Sociedade

Pautas de Bolsonaro também têm inspiração nos mais reacionários movimentos religiosos

terça-feira 23 de outubro| Edição do dia

Até esta segunda feira, o vídeo gravado em 2016 do candidato reacionário acusando o PT de uma suposta ’’sexualização precoce das crianças’’ nas escolas do país, obteve 8,6 milhões de visualizações. Se pudermos fazer uma comparação, o número de pessoas que viram este vídeo disseminando fake news, equivale 18% dos votos recebidos por ele no primeiro turno da eleição.

Neste vídeo, postado em sua conta pessoal no facebook e ainda em circulação, Bolsonaro entregou um material que nunca circulou dentro das salas de aula, que de acordo com ele seria um kit em que se ensina a ser homossexual, um livro sobre sexo para crianças. Nunca comprados pelo MEC, Jair Bolsonaro teve a cara de pau de mostrar no Jornal Nacional alegando o contrário.

Esta demagogia do candidato reacionário não é algo isolado, mas se fundamenta em movimentos que se colocam contra a discussão de gênero nas escolas desde os anos 1990 no país. Estes movimentos reacionários que se colocam como oposição ao aborto e ao casamento homossexual, também são contra outros direitos elementares dos setores oprimidos da sociedade e se nega a levantar qualquer discussão sobre estas questões dentro da sociedade, seguindo uma linha obscurantista.

O que estes movimentos religiosos reacionários querem é inferiorizar uma parcela da sociedade, para que ela não tenha direitos e com isso submeter a situações mais precárias de vida e de trabalho. Além disso, no caso na questão do aborto, estes movimentos acabam atacando também o direito a saúde de qualidade. Algo que é extremamente funcional para Jair Bolsonaro, uma vez que ele está anunciando cortes e atacando direitos da classe trabalhadora.

Estes movimentos chegaram no limite do absurdo. No México, por exemplo, deputados com apoio de setores conservadores propuseram em 2016 a queima de livros que abordavam a educação sexual. Já na Itália, o "Jogo do Respeito" (sobre diversidade) foi proibido depois de setores conservadores e religiosos se mobilizarem. Este material questionava estereótipos sociais e apresentava homens passando roupa ou carregando um carrinho de bebê.

Os movimentos também reforçam um discurso de que existe um ataque organizado por militantes da esquerda marxista ao conceito tradicional de família. Estes grupos, que se organizam para impedir qualquer avanço dos setores oprimidos da sociedade, possui um medo imenso que as ideias revolucionárias de transformação radical da sociedade faça que estes percam a sua posição de status dentro da sociedade.

O termo ’’Ideologia de gênero’’, usado por aqueles que se colocam contra qualquer discussão de gênero dentro das escolas, aparece pela primeira vez em um documento eclesiástico em 1998, em nota da Conferência Episcopal do Peru chamada ’’A ideologia de gênero: seus perigos e alcances", por autoras consideradas antifeministas que elaboraram absurdos similares.

Já em 2000, surgem novas menções em registro da própria Igreja Católica Romana, até que, em 2003, é publicado o Lexicon, extenso católico sobre o tema. O termo ideologia de gênero aparece na Carta de Aparecida, resultado da Conferencia Geral do Episcopado Latino e do Caribe, feito no Brasil em 2007 e com presença do ex - Papa Bento 16. O texto afirma que a ’’ideologia de gênero’’ ajuda para o enfraquecimento da família e prejudicaria a dignidade do casamento.

As propostas de Bolsonaro, que tem base em movimentos religiosos, na verdade é uma afronta ao Estado laico, conquista elementar da Revolução Francesa de 1789, algo também que a classe dominante é incapaz de levar até o final esta questão democrática. Ainda hoje, estes setores da igreja querem palpitar na vida política do país com a sua pauta ultra reacionária e por isso tem relação direta com políticos como Jair Bolsonaro, que hoje procura a igreja evangélica e os mais retrógrados da católica para se organizar, atacando os setores oprimidos da sociedade, mas também atacar os trabalhadores com a sua agenda ultraneoliberal.




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