Política

BOLSONARISMO

Partido de Bolsonaro utiliza dinheiro público para fomentar protestos antidemocráticos

Para os que acompanham Bolsonaro desde o começo de sua carreira política sabe que seu discurso anticorrupção sempre foi pura falácia. Saiu do PSL em meio ao escândalo das denúncias das candidaturas laranja, tentando ao mesmo tempo que desvincular sua imagem do escândalo, tirar o controle dos fundos eleitorais e partidários deste partido. Muitas são as hipóteses do real motivo de Bolsonaro e seu clã do abandono da sigla do PSL e posterior criação do atual partido que estão tentando legalizar – o Aliança pelo Brasil -, que tem como slogan um letreiro feito por cartuchos de balas e o número da sigla é o 38, referindo-se ao calibre do revolver.

sábado 9 de maio| Edição do dia

Porém, se tem uma coisa que podemos ter certeza, é que não foi devido à discordância com as práticas corruptas do PSL que fez com que Bolsonaro rompesse; ele deixou bem claro sua afinidade e intimidade com as práticas corruptas do congresso com a compra descarada de votos para aprovação da reforma da previdência através de emendas parlamentares, a recente aproximação com o centrão após a crise com a saída de Sergio Moro de seu governo, a interferência em investigações que comprometem seu clã e que nos mantêm a mais de 2 anos em busca de respostas sobre quem mandou matar Marielle Franco, além de muitas outras denúncias que vale a pena voltar sobre elas para esfregar na cara de quem vir até você e gritar “Mito” dizendo estar pelo suposto “fim da corrupção”.

Hoje veio à tona uma matéria da agencia Pública – agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos – que denuncia que Sergio Lima, marqueteiro do Aliança pelo Brasil e responsável por sua identidade visual nojenta, está utilizando dinheiro público para apoiar protestos antidemocráticos, fomentando as redes sociais de deputados que defendem esta pauta.

Isso é literalmente usar nosso dinheiro para fazer cartazes apoiando intervenção militar, divulgar propaganda que nega a existência do Coronavírus e relativizar a tragédia humana que está acontecendo no país. Segundo a matéria, a empresa contratada com nosso dinheiro era uma companhia de cosméticos até fevereiro deste ano e agora atende por Inclutech Tecnologia de Informação e está a serviço de fazer “monitoramento de redes sociais e notícias” e “assessoria para redes sociais”. Estes serviços custaram aos cofres públicos a bagatela de R$30.300,00 no mês de março e R$13.900,00 em abril. Isso no marco de que o governo não libera a ajuda emergencial de R$600,00 reais para trabalhadores informais e desempregados, colocando mil e uma burocracias que impedem o saque e obrigam milhares de pessoas a saírem do isolamento e se exporem ao vírus.

A Pública denuncia ainda que a contratação da Inclutech coincide com a ascensão de Sergio Lima, no palácio do planalto. Ele esteve presente na posse do novo ministro da justiça, André Mendonça, além de ter sido parte da comitiva de Bolsonaro a Miami para o Fórum das Américas e de participar da elaboração dos discursos do presidente. Ainda segundo a investigação da Publica, foi do telefone do empresário que Bolsonaro fez uma breve aparição no ato da Avenida Paulista do dia 19 de Abril, que tinha entre outras bandeiras o pedido de golpe militar e fim do isolamento social.

Fica bastante evidente quais são as prioridades deste (des) governo bolsonarista. Enviar milhares de pobres das periferias a afogarem-se sem ar como vítimas do Coronavírus, proteger suas crias que estão imersas em denúncias de corrupção e envolvimento com milícias, além de fomentar grupelhos de extrema direita que pedem a volta da ditadura utilizando dinheiro público através de seus parlamentares amigos.

Para nós fica a tarefa de inverter as prioridades. Precisamos defender o auxílio emergencial R$ 2 mil e esse valor é completamente realizável se fossem reduzidos os salários e benefícios dos políticos e juízes, taxadas as grandes fortunas dos empresários que querem acabar com o isolamento para garantir seu lucro ao custo de colocar em risco a vida do povo trabalhador e parar já com o pagamento da fraudulenta dívida pública, que drena milhões ao mercado financeiro à custa do investimento em serviços essenciais como a saúde pública. Precisamos impor com a força da nossa mobilização nossas demandas, através de uma nova assembleia constituinte livre e soberana, que discuta todos os problemas do país e tire resoluções de acordo com as necessidades das grandes maiorias, o povo trabalhador junto às mulheres, negros, indígenas, pessoas LGBT’s e juventude.




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