Educação

GREVE NA USP

Pedagogia da USP decide por greve e piquete a partir de hoje!

O curso de Pedagogia da USP decidiu por maioria em assembleia que reuniu mais de 200 estudantes que entrariam em greve a partir de amanhã por creches, escola de aplicação, cotas raciais e contra os ataques à educação.

Leticia Parks

Brasília - DF

quinta-feira 12 de maio de 2016| Edição do dia

A greve se dá no momento em que mais de uma centena de escolas estão ocupadas em todo o país, com um grande foco de luta do RJ, SP e CE, onde os estudantes secundaristas organizam lutas em defesa da educação e contra os ataques que vivenciamos com cada vez mais dureza em nossas escolas e universidades.

O curso de educação da USP vê de perto essa precarização não apenas no curso, onde estudantes vem perdendo bolsas e vendo as salas serem superlotadas, mas na perda de vagas de creche para as crianças filhas de estudantes e trabalhadoras. O fechamento das creches é também uma ameaça ao tripé pesquisa-ensino-extensão, colocando em cheque a possibilidade de que estudantes de pedagogia possam exercer pesquisa nas escolas e creches de aplicação que sempre foram referência na USP.

A decisão de lutar por cotas também é fundamental no marco de se reconhecer que o ingresso de negros não será um “presente” dado pelos governos e reitorias, já que vivemos num país marcado por 3 séculos de escravidão, com uma elite cafeicultora e latifundiária herdeira desse sistema dirigindo a universidade e o país.

A ocupação na Letras e a greve na Pedagogia na perspectiva da crise nacional

Enquanto os dois cursos da principal universidade do país votam suas greves e ocupação - no caso da Letras – ainda acontece no Senado a votação do impeachment de Dilma, que coloca a direita na ofensiva de um golpe institucional que marcará um cenário de mais ataques contra a juventude e os trabalhadores, intensificando retiradas de direitos que já vinham sendo aplicadas pelo próprio governo Dilma.

Para nós, a construção de lutas desde já que se enfrentem com os ataques é fundamental para dar mostras de que não nos calamos nem nos calaremos frente a qualquer ofensiva da direita e dos governos contra nossos direitos, tanto quanto não nos calamos contra o PT.

Na universidade, o PT tenta demagogicamente se colocar como o setor que construirá as lutas, mas tanto na Letras quanto na Pedagogia, deixaram claro que só participarão nos momentos de “aparecer”. Não participaram da construção das assembleias, e nas universidades federais e privadas onde dirigem com todo o aparato da UNE, se recusam a implementar qualquer tipo de política que coloque o desejo de mobilização dos estudantes em movimento. Exigimos a UNE rompa o atrelamento de sua direção ao PT e organizem os estudantes para lutar, colocando todo seu aparato a serviço de lutar contra cada um dos ataques.

Nas assembleias ficou claro que, infelizmente, não é só a UNE que cumpre o papel de tentar desmobilizar os estudantes. O DCE, composto majoritariamente pelo PSOL (MES) e minoritariamente pelo PCB, propunham com o discurso de “necessidade de unificação com os trabalhadores” que a greve se iniciasse apenas no dia 19. Curioso que o indicativo dos próprios trabalhadores é para hoje, dia 12. O que está por trás dessa proposta vergonhosa dos companheiros que dirigem a principal entidade de base do país é que não tem o menor interesse em que haja uma mobilização estudantil, pois estão com todas as energias voltadas para que passe a tal “eleição geral” que propõem ser realizada para presidência nacional ainda este ano, lado a lado com a direita PSDBista.

Fazemos uma exigência a que os companheiros do PSOL e do PCB, que hoje representam a totalidade dos estudantes da USP, se coloquem na construção da luta, envolvendo os quase 300 membros da chapa que candidataram nas eleições no mês passado e garantindo que a ocupação que se inicia na Letras e a greve que já se expande nesse curso e no de Pedagogia, possam ser massificadas e vitoriosas.




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