbitrária de Lula e o veto à sua candidatura, impedindo o direito de decidir em quem votar de milhões de brasileiros e o escândalo das fake news escancararam que Bolsonaro é herdeiro do golpe institucional, e tem como tarefa, junto a Paulo Guedes, seguir e aprofundar os ataques e reformas que Temer não conseguiu, como a Reforma da Previdência, acabar com o Ministério do Trabalho, privatizar as estatais para continuar pagando a trilionária dívida pública e assim submeter ainda mais o Brasil ao imperialismo norte-americano. O papel do Judiciário golpista, apoiado na crescente politização das Forças Armadas, teve como “coroação” a nomeação de Moro como Ministro da Justiça de Bolsonaro, um agradecimento à Lava Jato por suas “contribuições” à construção de um regime político à direita.

Não à toa, na educação, Bolsonaro defende ataques violentos. Quer cercear o pensamento crítico com o projeto “escola sem partido”, também apoiado pelo golpista reacionário João Dória, criando um movimento concreto de assédio contra os professores das escolas públicas. Por isso mesmo, antes de ser aprovado, já orienta seus seguidores a filmarem e perseguirem professores em sala de aula. Assim, é parte de fortalecer um discurso conservador e violento contra as mulheres, negros e LGBTs, como vimos com o brutal assassinato de Mestre Moa do Katendê.

Nas universidades, o movimento estudantil foi o primeiro a se mobilizar com centenas de atividades, comitês e atos contra Bolsonaro antes mesmo do resultado do segundo turno, e teve como resposta um avanço do autoritarismo judiciário com a invasão de universidades pela polícia a mando dos TREs, que tentavam impedir a organização dos estudantes. Agora a extrema direita, frente à crise, quer dar uma resposta radical dos capitalistas, que para as universidades públicas significa censura a serviço do pagamento de mensalidades e fortalecimento dos grandes monopólios de educação privada. Realocando o ensino superior ao Ministério de Ciência e Tecnologia, precarizam e atacam a produção do conhecimento científico, cortando investimentos, porque querem que cada vez mais o Brasil assuma o papel de “fazenda do imperialismo” na divisão do trabalho, ao mesmo tempo em que seus grandes polos de conhecimento, como a Unicamp, deve cada vez mais servir unicamente aos lucros dos empresários, colocando em xeque as Ciências Humanas, por exemplo.

Nós estudantes podemos disputar as grandes ideias, dando uma resposta radical à esquerda, defendendo não a universidade pública assim como ela é hoje, elitista e excludente, mas a universidade que nós queremos, que sirva aos trabalhadores e a população para responder às grandes mazelas sociais.

De qual “oposição” precisamos contra Bolsonaro e os golpistas?

A UNE, dirigida pela juventude do PT e pela UJS (juventude do PCdoB), segue imóvel, não chamando assembléias e comitês de base a partir dos centros acadêmicos e DCEs onde está pelo país, para organizar e preparar a luta pela base contra cada um desses ataques. Não faz isso porque existe uma divisão de tarefas. O PT chama à construção de uma “frente ampla pela democracia” que tem como estratégia ser uma oposição puramente parlamentar e que deve ser conformada, segundo as intenções desse partido, inclusive com setores golpistas, que compartilham do programa de reformas de Bolsonaro. Enquanto, impotentes para frear os planos de Bolsonaro, no terreno das entidades e das centrais sindicais, como a UNE, CUT e CTB, suas burocracias servem para frear qualquer possibilidade de organização da juventude e dos trabalhadores que se coloquem no terreno “extraparlamentar”, controlando para que sirvam ao “desgaste” de Bolsonaro, mas desde agora canalizando para que a única saída seja nos marcos do regime e nas urnas em 2022.

Basta ver que na Unicamp a atual gestão do DCE composta pela UJS (juventude do PCdoB) e pelo grupo Apenas Alunos, que possui até mesmo membros do MBL, prefere se reunir com a reitoria e vender a entidade às empresas, com o Clube DCE, do que construir na base espaços de auto-organização para que os estudantes possam decidir os rumos da entidade e assim ser parte de organizar sua luta, como vimos com a mobilização contra Bolsonaro em que chegavam até mesmo a deturpar deliberações da Assembleia dos estudantes.

Contra isso, nós da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas defendemos uma frente única que se conforme no terreno da luta de classes, unificando o conjunto dos estudantes em aliança aos trabalhadores, sendo a única força social que de fato pode enfrentar todos os planos de Bolsonaro, ligando a luta contra os ataques aos direitos democráticos mais elementares ao combate às duras reformas econômicas. Para isso, apenas a partir de nossas entidades estudantis, como o CACH e o DCE, e seus espaços, como comitês de base, assembleias e plenárias, os estudantes que querem se organizar por seu futuro podem ser sujeitos políticos coletivos, tendo como tarefa romper a noção de que nossos centros acadêmicos são para poucos estudantes, e sim devem servir para que de conjunto preparemos uma grande batalha contra os ataques à educação e à aposentadoria e em defesa de uma universidade a serviço da classe trabalhadora e da maioria da população.

Por isso, também queremos abrir um debate franco com os companheiros da Oposição de esquerda da UNE, como as juventudes do PSOL com Afronte, Juntos, Vamos à Luta, Enfrente e UJC, que ao invés de utilizarem suas energias para convocar assembleias de base e comitês nos locais onde estão e fazer uma exigência clara à UNE para que rompa imediatamente sua paralisia, acabam por conviver pacificamente com essa burocracia e se adaptar a um discurso de unidade acrítica. Assim, suprimem as diferenças com o PT e com todas as correntes militantes e independentes e deixam de levantar claramente um programa e uma estratégia que possa abrir espaço para superar o petismo e seu projeto de conciliação, pela esquerda.

