Política

A nova ministra de Bolsonaro, a pastora Damares, nega morte de mulheres por aborto clandestino

Nomeada para o Ministério da Mulher, a pastora e advogada, Damares é assessora do ex-senador Magno Malta (DEM), um notório defensor da redução da maioridade penal e cabo eleitoral da campanha que, auxiliada pelas manipulações do poder judiciário e das forças armadas, pôs Bolsonaro na presidência do Brasil.

sexta-feira 7 de dezembro| Edição do dia

Já denunciamos aqui aqui e aqui a reacionária nomeação de Damares Alves para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Pastora e advogada, Damares é assessora do ex-senador Magno Malta (DEM), um notório defensor da redução da maioridade penal e cabo eleitoral da campanha que, auxiliada pelas manipulações do poder judiciário e das forças armadas, pôs Bolsonaro na presidência do Brasil.

Esta é a segunda nomeação de uma mulher, à qual se soma a de Tereza Cristina, ruralista e “musa do veneno” do mesmo partido de Malta, para o ministério da agricultura, comprovando que não basta ser mulher para representar os interesses das mulheres, pois o gênero nos une mas a classe nos divide irreconciliavelmente. Além de já ter dito que “a mulher nasce para ser mãe” e que “o aborto não desengravida”, Damares nega o fato de que milhares de mulheres morrem vítimas da proibição do aborto anualmente.

“Cadê os milhões de túmulos? Pastores, quantas mulheres vocês já fizeram o culto fúnebre e enterraram porque morreram por causa do aborto? Mentira! Não existe milhões de mulheres morrendo por causa do aborto no Brasil. Eles manipulam dados e estatísticas para impor na sociedade brasileira uma cultura de morte”.

Embora Damares seja uma inimiga jurada dos movimentos de mulheres e LGBTs, sua nomeação tem sido questionada pelos próprios aliados de Bolsonaro, inclusive da bancada evangélica. Por um lado, Malta teve de publicar um vídeo no qual esclarece que a escolha de Damares não foi dele e que Bolsonaro não o consultou. Por outro, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM), disse: "Se até o momento ficava claro alguma ingratidão com o Magno Malta, agora chegou a ser afronta.”

Isso porque esperava-se que o escolhido não fosse a assessora e sim o próprio senador, que chegou a ser convidado para ser vice de Bolsonaro mas recusou e terminou nem sequer se re-elegendo para o senado. Mas também porque a futura ministra declarou ontem (06) à imprensa que é preciso incluir transexuais no mercado de trabalho e que supostamente reconheceria o casamento igualitário como um direito conquistado.

Essa demagogia não nos deve enganar, pois em suas pregações, o tom da pastora não é nada conciliatório; vê-se em seus vídeos como vivemos em uma “ditadura gay”, segundo ela, e como a educação sexual e a “ideologia” de gênero “erotizam” as crianças. Se revelam algo, é que o congresso bolsonarista é reacionário e intransigente em toda a linha e que, portanto, será preciso mais que uma “frente democrática” para derrotá-lo.




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