Sociedade

CENSURA AO TEATRO

Peça censurada em Jundiaí lota exibições em Santo André e Rio Preto no fim de semana

A peça foi proibida de ser apresentada nessa sexta (15/09) na cidade de Jundiaí, e teve duas apresentações, no sábado e no domingo, com uma enome procura de público, em resposta ao ataque transfóbico da Justiça de Jundiaí

terça-feira 19 de setembro| Edição do dia

Depois da censura promovida pela Justiça em Jundiaí, que proibiu a apresentação da peça "O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu", que aconteceria nessa última sexta (15/09), as sessões de sábado, em Santo André, e de domingo, em Rio Preto, tiveram os ingressos esgotados.

Mesmo com ingressos esgotados, a procura era tão grande que nas duas apresentações que o Sesc foi obrigado a liberar mais lotes de ingressos. O grande público é em parte atribuído à censuram em Jundiaí, que trouxe bastante visibilidade para a questão da transfobia, segundo a diretora de produção da peça, Natalia Mallo. A peça vem sendo um enorme sucesso, e já rodou o país inteiro, e a repercussão da censura no fim de semana, apesar de trazer muitas reações negativas, também trouxe muitos apoiadores. A peça ja foi alvo, antes da censura de protestos de congregações religiosas, políticos locais, e do grupo da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

Veja aqui a pagina da peça no Facebook: O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu
Dentre as diversas reclamações levadas à Justiça contra a peça, estão inclusos argumentos como o monólogo ser "um crime contra o sentimento religioso", e também de que a peça atenta conta "à dignidade da fé cristã", por ter Jesus Cristo interpretado por uma mulher transexual, a atriz Renata Carvalho.

Essa foi a primeira censura judicial sofrida pela peça, que foi escrita originalmente pela dramaturga escocesa Jo Clifford, e ataptada à realidade brasileira por Natalia Mallo. “Falamos muito da hipocrisia dos fariseus, da questão do apedrejamento, dos ensinamentos de amor e aceitação de Jesus, mas sem mudar o texto original. Tudo o que queremos dizer com a peça fica muito ilustrado quando grupos conservadores atacam a produção”, afirma.

O espetáculo está em cartaz há mais de um ano, rodando por Sescs, festivais de teatro, e também sendo levado para prisões, abrigos e instituições de ensino. No entanto, foi recorrente o numero de ataques ao longo das apresentações. Nesse fim de semana, Natalia Mallo teve os quatro pneus de seu carro furados, ato que ela atribui ao ocorrido em Jundiaí. “Na estreia em Londrina e no Paraná sofremos ameaças da Arquidiocese e de políticos. No Sesc Taubaté, precisamos revistar o público porque havia um grupo de 20 homens agitados, um pouco agressivos, que desapareceu no momento em que anunciamos a revista”, conta. A diretora da peça também conta que o “movimento de oposição” tenta “articular com outros juízes nas cidades por onde a peça passa para evitar que ela chegue aos palcos".

"Nosso trabalho vai numa ferida social que está aberta, dolorosa. Mas é necessário mexer nela”, declarou Natália. A peça ainda segue em exibição no Festival Porto Alegre em Cena, nos dias 21 e 22 de setembro; No Sesc Santo Amaro a apresentação será na semana seguinte; Também haverão apresentações no Festival de Artes Cênicas de Salvador, de 24 a 29 de outubro, e em 2018 deve ir à Africa, para Cabo Verde, em apresentação no festival Mindelact.

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