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Especulação imobiliária | Paulo Câmara e Lupércio querem remover famílias no Fragoso em Olinda-PE

Enquanto o governo alega que remoções seriam para resolver problemas de enchentes, foi vazado um documento mostrando que a ideia seria valorizar o terreno para a especulação imobiliária.

quarta-feira 18 de maio | 13:58

Imagem: auditoria do TCE 2018

Não é de hoje que os moradores da comunidade do Fragoso, em Olinda, sofrem com as enchentes do Rio Fragoso durante a chuva, algo que também não é exclusivo da comunidade, sendo um problema generalizado na Grande Recife. Enquanto isso, houve apenas descaso da prefeitura e do governo estadual. Apenas prometeram obras - nunca entregues - de canalizar o rio; o que não resolveria o problema, pelo contrário, poderia até mesmo agravar a situação.

Após anos ignorando a demanda, o governo estadual e a prefeitura de Olinda resolveram "agir’’. A Secretaria de Habitação Municipal anunciou no mês de março a remoção de mais de 350 famílias, muito diferente do que os moradores propunham. Além de terem chegado sem avisar nem dialogar, apenas anunciando as remoções, prometem rescisões irrisórias. Convém notar que não apresentaram nenhum projeto oficial. Estão apenas marcando e entrando nas casas.

No entanto, um documento vazado, aponta que o projeto do suposto lago artificial, obra multi-milionária, também inclui um enorme parque com área de cooper.

Considerando o fato de não garantir o fim das enchentes, nem ser a única alternativa para combatê-las, a obra é descaradamente uma forma de higienizar a região e prepará-la para a construção de condomínios de classe média-alta. Os moradores comentam a rapinagem das construtoras com seu olhar mafioso sobre a região.

Porta-vozes informais do governo alegam que as remoções seriam necessárias para fazer o suposto lago artificial (com parque e pista de cooper inclusos) e resolver o problema das enchentes. No entanto, o governo do PSB é campeão em fazer da Grande Recife um parque para a especulação imobiliária. Nesse caso, não é diferente. O documento vazado mostra que, longe de buscar resolver o problema dos moradores do Fragoso, o objetivo é favorecer a especulação imobiliária, que pretende construir um condomínio ao lado. Para piorar a situação, o PSB e a Prefeitura de Olinda, comandanda por Lupércio, do Solidariedade - mesmo partido de Marília Arraes - ainda aterrorizam a população. Adiam constantemente as reuniões com moradores que angustiados, cobram explicações; ficam enviando técnicos que dão informações desencontradas, não dizem nada com nada de forma que muitas vezes a população fica sabendo das coisas pelo jornal; e ainda por cima dizem que se não aceitarem suas propostas de rescisões miseráveis, irão ficar sem nada. Ainda por cima, a Prefeitura vem a público mentir, dizendo na imprensa que serão apenas cerca de 90 famílias removidas e que isso se dará em outra fase.

Fato é que o governo do PSB - partido golpista que apoiou todas as reformas anti-operárias e anti-populares - é uma verdadeira indústria de novos sem-teto. Na situação de carestia e fome brutais que assolam os trabalhadores e pobres do estado; de desemprego galopante em que Pernambuco é campeão nacional; o governo se propõe a desalojar famílias trabalhadoras, para saciar a sede de lucro de construtoras. Com as indenizações vergonhosamente baixas que são pagas em desapropriações no estado, as famílias conseguem comprar apenas um novo terreno. A atuação conjunta entre o PSB e o Solidariedade, que agora irão se enfrentar na corrida ao Palácio das Princesas, mostra que apesar de suas disputas os dois estão dispostos a entregar o estado para a especulação imobiliária.

Outra coisa em que o PSB também é campeão é no superfaturamento. O próprio TCE já constatou que obras planejadas para a Copa do Mundo de 2014 foram superfaturadas. Nesse sentido, o TCE também aponta irregularidades no canal do Fragoso.

Nesse sentido, nós do Esquerda Diário nos colocamos contra as remoções, denunciando o governo do PSB e também abrimos nossas páginas para denúncias e divulgação de mobilização dos moradores da comunidade.




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