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COLETES AMARELOS

Manifestação massiva em Paris: os coletes amarelos não cedem a nada

Sem respeitar o governo, já são milhares de manifestantes em Paris, caminhando pela Champs-Elysées devido ao chamada dos Coletes Amarelos [Gilets Jaunes, em francês]; mas, também, de Saint-Lazare ao Boulevard Haussmann, à chamada do Comitê Adama Traoré [criado para pedir justiça ao assassinato de um jovem negro], o coletivo LGBT “le clap" e um coletivo de trabalhadores ferroviários. O terror do governo, que foi repetido pela mídia, não teve o efeito desejado.

sábado 8 de dezembro| Edição do dia

Sem respeitar o governo, já são milhares de manifestantes em Paris, caminhando pela Champs-Elysées devido ao chamada dos Coletes Amarelos [Gilets Jaunes, em francês]; mas, também, de Saint-Lazare ao Boulevard Haussmann, à chamada do Comitê Adama Traoré [criado para pedir justiça ao assassinato de um jovem negro], o coletivo LGBT “le clap" e um coletivo de trabalhadores ferroviários. O terror do governo, que foi repetido pela mídia, não teve o efeito desejado.

Os Coletes Amarelos e os seus apoiadores enfrentam o governo pela quarta vez. Hoje, para o Ato IV, como há uma semana, os membros do governo Macron adotaram um tom dos mais marciais: 89.000 forças policiais foram mobilizadas em toda a França, 8.000 em Paris, com veículos blindados na Bastilha. Adicionam-se aos dispositivos de repressão, centenas de prisões preventivas – mais de 1000 em todo o país –, enquanto ontem, Eric Drouet, figura midiática dos Coletes Amarelos e iniciador da petição em 17 de novembro, foi acusado de “incitação a crime ou delito”. Em sua conta no Twitter, François Ruffin, da France Insoumise, declara que “a DGSI prepara um inquérito contra mim por insubordinação”. Em resumo, a “Macronaria” paralisa seus adversários. Seu primeiro objetivo é, antes de mais nada, restaurar a autoridade estatal danificada pelos Coletes Amarelos, como evidenciado pela presença histórica desses veículos blindados.

Logo de manhã bem cedo, os Coletes Amarelos se reuniram na Champs-Elysées. Já eram vários milhares por volta das 10 horas da manhã e começaram a descer a avenida da Place de l’Etoile. O dispositivo policial, mais móvel do que no último sábado, 1º de dezembro, libera os manifestantes a partir da Etoile [em formato de estrela, rotatória central de Paris, de onde partem as principais avenidas] e bloqueia as ruas perpendicularmente. O ato é cortado ao meio repetidas vezes pelo CRS (força policial). Mas é impossível descer ainda mais: uma nuvem gás lacrimogêneo é usada como barreira na avenida, e o ar rapidamente se torna irrespirável.

Mesma lógica ao lado de Saint-Lazare, onde se reuniram as passeatas do Comitê Adama [por um jovem negro assassinado pela polícia], os jovens se mobilizaram nas universidades contra as crescentes taxas de inscrição, os trabalhadores dos correios, os trabalhadores ferroviários ao chamado do InterGare, o coletivo LGBT, “le claq”, se unem para apoiar e marchar ao lado dos Coletes Amarelos. Depois de um encontro marcado nesta manhã às 10 horas no pátio da estação de Saint-Lazare, vários milhares de manifestantes conseguiram avançar na passagem de Le Havre, no meio das galerias, para chegar ao bulevar Haussmann.

O comitê da Adama e trabalhadores ferroviários marcham para a manifestação

Manifestantes e ferroviários de joelhos, mãos nas cabeças, em solidariedade aos estudantes de Mantes-la-Jolie

Destino final: a Champs-Elysées. Mas os cordões da CRS fizeram de tudo para impedir essa junção, com controles em torno da estação Saint-Lazare, uma primeira armadilha no distrito de Haussmann. Os muito numerosos manifestantes conseguiram avançar pacificamente: o Boulevard des Mathurins, depois o Boulevard des Italiens, para tentar entrar na famosa avenida. É aí, onde por cerca de 13 horas, a polícia age para tentar dispersar os manifestantes: granadas de gás lacrimogêneo, caminhões-pipa. O governo deseja evitar a todo custo a junção entre as duas passeatas, aquele que saiu de Saint-Lazare e o dos Coletes Amarelos na Champs-Elysées. A passeata acabou, finalmente, avançando em direção aos Grands Boulevards. Por volta das 14h, chegou perto da Prefeitura.

Passeata dos Coletes Amarelos nos Grands Boulevards

Há um claro desejo de romper essa passeata pacífica, na qual está sendo feita a junção de vários setores, desde os Coletes Amarelos até militantes das periferias, passando por trabalhadores ferroviários a estudantes, carteiros e professores. A violência começa do lado da polícia [les bleus, os azuis, como os chamam os franceses]. Nunca pelos Coletes Amarelos. Na Bastilha, veículos blindados já estão esperando por manifestantes que ousarem a se aventurar por lá.

A palavra de ordem dos Coletes Amarelos, “Macron, nós vamos quebrar a sua casa”, se mescla com o “não tem arrego”, estudantes. E quando dizem que não tem arrego, estão falando a verdade. O governo falou de “convocação para matar”, para evitar esse estado de espírito em suas próprias fileiras. A repressão já é severa e brutal. A instrução dada à polícia foi: causar ruptura pela repressão ou infiltração de provocadores policiais nas passeatas. Ele precisará de imagens para justificar seu discurso. Mais uma vez, a violência não virá do lado dos manifestantes que defendem, acima de tudo, seus direitos democráticos de se manifestar e se opor a Macron, sua política antissocial e antipopular.

A única maneira de enfrentar seriamente Macron seria um bloqueio real da economia do país, que não pode ser feito apenas “por fora”, mas sim pela necessária entrada em movimento de milhões de trabalhadores em greve, numa verdadeira greve geral como a que ocorreu em 1968. Os sindicatos combativos e os Coletes Amarelos deveriam, nesse sentido, exigir ou até mesmo impor essa perspectiva às direções sindicais nacionais, começando pela convocação efetiva de um dia inteiro de greve geral ligada ao movimento dos Coletes Amarelos no dia 14 de dezembro.




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