Sociedade

Pazuello diz hipocritamente "não saber o que é o AI-5" e que Brasil é exemplo positivo pro mundo

Em entrevista concedida à revista Veja nesta sexta-feira (17), o Ministro interino da Saúde, com seu bolsonarismo tímido, faz diversas declarações negacionistas e obscurantistas, chegando a negar a necessidade de testes para Covid-19 e a dizer que não sabe o que foi o AI-5.

sábado 18 de julho| Edição do dia

No marco de uma trégua entre bolsonarismo com outros poderes opositores, liderados pelo STF, no qual ambos concordam em amainar suas divergências parciais em nome da urgente necessidade de passar ataques econômicos, agenda em que todos estes setores convergem, o atrito entre Gilmar Mendes e forças armadas cria um obstáculo para a manutenção dessa trégua.

Pazuello, que age para diminuir as tensões entre o Ministro do Supremo e militares, converge com a postura de Bolsonaro nas últimas semanas, em que o presidente não deu nenhuma de suas declarações negacionistas usuais, nem atacou nenhum de seus opositores. O posicionamento do ministro interino é funcional aos interesses do bolsonarismo, não se utiliza dos ataques usuais deste, mas sim de um discurso obscurantista e anti-establishment.

Na entrevista o Ministro fez declarações no mínimo estranhas para um General de divisão, afirmou não saber e nunca ter estudado o que foi o AI-5, dizendo também que as manifestações da direita, várias com cunho abertamente fascista, são uma prova de que a democracia vive sua plenitude. Também teve falas absurdas, como que não haveria necessidade de testes para saber quem está ou não infectado, o que teria como consequência menos transparência e mais obscurantismo. Além de ter negado a necessidade do isolamento social, afirmando que sua eficácia dependeria da “realidade específica”, dependendo dos gestores de cada cidade para ser implementada ou não.

O general também afirmou que ele e sua equipe, formada por vários militares que este trouxe para o Ministério, estão completamente empenhados em desmantelar um “Estado profundo” da corrupção existente hoje. Esquecendo que o próprio clã Bolsonaro está envolvido até o pescoço com este “Estado profundo” da corrupção, tendo diversas ligações, principalmente por meio de Flávio Bolsonaro, com milícias.

Sobre as afirmações do presidente em relação à pandemia, que dizem haver um “temor” excessivo para com o coronavírus, o Ministro disse que “dá um pouco de esperança de que a vida pode ser normal”, ignorando as dezenas de milhares de mortes e se eximindo de qualquer responsabilidade, acreditando que o simples “acreditar” faria com que a pandemia acabasse. A cereja no bolo no show de cinismo que foi esta entrevista, foi a resposta final de que “o Brasil vai ser um exemplo positivo para o mundo”, tendo recentemente até mesmo Donald Trump, o principal apoio à nível internacional do bolsonarismo, feito declarações contra a atuação do Presidente.

Para combater a crise econômica e sanitária que nos atinge, a única resposta consequente possível é a da classe trabalhadora. Ao contrário do que afirma Pazuello, são necessário testes massivos, para que saibamos o número real de infectados e possamos ter um combate mais efetivo ao vírus. É preciso também que repudiemos as MPs 936 e 927, e que defendamos a não redução da jornada com salário e a não demissão de nenhum trabalhador. Além de também defender EPIs para todos aqueles que são obrigados a continuar trabalhando, e um auxílio emergencial de 2000 reais para desempregados.




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