Nós estivemos nas reuniões de conformação de chapa para o DCE, chamadas por esses coletivos, para batalhar por um conteúdo da chapa que se posicionasse claramente contra o golpismo e o autoritarismo judiciário de Moro, que é parte do fortalecimento dessa extrema direita de Bolsonaro, e por superar a estratégia eleitoral e parlamentar do PT. Incrivelmente não só os companheiros negaram esses conteúdos - já que a chapa é composta por grupos como o Juntos e Vamos à luta que aplaudiram as ações da lava-jato ano passado e até mesmo a prisão de petistas por Sérgio Moro, e o Afronte que nos seus textos parece não compartilhar dessas opiniões, mas não problematizou em nenhum momento essas posições -, mas também decidiram votar um veto mesquinho a nós para que não participemos da chapa, já que temos divergências, o que acreditamos que é um enorme absurdo frente inclusive a toda perseguição da esquerda que Bolsonaro esbraveja. Contra essa concepção de “unidade” vazia que suprime as diferenças, propomos um DCE proporcional, assim como o CACH já é hoje, expressando as distintas concepções presentes no movimento estudantil ao longo de todo o ano.

Levantar um programa que derrote a herança da ditadura e coloque a universidade a serviço dos trabalhadores

Neste momento, frente às ameaças do Judiciário contra as universidades e declarações de que Bolsonaro até mesmo deveria escolher os reitores das federais e que em São Paulo tem João Dória como um aliado no governo do estado, Knobel se coloca como parte da defesa de democracia, contra a extrema direita. Entretanto, a mesma reitoria que “gere a crise orçamentária” punindo os estudantes que lutaram por cotas e contra os cortes para atacar as condições de trabalho e estudo, com congelamento de contratação, aumento do bandejão e cortes na permanência estudantil, é incapaz de romper até o final com os interesses dos que querem acabar com a universidade pública. Apenas a organização dos estudantes e trabalhadores na universidade pode de fato ir à diante, defendendo uma Unicamp que possa ter como força social a classe trabalhadora, a juventude excluída por um dos vestibulares mais elitistas do país e o conjunto do povo pobre.

Por isso, temos que lutar pelo direito de todo estudante permanecer na universidade, pela construção de vagas na moradia estudantil de acordo com a demanda, bolsas estudo sem nenhuma contrapartida e creches a todos que precisam, uma questão latente na universidade que se colocará ainda com mais força para o próximo ano com a entrada de estudantes cotistas.

Estamos junto com os trabalhadores dentro e fora da Unicamp, por isso defendemos no primeiro semestre que os estudantes deveriam se mobilizar para defender os trabalhadores que estavam em greve na universidade e não arredamos o pé de apoiar sua luta. Além disso, queremos defender que os trabalhadores terceirizados, que são em sua maioria de mulheres negras, possam ser efetivados sem a necessidade de concurso público, com os mesmos direitos dos trabalhadores efetivos, pela mais ampla unidade do conjunto da classe trabalhadora.

Mas para cada uma das nossas demandas é preciso não só não ter nenhuma ilusão na institucionalidade, mas levar a frente uma grande luta por uma estatuinte livre e soberana, para jogar na lata do lixo o estatuto herdeiro da ditadura militar que pune lutadores e assim construir um novo, com estudantes e trabalhadores que poderiam tomar os rumos da universidade nas suas mãos, decidindo por exemplo que a universidade deve ser gerida por estudantes, funcionários e professores de acordo com seu peso real, e não por esse Consu antidemocrático e por essa reitoria que tem como sentido de existência gerir uma universidade elitista e excludente.

Confiando nas nossas forças podemos levar a frente a luta por um ensino superior público radicalmente diferente, onde toda a juventude possa ter direito à estudar. Para isso também é preciso enfrentar o vestibular, um filtro social e racial que só serve para excluir os jovens pobre e negros das universidades. Por isso, é preciso defender o fim do vestibular ligado à luta pela estatização das universidades privadas, enfrentando os tubarões do ensino que endividam os jovens com altas mensalidades e sugam o dinheiro público.

A serviço desse objetivo é preciso retomar a vivência nos institutos e em toda a Unicamp, promovendo grandes debates, atividades culturais e festas aberta à população, se enfrentando com a proibição dos nosso espaços pela reitoria e também imposta pelo judiciário golpista e com o conservadorismo da extrema direita que quer construir verdadeiras prisões do saber, permeadas pelo machismo, racismo e lgbtfobia. Para que os setores oprimidos estejam à frente das entidades e desse enfrentamento propomos também uma secretaria aberta de combate às opressões, onde cada negro, mulher e lgbt possa se organizar para combater as opressões e calar a boca de Bolsonaro e seus seguidores.

Retomando nossas entidades estudantis, podemos ser uma caixa de ressonância a partir da universidade para todos os trabalhadores, jovens, mulheres, negros e lgbts, que não querem se calar diante das ideias odiosas que jorram da boca da extrema direita e defender nosso direito ao futuro que eles querem nos arrancar. É com essa perspectiva que nós da Faísca e do Pão e Rosas chamamos cada estudante a conformar chapas para o CACH e DCE conosco.




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