Política

PAULO GUEDES

Paulo Guedes diz que foco será o controle de gastos públicos e atacar a Previdência Social

Em entrevista na noite de domingo (28), Paulo Guedes, que é um representante do velho neoliberalismo carcomido em tempos de crise orgânica, afirmou que o foco do programa econômico do próximo governo será o controle dos gastos públicos, com destaque para a Previdência, propondo uma reforma que irá nos fazer trabalhar até a morrer.

Nicoli Barbosa

jovem trabalhadora

segunda-feira 29 de outubro| Edição do dia

Em entrevista na noite de domingo (28), Paulo Guedes, que é um representante do velho neoliberalismo carcomido em tempos de crise orgânica, afirmou que o foco do programa econômico do próximo governo será o controle dos gastos públicos, com destaque para a Previdência, propondo uma reforma que irá nos fazer trabalhar até a morrer.

O novo governo Bolsonaro já conta com apoio daqueles que hoje compõem o governo golpista de Temer, sendo que este se dispôs a colocar em votação reforma da previdência no período de transição, além de já ter aprovado a PEC do teto (congelando durante 20 anos as verbas públicas em áreas elementares como educação e saúde), a reforma trabalhista que rasgou a CLT e a terceirização irrestrita que escraviza os trabalhadores.

No primeiro “grande bloco dos gastos públicos”, a proposta de reforma da previdência do ultra neoliberal Paulo Guedes consiste na substituição do atual modelo de repartição - em que a previdência é financiada por todos - por um modelo de capitalização inspirada pela experiência na privatização da previdência no Chile - em que cada indivíduo é responsável por sua poupança, como modelo o projeto falido que levou a atual brutalidade com amplos setores que chega ao período de sua aposentadoria sem garantia de acesso a nenhum ou um mísero rendimento (40% em média do salário mínimo chileno).

No segundo “grande bloco dos gastos públicos”, a despesa com juros, a estratégia é “acelerar as privatizações”. Guedes defende a venda de tudo o que é público para lucrar cada vez mais com seus investimentos, demonstrando assim que a política tanto para ele como para Jair Bolsonaro nada mais é do que um trampolim para aumentar suas riquezas individuais. Possui interesses diretos na privatização da Eletrobras, Petrobras e também em suas principais empresas onde gerencia suas principais negociatas, como a Bozano Investimentos e a GPG Participações. Nesta última, inclusive, ele é acusado de provocar perdas milionárias na Bolsa de Valores à Fapes, fundo de pensão dos funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Seu projeto inclui apostar nas empresas privadas do setor educacional, a qual ele possui relação direta, que são pelo menos sete: Ser Educacional (152 mil alunos em universidades); HSM; Grupo Anima; NRE (8 mil alunos em curso superior em medicina); Q Mágico (educação à distância); Wide (produz e gerencia conteúdos digitais); Passei Direto (rede social para universitários). O próprio sistema FIES, criado no governo FHC e aprofundado na gestão Lula que possibilitou o acesso ao ensino superior a alguns setores da população, na verdade funcionou mais como instrumento para alavancar empresas privadas do setor e garantir altos lucros aos capitalistas cujo próprio Paulo Guedes e seu irmão Gustavo Guedes (aliado de negociatas do setor educacional) foram beneficiados.

Além destas, possui ações nas empresas de energia Equatorial (que em julho adquiriu a Cepisa, distribuidora da Eletrobras no Piauí), Energisa e CTEEP (Companhia de transmissão de Energia Paulista) que estão de vento em popa com os processos de privatizações em curso e que ele mesmo pretende aprofundar em um futuro governo.

Na entrevista Paulo diz abertamente que sua prioridade não é o Mercosul, expondo suas alianças com imperialistas, especialmente o EUA onde Bolsonaro teve apoio de Trump, no Twitter, ele confirma a conversa dizendo que irão trabalhar com estreita colaboração com o comércio, exército e tudo mais.

Guedes chega a afirmar ideias absurdas: “somos uma democracia estabilizada. Estamos aperfeiçoando nossas instituições’’.

Fica claro o tipo de governo que Bolsonaro quer realizar apoiado de bases como Paulo Guedes, este que está pronto a agir em prol aos próprios interesses e dos grandes capitalistas. Por isso, somente uma resposta anticapitalista de trabalhadores pode barrar o avanço da extrema-direita e dos golpistas, construindo comitês de bases em cada local de trabalho e estudos, exigindo das grandes centrais sindicais como a CUT e a CTB que chamem assembleias e organize os trabalhadores para enfrentar os ataques.




Tópicos relacionados

Comitês contra Bolsonaro   /    Extrema-direita   /    Bolsonaro   /    Reforma da Previdência   /    Privatização   /    Política

Comentários

Comentar