CORONAVÍRUS - 11 MIL DESEMPREGADOS NO DF

Patronal de hotéis, bares e restaurantes do DF prepara demissões em massa

Pequenas e grandes redes do setor comercial de bares, restaurantes e hotéis do DF, representados pelo sindicato patronal Sindhobar, anunciam a dispensa de quatro mil trabalhadores do ramo. A verdade que não quer calar é que apesar de todos os discursos de fim do trabalho, a classe trabalhadora se prova, em momentos como esses, a garantidora de toda a vida social, e como tal, precisa assumir seu papel frente a essa crise social e exigir o que é seu de direito, que em nada é ir trabalhar em ambientes infectados, como propõe Bolsonaro. Por testes para todos, proibição das demissões e garantia de renda para empregados, desempregados e subempregados.

Leticia Parks

Brasília - DF

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Pequenas e grandes redes do setor comercial de bares, restaurantes e hotéis do DF, representados pelo sindicato patronal Sindhobar, anunciam a dispensa de quatro mil trabalhadores do ramo.

Esse contingente humano que ficará desempregado é apenas o primeiro anúncio dessa semana, feito nesta quarta-feira (25/03), mas a previsão é de que 11,2 mil trabalhadores percam seus empregos até 5 de abril – data do fim do fechamento comercial estipulado pelo governador. Caso haja prorrogação do regime de portas fechadas, esse número poderá ser maior. O proletariado dos bares, restaurantes e hotéis no Distrito Federal compõe uma categoria formada por mais de 110 mil trabalhadores.

O presidente da patronal Sindhobar, Jael Antonio da Silva, alega que nenhuma empresa conseguirá se manter com faturamento zero. Jael diz ter recebido ligações de empresários que empregam em média 800 funcionários comunicando que demitirão metade desses trabalhadores. “Estamos muito preocupados. Hoje, foram demitidos 2.850 empregados. Amanhã, veremos o número chegar a 4 mil. Só vai crescer se nenhuma medida for tomada”, disse o sindicalista burguês ao jornal Metrópoles.

Jael, amigo do patrão como é, fala em discordar das medidas tomadas pelo presidente de corte salarial por quatro meses mas sugere no lugar apenas outra solução que também fere os direitos trabalhistas duramente conquistados; que patrões fiquem liberados para dar calote no Fundo de Garantia, ou mesmo que possam acessar o FGTS do trabalhador para adquirir fundos para manter a empresa em funcionamento.

Na manhã dessa quarta-feira, 25/03, Bolsonaro dialogou com esse anseio chamando governadores a acabarem com os regimes de quarentena, como se essa medida fosse capaz de garantir a proteção da saúde de trabalhadoras e trabalhadores. O retorno ao trabalho, apesar da demagogia bolsonarista, não tem nada a ver com a defesa dos empregos. É uma tentativa de responder a pressão das bolsas que ameaçam tirar investimentos dos países a medida em que se mantenham os regimes de quarentena. Nos últimos dias, a agência de risco JP Morgan se prestou ao papel de projetar riscos país em base a esse cálculo, como se voltar ao trabalho fosse uma possibilidade em tempos de pandemia.

A verdade que não quer calar é que apesar de todos os discursos de fim do trabalho, a classe trabalhadora se prova, em momentos como esses, a garantidora de toda a vida social, e como tal, precisa assumir seu papel frente a essa crise social e exigir o que é seu de direito para defender a sua própria vida e a de suas irmãs e irmãos de classe. Pela proibição das demissões, pela garantia de remuneração para todas e todos os trabalhadores, empregados, desempregados e subempregados. Como? Tira do patrão! Apenas os lucros do Banco Itaú em 2019, calculados em R$ 29,4 bi, por exemplo, pagariam 6.762.336 salários mínimos do DIEESE no Brasil (avaliado em cerca de R$ 4340)




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