Educação

MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS

Pedro Fernandes anuncia que fechará escola em Petrópolis para dar lugar a Colégio Militar

No dia 8, Pedro Fernandes (PSC) anunciou o fechamento do Liceu Municipal Carlos Chagas em Petrópolis. No lugar, o Secretário da Educação pretende fazer um Colégio Militar. O projeto conta com apoio de Sérgio Fernandes (PDT).

sábado 14 de setembro| Edição do dia

No dia 8 de Setembro o secretário de educação Pedro Fernandes (PSC) e o deputado Sergio Fernandes (PDT) anunciaram a militarização da terceira escola no Rio de Janeiro, o Liceu Municipal Carlos Chagas, uma escola de nível fundamental que será fechada para dar lugar a uma escola de nível médio da polícia militar, de acordo com um projeto de lei de autoria do deputado Vandro Família (SD), que já foi preso acusado de comandar uma milícia.

O anúncio causou comoção na comunidade escolar, principalmente entre professores e os pais dos alunos, que inclusive terão que se deslocar para escolas mais distantes já que muitos não terão sequer idade para frequentar esta escola. Embora em um primeiro momento a secretaria de educação municipal tenha negado que a escola seria o Liceu, em uma reunião posterior com a comunidade escolar foi confirmada a escolha da escola, que inclusive já foi avaliada por uma equipe da SEEDUC.

Esta será a terceira escola militarizada no estado sob o governo do reacionário Witzel, que defende uma política de intensificação da repressão policial que na prática resulta no abate da população pobre e negra das periferias em nome da falida política de guerra as drogas. Quem conduz esses ataques é o secretario Pedro Fernandes, que manobra de forma oportunista a SEEDUC para se capitalizar politicamente para 2020. Inclusive, não a toa o anúncio da militarização foi feito junto ao deputado Sergio Fernandes (cujo verdadeiro nome é Sérgio Bernardino Duarte), aliado político de longa data da família Fernandes em Petrópolis. Além disso, o projeto de lei que permite a criação de uma escola militar em Petrópolis é do deputado Vandro Família (SD), um ex-policial militar que já foi investigado, e até preso em 2012, acusado de comandar uma milícia no município de Magé.

A militarização das escolas é um ataque fundamental que atende a estratégia da extrema direita fluminense de tentar responder a intensa crise social que se abateu no estado a partir do autoritarismo e da repressão policial. É partir deste ponto que o governo pretende ao mesmo tempo, controlar o movimento estudantil e de professores, importantes pontos de resistência aos ataques, enquanto busca fortalecer um discurso de solução de todas as crises, inclusive da educação, pelo controle militar, fortalecendo a hegemonia da classe dominante, além de promover o fortalecimento político de grupos de milicianos.

É preciso denunciar esse processo de controle ideológico que está sendo empurrado nas escolas, é preciso que o SEPE e as entidades do movimento estudantil saiam do seu imobilismo e entrem em cena para mostrar a força da classe trabalhadora e da juventude e não deixar a prosperar a estratégia daqueles que querem fazer a população pagar pela crise.

Em repúdio, a comunidade escolar está se organizando e lançou um abaixo assinado digital contra este absurdo:

Há dezenove anos servindo a população de Petrópolis, o Liceu Municipal Carlos Chagas Filho muito provavelmente será extinto para que, em seu lugar, seja instalada em 2020 uma escola militar. Se esse fato se confirmar, isso significará o fechamento de uma instituição gratuita de Ensino Fundamental que, atualmente, serve a cerca de 510 alunos de 6 comunidades do seu entorno. Contudo, como a futura escola militar oferecerá somente Ensino Médio, ela não contemplará essas 5 centenas de alunos, que serão transferidos para outras escolas da rede municipal. Isso implicará no deslocamento diário dessas crianças e adolescentes para escolas muito mais distantes de seus lares, uma vez que a escola municipal mais próxima não tem capacidade física para suprir tamanha demanda de vagas.

Além disso, a equipe de educadores que tão bem conhece a realidade desses alunos será dissolvida e os cerca de 60 funcionários que lá trabalham (professores, merendeiras, inspetores e zeladores) também serão removidos para outras instituições de ensino municipais.

Portanto, para que esse absurdo não se concretize, nós, professores, alunos, funcionários e amigos do Liceu Municipal Carlos Chagas Filho pedimos sua ajuda. Se você também for contrário ao fechamento arbitrário de uma escola que há duas décadas presta bons serviços à população, por favor, assine este abaixo assinado virtual, pois ele será encaminhado às autoridades competentes a fim de mostrarmos que a população não deseja o fechamento de nossa escola. Contamos com você nesta luta! Muito obrigado!

#ficacarloschagas




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