Economia

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Patronais fazem campanha para acabar com a aposentadoria de milhões de trabalhadores

Nos últimos dias as patronais FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), APAS (Associação Paulista de Supermercados) e FACESP (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) lançaram em empresas e na internet campanhas pela reforma da previdência.

quarta-feira 26 de junho| Edição do dia

Em meio à crise profunda, cenário de recessão econômica e uma taxa de desemprego galopante essas entidades patronais gastaram quantidades absurdas de dinheiro com vídeos, cartazes e sites com o conteúdo claro: Criar “um clima” pró reforma na população e pressionar o Congresso pra que o texto seja aprovado.

Longe de combater privilégios, ou até mesmo recuperar a economia como o próprio Secretário do Tesouro do Governo disse em declaração, a reforma tem um objetivo claro de aprofundar a retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude, nos obrigando a trabalhar até morrer sem podermos nos aposentar e em condições de trabalho cada vez mais precárias, abrindo espaço para mais privatizações e seguindo fielmente o pagamento da fraude da dívida pública e para garantir isenções fiscais para suas empresas enquanto suas aposentadorias já estão mais do que garantidas.

Em um dos vídeos da FIESP tentam colocar que aqueles que já se aposentaram não terão o benefício alterado, como se isso fosse a grande questão. A nova regra que vem na reforma estabelece que os trabalhadores de todas as categorias terão de contribuir 40 anos para receber o benefício integral. Pra juventude que já sofre com taxas de desemprego absurda se tratará de uma geração inteira perdida, que trabalhará em condições precárias e com o aumento da idade mínima pra 70 anos sabemos que a maioria dos trabalhadores sequer chegará a essa idade.

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Se por um lado vemos uma crise política dentro do Governo Bolsonaro e uma série de disputas entre diversos fatores dentro do regime golpista uma coisa é certa: a aprovação da reforma da previdência é o ponto de convergência entre todos esses fatores, e nisso também não escapa a “oposição” ao Governo, encabeçada peloPT e pelo PCdoB que através de suas centrais sindicais CUT e CTB traíram a greve geral do 14J e seus governadores no Nordeste agora assinam cartas em defesa de sua aprovação e da incorporação de seus Estados na reforma.

Os capitalistas estão numa ofensiva para descarregar a crise nas nossas costas, mais do que nunca é necessário apresentar uma resposta contundente dos trabalhadores e da juventude atacando diretamente o lucro e colocando abertamente pra população quais os reais interesses por trás desse ataque brutal.

O pagamento da ilegítima e fraudulenta dívida pública, principal mecanismo que suga as riquezas do nosso país pro bolso dos banqueiros e especuladores do mercado financeiro internacional, segue sendo a justificativa para a aprovação da reforma. Precisamos romper com essa política, levantando o não pagamento dessa dívida, cobrando que os bancos e empresas que devem bilhões ao sistema previdenciário paguem suas dívidas e exigindo que a UNE e as centrais sindicais, dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, organizem um plano de lutas para derrotar qualquer reforma da previdência, ao invés de sentarem para negociar alterações no projeto como vem fazendo até agora pelas costas dos trabalhadores.




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