Pastores chamam frequentadores de sua igreja de "neguinhos" e "encardidos", em live

Em live feita pelo pastor Rodrigo dos Santos com sua esposa Jessica Maciel, ambos da igreja Batista de Toledo, no Paraná, ele afirma que sua esposa “se destacou” ao entrar na igreja, pois era uma loira em meio à “uma região mais pobre com neguinhos, mais encardidos. Um povo meio sujo”. O pastor fala os absurdos com naturalidade, a esposa concorda.

quarta-feira 17 de junho| Edição do dia

Os frequentadores das igrejas, pobres, muitas vezes têm dificuldade em contribuir financeiramente devido à situação social, ainda sim, se esforçam devido suas crenças de céu e inferno. O pastor, entretanto, deixa claro que não se importa com os “neguinhos”, mas com “as loiras” que se destacam em meio à “sujeira” pobre. Em meio à uma pandemia que mata prioritariamente, a classe trabalhadora e negra, o pastor teve a coragem de fazer as nojentas afirmações que fez.

O cristão não nega as raízes, já que o cristianismo teve papel fundamental na escravidão. Alegava que a prática escravista estava bem, pois os negros não tinham alma. Além de catequizarem os índios e negros em suas próprias terras nativas, ajudando os colonizadores. Muitas vezes, com práticas de violência física e matando suas culturas, sempre ligadas aos “demônios” como até hoje acontece com as religiões afro e indígenas.

As igrejas, principalmente evangélicas e, posteriormente, as católicas, também foram e são pilares do governo Bolsonaro. Pastores se aproveitam, todos os dias, da fé dos frequentadores para servir aos interesses políticos capitalistas. Além da antiga e reconhecida prática de enriquecimento pessoal com falsas promessas de cura, prosperidade e castigos divinos.

Nas últimas semanas, vemos protestos massivos em vários países do mundo contra o racismo e a violência policial. Os protestos tiveram estopim com a morte de George Floyd pela polícia americana. A luta antirracista ligada com o anticapitalismo precisa ser o ponto de apoio para acabar com esse sistema e, daí, com o racismo que assim como o machismo, homofobia, xenofobia e outras opressões, são pilares de manutenção desse sistema que promove subjugação e genocídio da população negra e pobre.

Frente a crise que aprofunda as desigualdades inerentes ao capitalismo, que se tornam objeto de piada para o pastor e sua esposa, é essencial batalhar por um programa de combate à pandemia, visto que os trabalhadores têm sido os mais afetados. Nesse marco, é fundamental batalhar pela ampliação de leitos a partir da estatização destes sob controle dos trabalhadores, bem como pela disponibilização de testes.

Sabe-se também que, em função da depressão econômica prevista, serão aprofundados ataques contra os quais precisamos lutar. Nesse sentido, é fundamental batalhar contra as demissões de empresários e por um programa de renda mínima de 2.000 reais aos trabalhadores, tudo isso em articulação com a luta antirracista, de modo que se exija igualdade salarial entre negros e brancos.




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